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Palestinos
divididos: Como a vitória
eleitoral dos radicais causou
O pequeno território da Palestina não se divide apenas entre judeus e muçulmanos, israelenses e palestinos. Na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, os próprios palestinos vivem separados por um abismo de aspirações e ações. Essa situação ficou evidente a partir do início de 2006, com o confronto entre o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro, Ismail Haniyeh. O primeiro é ligado ao grupo nacionalista Fatah, enquanto o segundo tem suporte da facção islâmica Hamas. Além da luta pelo poder, a cisão entre os grupos gira em torno de uma só questão: o reconhecimento do Estado de Israel - o Fatah aceita o Estado judeu; o Hamas, não. Desde a vitória eleitoral do Hamas, em 2006, o presidente e o primeiro-ministro andaram às voltas com a negociação do chamado Documento da Reconciliação Nacional, que lançaria as bases do projeto de paz dos palestinos. Choques nas ruas - Entre outras determinações, o documento previa o fim dos atentados no território israelense e a criação de um Estado palestino nos territórios ocupados em 1967. Pressupunha ainda a aceitação da existência de um vizinho: Israel. Fácil entender por que as negociações entre palestinos empacaram: o Hamas não aceitou o reconhecimento de Israel. O presidente palestino reagiu imediatamente, ameaçando convocar um plebiscito em que a população diria se concordava ou não com as teses do documento. Então, foi a vez do Hamas contra-atacar, dizendo que considerava a consulta popular um golpe de Estado contra o governo eleito nas urnas. A rivalidade doméstica ganhou as ruas. As diversas facções armadas ligadas ao Hamas e ao Fatah passaram a se confrontar violentamente, fora de controle. Dezenas de pessoas morreram. O Parlamento e até o escritório do primeiro-ministro foram incendiados. Então, o presidente Mahmoud Abbas e o primeiro-ministro Ismail Haniyeh voltaram novamente à mesa de negociações. A conversa, porém, seria interrompida, em junho, com nova invasão israelense em Gaza: Israel buscava resgatar um soldado seqüestrado por milicianos palestinos. Em 2007, o Hamas conseguiria tomar o poder da Faixa de Gaza, definitivamente, instituindo um governo paralelo ao que o Fatah coordena na Cisjordânia. Embora não tenha seu governo reconhecido pela outra grande facção palestina, com quem deveria se unir para formar um futuro Estado da Palestina, é o Hamas quem tem o poder de fato de Gaza. Por conta disso, a região foi apelidada de Hamastão. |