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Para o Brasil,
efeito das eleições é incógnita

Kerry promete 'amizade', mas pode elevar protecionismo

Casa Branca/Divulgação
WASHINGTON: Lula e Bush, em encontro na Casa Branca

O Brasil não tem candidato na eleição presidencial americana deste ano. Sem saber quais serão as conseqüências da votação nos EUA, o país aguarda o resultado esperando melhorar suas relações comerciais e receber maior atenção da superpotência. Para os especialistas, porém, ainda não é possível dizer se uma vitória da oposição a George W. Bush trará efeitos positivos ao país.

A reeleição de Bush provavelmente resultaria na manutenção da atual política americana para o Brasil - relações cordiais, mas sem parcerias importantes e com acirrado confronto nas negociações comerciais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem boa convivência com o americano, mas jamais repetiu com ele a aproximação dos tempos de Fernando Henrique Cardoso e Bill Clinton.

Com John Kerry, o futuro das relações Brasil-EUA é uma incógnita. Por um lado, o candidato democrata promete valorizar o elo com as Américas, recolocando o Brasil no foco dos americanos. Ao mesmo tempo, Kerry tem como uma de suas principais propostas de campanha a revisão dos acordos comerciais firmados nos EUA nos últimos anos - o que pode acentuar o protecionismo do país.

'Bom amigo' - Numa das raras ocasiões em que comentou o assunto, John Kerry disse, durante encontro com líderes políticos e empresariais da América Latina, que o Brasil terá "um bom amigo" na Casa Branca se ele for eleito. "Serei um presidente que sabe onde fica a América Latina", afirmou ele, ironizando a falta de atenção do governo Bush nas relações com o continente.

Segundo Kerry, Bush "ignorou" a América Latina. "Ao invés de ser um bom vizinho, o presidente desprezou grande variedade de males, incluindo crises políticas e financeiras, o desemprego e o tráfico de drogas", acusou o democrata. Depois, prometeu: "Trabalharemos juntos com metas compartilhadas. Os vizinhos serão tratados como sócios, não como cidadãos de segunda classe".

Diálogo duro - Se na política e diplomacia Kerry parece mais alinhado aos brasileiros, no comércio exterior o democrata não é garantia de benefício ao país. Ele promete revisar os acordos já em vigor e endurecer as negociações dos futuros blocos, em especial da Alca. De acordo com um estudo divulgado nos EUA, Kerry dificultaria a formação do bloco de comércio das Américas.

O candidato democrata defende a adoção de "regras claras" nas áreas trabalhista e ambiental durante a discussão da Alca, algo que Bush ainda não inclui nas negociações. Isso pode ser um problema para o Brasil, que não aceita incluir os temas na pauta do diálogo, até porque tem alta taxa de informalidade no trabalho e dificuldade para colocar em prática suas leis ambientais.

 
     
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