![]() |
Perfil:
Ehud Olmert
Durante boa parte de sua carreira, Ariel Sharon foi acompanhado de perto por um aliado fiel, um político de fala dura e direta como ele: Ehud Olmert. Com o afastamento de Sharon devido a um derrame cerebral que o conduziu a um estado vegetativo permanente, no início de 2006, Olmert assumiu as rédeas do governo israelense e tentou transmitir a impressão de continuidade política e administrativa. Mas seria incorreto dizer que Olmert apenas seguiu os passos do mestre Sharon nos assuntos israelenses. No mais sensível deles, a retirada dos colonos judeus da Faixa de Gaza, Olmert foi decisivo, defendendo com unhas e dentes o plano de deixar o território ocupado aos palestinos. Nascido em 1945 em Binyamina, que à época fazia parte do território palestino administrado pela Grã Bretanha, Olmert graduou-se em Jerusalém em Psicologia, Filosofia e Direito. Em Jerusalém, fez carreira de sucesso como advogado. A política veio aos 28 anos, em 1973, ao entrar no Parlamento. Foi eleito para sete mandatos consecutivos. Nos anos seguintes, ocuparia praticamente todos os ministérios, passando pela Saúde, Comunicações, Finanças, Educação e Defesa - o mais delicado deles. Entre 1993 e 2003, foi prefeito por duas vezes de uma das mais simbólicas e problemáticas cidades do mundo: Jerusalém. À frente do governo de Sharon no Parlamento, Olmert não apenas defendeu as idéias do primeiro-ministro como usou sua habilidade para levar a imprensa e a oposição para seu lado. Seu intuito era ganhar a opinião pública e provar que a saída de Gaza era o melhor caminho para a sociedade e a economia israelenses. Certa vez, escreveu a um jornal local que a retirada era a única maneira de Israel manter-se democrático e judeu. Isso porque, segundo os cálculos dele, as altas taxas de natalidade entre os palestinos levaria a população árabe a superar a de judeus. Então, defendeu o futuro primeiro-ministro, era preciso fechar o Estado judeu em seus limites, abrigando o maior número possível de judeus - mas apenas judeus. Em 2005, quando Ariel Sharon anunciou que deixaria o partido Likud para criar o Kadima, Olmert foi o primeiro a segui-lo. Não foi à toa que, assim que Sharon caiu doente, os olhos dos israelenses se voltaram a Olmert, que foi conduzido definitivamente ao cargo de primeiro-ministro. Em suas primeiras ações, aparecem os ecos da administração de Sharon: linha-dura contra o terrorismo e muito pragmatismo nas negociações com os palestinos. A severidade no trato com o terrorismo ficou clara nos mais recentes conflitos na Faixa de Gaza. No final de 2008, Olmert atacou o Hamas, que, do território palestino, não parava de lançar foguetes sobre Israel, quebrando uma trégua assinada em junho do mesmo ano. No episódio do soldado israelense seqüestrado por palestinos em junho de 2006, Olmert determinou o ataque à Faixa de Gaza, com bombardeios e invasão por terra, até a devolução do militar. Já as negociações com a Autoridade Nacional Palestina (ANP), embora não perfeitas, têm dose maior de pragmatismo. |