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As novas ameaças
Sextasy e playboy no tráfico
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O uso de substâncias psicoativas acompanha a humanidade há
milênios, mas foi apenas no final do século XIX que
algumas delas receberam a denominação "droga"
e seu uso passou a ser condenado. A etimologia da palavra é
controversa. Sua origem já foi atribuída às
línguas bretã, grega, irlandesa e francesa, mas a
versão mais aceita prega que ela vem mesmo do holandês
droog (seco). O termo seria uma referência aos carregamentos
de peixe seco que chegavam à Europa, muitas vezes estragados.
A associação com as substâncias químicas
talvez se deva ao seu gosto estranho e à sua procedência
estrangeira. Atualmente, o uso de drogas é proibido em praticamente
todos os países e os especialistas são unânimes
em afirmar que a grande maioria delas causa dependência e
tem efeito devastador sobre a saúde dos usuários.
Mesmo assim, desde meados do século XX, o consumo mundial
de entorpecentes só aumenta. A seguir, algumas das novidades
do perigoso submundo das drogas e as mudanças de comportamento
que tanto provocam quanto são influenciadas pelas novas tendências.
Drogas sintética e 'playboys'
do tráfico
À medida que seu uso aumenta, os entorpecentes se diversificam.
As drogas sintéticas, da qual o ectasy é o mais célebre
expoente, tornaram-se a galinha dos ovos de ouro do boom de consumo
verificado nas últimas décadas. Popularizadas a partir
dos anos 70, as pastilhas produzidas em laborátório
são cada vez mais procuradas. No Brasil, essa crescente praga
urbana criou até um novo tipo de traficante: o jovem de classe
média ou alta freqüentador de raves - festas movidas
a música eletrônica e drogas que costumam acontecer
ao ar livre por vários dias seguidos. Os "playboys do
tráfico", como esses indivíduos são chamados
pela polícia, representam 90% dos presos por distribuir drogas
sintéticas em território brasileiro, especialmente
ecstasy e LSD. Eles são, em sua maioria, universitários
que usam o computador para comerciar e vêem o dinheiro da
venda como uma forma de garantir luxos extras.
A droga customizada
O grau de ousadia e sofisticação dos traficantes
está cada vez maior. Eles agora se especializam em produzir
drogas sob encomenda, para atender a determinados segmentos de consumidores.
E se desdobram, de tempos em tempos, para abastecer o mercado de
novidades - seja para satisfazer aqueles que buscam substâncias
mais potentes, seja para compensar a falta de uma determinada droga.
No início dos anos 2000, criaram um aditivo para internautas
adolescentes e aficionados por videogame. Vendido sob a forma de
pedras de cristais transparentes, o ice, como foi chamado, serviu
direitinho aos propósitos de seu público-alvo: o coração
dispara, a pressão arterial sobe, as pupilas dilatam e o
cérebro é inundado por substâncias relacionadas
à sensação de bem-estar. Tem-se a impressão
de que o corpo é um poço de energia. O raciocínio
parece mais rápido. Os reflexos motores, mais aguçados.
A luz vinda do monitor incrementa a dança cerebral. Mesmo
depois de horas diante da máquina, o usuário não
sente cansado. Assim como o ecstasy, que se destinava aos freqüentadores
de raves e casas noturnas, o ice foi elaborado para um público
bem definido.
Drogas digitais: entorpecentes do bem?
Nem todas as novas invenções do mundo das drogas
oferecem perigo. A última novidade no rol dos entorpecentes
resume-se a um computador, um arquivo sonoro, um par de fones de
ouvido e disposição para ouvir durante meia hora sons
desconexos em alto volume. A estranha combinação,
supostamente capaz de alterar o estado de consciência do usário,
foi chamada de droga digital. No site I-Doser, há vários
desses ruídos psicotrópicos que prometem sensações
idênticas às de drogas reais. O princípio do
entorpecente é a técnica binaural beats, descrita
pelo físico alemão Heinrich Dove em 1839. Segundo
o cientista, se freqüências distintas são reproduzidas
em cada ouvido, o cérebro produz um terceiro sinal, correspondente
à diferença entre os sons originais. A nova freqüência
seria a responsável por alterar o estado de consciência
do usuário. O "barato", porém, ainda não
foi comprovado, mas, se for, terá pelo menos uma vantagem:
sua fonte não é ilegal.
Mulheres também abusam
Figuras do mundo artístico encrencadas com álcool
e drogas ilícitas não são novidade. Seja pelas
características da profissão, pelo dinheiro farto,
pela facilidade de acesso, seja por se acreditar acima do bem e
do mal, cada geração de Hollywood - e, por tabela,
dos famosos do mundo inteiro - sempre teve sua cota de notórios
bad boys. O que o comportamento de celebridades como Amy Winehouse,
Britney Spears e Paris Hilton aponta é a existência
de um clube novo, o das bad girls - meninas novinhas, ricas, famosas
e admiradas que bebem, sim, consomem drogas, sim, farreiam a noite
toda, sim, saem dos clubes carregadas, sim, e, se alguém
vir, azar. Problema só delas? Nem tanto. Os especialistas
demonstram que o comportamento das celebridades incentiva muitas
adolescentes. As mulheres agora se socializam e bebem como os homens.
As conseqüências dessa mudança de comportamento
logo aparecerão nas estatísticas, como, por exemplo,
no aumento do número de mulheres adultas dependentes do álcool.
Vício que, como já se sabe, costuma ter suas fundações
na juventude.
Coquetel explosivo: viagra com ecstasy
Outra novidade contemporânea relacionada às drogas
sintéticas são as "Sextasys", festas aditivadas
por uma combinação explosiva de duas pílulas:
uma de Viagra e outra de ecstasy. Ingerido sozinho, o ecstasy aumenta
a libido, mas compromete o desempenho sexual masculino. Por ser
uma substância vasoconstritora, a droga impede o aporte de
sangue para o pênis, o que dificulta a ereção.
Ou seja, o consumidor se anima, mas, na "hora H", pode
falhar. Para compensar o indesejável efeito colateral, inventou-se
a mistura de ecstasy com Viagra, o remédio que combate a
impotência. No que se refere aos vasos sangüíneos,
a droga contra a disfunção erétil tem efeito
oposto. Ela dilata as veias e artérias, aumentando o fluxo
de sangue para a região peniana, o que facilita a ereção.
A novidade nasceu entre os gays nova-iorquinos, em meados de 2001,
e virou mania nos Estados Unidos. Não demora, estará
por aqui.
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