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| palestinos_divididos | Os terroristas no poder Como a
vitória do grupo islâmico Hamas nas
O Hamas voltou a ser notícia em todo o mundo nos últimos dias de 2008, e uma má notícia. Em 19 de dezembro, o grupo islâmico rompeu oficialmente a trégua que havia firmado em junho com o governo de Israel e que já vinha desrespeitando havia meses, sempre que disparava foguetes contra o vizinho. Israel teria advertido algumas vezes o grupo para que parasse com os ataques. Vendo seus pedidos negados, partiu para a ofensiva, em 27 de dezembro. Mesmo com a operação israelense, o Hamas não interrompeu o lançamento de foguetes. Israel, então, declarou o fechamento militar da Faixa de Gaza, dois dias depois. O território ficava assim acessível apenas para moradores do território ou para civis com salvo-conduto militar. A pressão subia. No quarto dia de ataques, já se contavam mais de 360 mortos, pelo menos 60 deles civis, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), e 1.700 feridos. A tensão entre árabes e judeus na região vem se intensificando desde que o Hamas obteve uma avassaladora vitória nas eleições legislativas palestinas, em janeiro de 2006. A eleição representou a ruína de muitos alicerces estabelecidos. Sumiu o mapa da estrada, o lentíssimo processo de paz chancelado pelas grandes potências, o protocolo de Oslo, que deu origem à Autoridade Palestina, em 1993, e sumiu também a fórmula criada pela Resolução 242 das Nações Unidas de trocar "terra por paz". Voltou-se à estaca zero. A idéia de que Israel precisa se retirar dos territórios palestinos ocupados na guerra de 1967, abrindo lugar para a criação de um Estado palestino, é um conceito universalmente aceito, ainda que se discutam os detalhes. Como o Hamas tem uma posição bastante radical quanto aos judeus, o Oriente Médio vive namorando o caos. A paz entre os próprios palestinos também ficou ameaçada com a ascensão política do Hamas. Primeiramente, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, da facção política Fatah, cedeu à vontade das urnas e propôs ao Hamas que formassem juntos um governo de coalizão. Depois, contudo, as tensões entre os dois grupos políticos se intensificaram, levando ao rompimento entre as partes e ao cisma palestino, em junho de 2007. Foi quando o Hamas tomou o poder à força em Gaza, após confrontos com tropas israelenses e com militantes do Fatah. Mesmo sem o reconhecimento de Abbas, o líder do Hamas, Ismail Haniya, segue governando a Faixa de Gaza. No território, o Hamas instituiu um governo independente daquele que o Fatah comanda a partir de Ramallah, na Cisjordânia. A área governada pelo Hamas tem 1,5 milhão de habitantes. A do Fatah, 2,6 milhões. Juntas, elas deveriam formar, no futuro, uma só nação palestina. Mas, por enquanto, elas estão encabeçadas por irmãos - ao menos em teoria - que rivalizam entre si. |