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Perfil:
Ariel Sharon
A trajetória do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, pode explicar o ódio que ele é capaz de provocar nos palestinos. Sharon é um militar feito do material que rende tanto os grandes heróis, quanto os piores vilões. Desde 1948, ele esteve em todas as frentes de batalha contra os árabes. Regulares ou clandestinas, elas sempre deixaram grande número de mortos. Em 1982, ele invadiu e bombardeou o Líbano para expulsar Yasser Arafat e os combatentes palestinos. A ação foi uma das mais impiedosas já ocorridas no Oriente Médio, mais de 40.000 pessoas morreram. Sharon tinha controle total sobre a região de Beirute onde seus aliados da falange libanesa - a milícia cristã unida aos invasores israelenses no ódio aos palestinos - cometeram o massacre de Sabra e Chatila. Nos dois campos de refugiados palestinos, os soldados de Sharon chacinaram em três dias cerca de 3.000 pessoas, na grande maioria velhos, mulheres e crianças. Sharon foi destituído do cargo de ministro de Defesa em 1983, depois que um tribunal israelense investigou a operação militar no Líbano. Para muitos políticos, um incidente deste tipo significaria o fim da carreira, mas Ariel Sharon continuou desfrutando da simpatia da direita israelense e ocupou cargos em governos posteriores. O velho militar voltou ao primeiro plano em setembro de 2000, quando, cercado de policiais, fez uma visita à Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, venerada por todos os muçulmanos do mundo. A provocação pretendia marcar posição na própria direita, onde ele disputava espaço com Netanyahu. Acabou desencadeando uma nova onda de violência entre os dois povos, que terminou, ironicamente, com sua eleição para o cargo de primeiro-ministro. A chegada de Sharon ao poder em Israel, em fevereiro de 2001, se deu em meio ao novo recrudescimento do conflito entre israelenses e palestinos, período conhecido pelo nome atribuído ao levante do povo árabe: Segunda Intifada. Desde que chegou ao posto de premier, Sharon não retomou negociações com os palestinos e adotou uma linha dura de reação aos atentados suicidas cada vez mais sangrentos. Pesquisas de opinião mostraram que sua popularidade cresce na mesma proporção do medo e do ódio da população israelense. Como as gestões trabalhistas anteriores também falharam em trazer a paz e a segurança, ganha força a idéia de que Israel não pode recuar nem fazer concessões aos inimigos. No segundo semestre de 2002, no entanto, a coalizão que sustentava o premier ruiu e os trabalhistas deixaram o governo, o que acabou forçando a convocação de eleições antecipadas para fevereiro de 2003. Mesmo envolto em denúncias de corrupção, Sharon e sua política de rígidas retaliações e ampla caça aos terroristas saíram vencedores. Sharon alcançaria ainda outra grande vitória no campo da política ao criar o partido Kadima (avante, em hebraico), em 2005, meses antes das eleições parlamentares. Assim, o ex-militar e então líder nacional deixava o Likud, partido que ajudara a fundar 30 anos antes. A razão da saída foi a polêmica retirada dos colonos judeus da Faixa de Gaza, criticada pelos conservadores. A nova legenda venceria o pleito de 2006, mas Sharon não usufruiria da vitória. Em janeiro de 2006, ele sofreu um derrame cerebral, aos 78 anos. Em alguns dias, o quadro evoluiu para um coma profundo e irreversível. |