José Dirceu Roberto Jefferson José Genoino Paulo Rocha José Nobre Guimarães
         
    
Luiz Gushiken Carlos Rodrigues Delúbio Soares João Paulo Cunha José Borba
         
    
Valdemar Costa Neto Maurício Marinho Silvio Pereira Aldo Rebelo Manoel Severino
         
       
Severino Cavalcanti Duda Mendonça      
 
 
JOSÉ DIRCEU

      Líder da ala Campo Majoritário do PT, foi o grande artífice da eleição de Lula, costurando alianças e moldando a nova imagem do candidato a presidente. Segundo deputado federal mais votado do país em 2002, não assumiu a vaga na Câmara: Lula o colocou na Casa Civil. Dirceu tornou-se o principal ministro do governo. Comandava e seguia de perto tudo o que ocorria no Planalto.
      Acusado por Roberto Jefferson e Marcos Valério de conhecer e integrar o esquema de movimentação de recursos ilegais, deixou a Casa Civil dois dias depois que o rival petebista afirmou: "Rápido, sai daí rápido, Zé!". De volta à Câmara, prometeu ser um defensor do governo. Passou quatro meses tentando conservar seu mandato, mas foi cassado na sessão da câmara de 31 de novembro e ficou sem poder disputar eleição até 2015.

LUIZ GUSHIKEN

      Amigo pessoal do presidente e figura importante de todas as campanhas de Lula - foi o coordenador de três das quatro que ele disputou -, foi nomeado ministro de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica. Além de controlar os contratos publicitários do governo, tratava com outros ministros, fazia indicações para postos de poder estratégico e falava em nome do presidente.
      Citado nas denúncias em função de contratos publicitários e indicações políticas suspeitas, foi rebaixado e deixou o cargo de ministro - só teria escapado da demissão por ser amigo de Lula. Primeiro, o presidente tirou o status de ministro do cargo na Secretaria de Comunicação de Governo. Depois, perdeu poder sobre a área de publicidade, tornando-se apenas assessor de Lula.

VALDEMAR COSTA NETO

      Presidente do PL, o deputado federal viabilizou a aliança com o PT para a eleição presidencial de 2002, abrindo caminho para a eleição de José Alencar à vice-presidência. A inclusão do empresário na chapa diminuiu a rejeição a Lula e foi decisiva para a vitória. Por causa disso, foi um importante interlocutor do governo em seu início, com atuação influente no Congresso.
      Acusado por Roberto Jefferson e pela própria ex-mulher, Maria Christina Caldeira, de receber "mensalão", Costa Neto tornou-se o primeiro parlamentar a renunciar ao mandato em função do escândalo. Como reconhece ter recebido dinheiro do PT ilegalmente, terá de responder à Justiça Eleitoral. Mantido na presidência do PL, tornou-se um obstáculo à repetição da aliança com o PT.

JOSÉ GENOINO

      Deputado federal de grande prestígio, foi escolhido pelo PT para disputar o governo de São Paulo. Perdeu, mas teve desempenho elogiado pela cúpula petista, que o colocou na presidência do partido. Chefiando a legenda que detinha o poder no Executivo e a maioria no Legislativo, tornou-se um importante porta-voz do governo, rebatendo as críticas da oposição e defendendo Lula.
      Acusado por Roberto Jefferson e Marcos Valério de conhecer e integrar o esquema de movimentação de recursos ilegais, teve de renunciar ao cargo. Passou pelo constrangimento de ter o irmão citado no caso dos dólares na cueca. Deixou a presidência do PT em meio à pior crise do partido. Disse que voltaria à rotina de "simples cidadão" e pediu sua aposentadoria como deputado.

DELÚBIO SOARES

      Tesoureiro responsável por transformar o PT num dos partidos mais ricos do país, controlou os cofres da campanha vitoriosa de Lula à presidência. Com o PT no poder, tinha livre acesso em Brasília e circulava com desenvoltura pelo Planalto. Chegou a integrar a comitiva de Lula em viagem ao exterior, pedir verbas para sua cidade natal e participar de reuniões em ministério.
      Acusado por Roberto Jefferson de operar o "mensalão" junto com Marcos Valério, pediu afastamento do cargo de tesoureiro do PT no início de julho. Um mês depois, se licenciou do partido. Como assumiu sozinho a responsabilidade pelos empréstimos obtidos com Marcos Valério, deve ter de responder criminalmente por dívidas milionárias contraídas em nome do partido em 2003 e 2004. Foi expulso do PT no dia 23 de outubro.

SILVIO PEREIRA

      Secretário-geral do PT nacional, tinha trânsito livre no Palácio do Planalto, apesar de não ter sido eleito para nenhum cargo e de não ocupar função formal dentro do governo federal. Segundo relatos, tinha até uma sala reservada dentro da Casa Civil. Tinha enorme influência na distribuição de cargos. Participava até das negociações com deputados e senadores da base aliada.
      Acusado por Roberto Jefferson de ajudar a operar o esquema do mensalão, se afastou da secretaria-geral petista. Depois, em função de outra denúncia, pediu sua desfiliação do partido. Uma reportagem da Rede Globo, revelou que Pereira ganhou um jipão de mais de 70.000 reais de presente da empresa baiana GDK, que venceu cinco licitações para prestar um serviço à Petrobras.

PAULO ROCHA

      Deputado federal eleito pelo Pará, o petista era o líder da bancada de seu partido na Câmara dos Deputados. Muito próximo do ministro da Casa Civil, era o preferido de José Dirceu para assumir o cargo de ministro da Coordenação Política - Lula, no entanto, escolheu Aldo Rebelo. Por ter influência no partido, Rocha participou de indicações para cargos no governo.
      Acusado por Marcos Valério de ser um dos beneficiários dos saques feitos das contas de suas empresas, Rocha pediu licença da liderança da bancada petista na Câmara. Segundo ele, a saída era temporária, para "evitar constrangimentos" enquanto ele se explica. Mas as contradições em suas versões sobre o caso devem impedir o retorno. Sua assessora teria sacado 920.000 reais. Renunciou em 17 de outubro.

JOÃO PAULO CUNHA

      Deputado federal eleito por São Paulo, o petista João Paulo Cunha foi eleito presidente da Câmara dos Deputados no início do governo Lula. No período em que presidiu a Casa, João Paulo comandou as votações que aprovaram reformas prioritárias de Lula. Prestigiado, tentou até mudar as regras do Congresso para ser reeleito. Era cotado para concorrer a governador de SP em 2006.
      Além do constrangimento de ter presidido a Casa na época do suposto pagamento do mensalão aos deputados (e de não ter feito avançar a investigação do caso quando surgiu a primeira denúncia), foi citado na lista de sacadores de contas de Valério. Foi pego em contradição e, segundo interlocutores, quase renunciou. Ficou enfraquecido no PT e não deve mais disputar o governo.

ALDO REBELO

      Deputado federal eleito por São Paulo, era o líder do governo na Câmara, ajudando o Palácio do Planalto a obter votos para as reformas prioritárias do início do governo Lula. No início de 2004, foi convocado por Lula, que o considera um "amigo", para assumir uma nova pasta, da Coordenação Política. O cargo era estratégico: Rebelo comandaria as articulações com o Congresso.
      O ministro não foi citado nas denúncias, mas o escândalo foi o golpe que faltava para provocar sua demissão do cargo. Rebelo já vinha sendo criticado pela ineficácia no comando da base aliada, e as acusações de corrupção contra parlamentares ligados ao governo minaram sua imagem de vez. Lula ainda cogitou dar outro ministério a ele; não conseguiu, e Rebelo voltou à Câmara. Foi eleito presidente da Casa depois da renúncia de Severino Cavalcanti.

JOSÉ NOBRE GUIMARÃES

      Irmão do dirigente petista José Genoino, o advogado cearense José Nobre Guimarães foi presidente estadual do PT em seu estado e trabalhou como coordenador regional da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 1998. Líder do PT na Assembléia Legislativa do Ceará, era representante e principal interlocutor da ala petista Campo Majoritário dentro da direção estadual.
      Foi pressionado a se licenciar da liderança da bancada petista na Assembléia Legislativa cearense depois que um assessor, José Adalberto Vieira da Silva, foi detido em flagrante pela Polícia Federal num aeroporto de São Paulo. Vieira da Silva carregava 100.000 dólares escondidos na cueca e mais 200.000 reais. Guimarães nega participação no episódio. O Conselho de Ética da Assembléia do Ceará pediu sua cassação, que deve ser votada em plenário no início do ano.

JOSÉ BORBA

      Deputado federal eleito pelo Paraná, ocupava a liderança do PMDB na Câmara dos Deputados. À frente de uma das maiores e mais importantes bancadas da Casa, tinha papel destacado na interlocução com o governo, participando pessoalmente de reuniões com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e discutindo nomeações para cargos dentro do governo federal e nas empresas estatais.
      Acusado por Marcos Valério, Fernanda Karina e Simone Vasconcelos de participar dos saques no Banco Rural em Brasília, figurou na lista com 2,1 milhões de reais. Tornou-se o primeiro integrante do PMDB citado no escândalo. Foi afastado da liderança do partido na Câmara dos Deputados após afirmar, em nota, que Marcos Valério discutia indicações para cargos públicos federais. Renunciou em 17 de outubro.

MANOEL SEVERINO

      Militante e fundador do PT no Rio de Janeiro, era presidente da Casa da Moeda, autarquia subordinada ao Ministério da Fazenda responsável pela fabricação das cédulas e moedas que circulam no país. Foi o secretário estadual de Articulação no governo de Benedita da Silva. Era ligado ao ex-secretário petista Marcelo Sereno e amigo do ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz.
      Após admitir que se reuniu com Marcos Valério em sete ocasiões desde 2003, Manoel Severino dos Santos apareceu nas listas dos sacadores das contas do publicitário - recebeu 2,676 milhões de reais entre agosto de 2003 e julho de 2004. Na CPI do Mensalão disse ter recebido apenas 100.000 reais, depois de recorrer a Delúbio Soares para "acertar" as contas da campanha de Benedita da Silva ao governo do Rio. Em acareação, Marcos Valério confirmou ter repassado os 2,6 milhões de reais para o PT do Rio e que Manoel Severino era o "contato". Severino nega.

ROBERTO JEFFERSON

      Deputado federal com 23 anos de atuação na Câmara e presidente do PTB, comandou a aproximação entre seu partido e o PT depois da derrota de seu candidato à Presidência, Ciro Gomes, em 2002. Ao lado da bancada petebista, integrou a base aliada a Lula, tornando-se interlocutor do próprio presidente. Lula dizia confiar em Jefferson, nome sempre atuante na articulação do bloco.
      Citado na denúncia de corrupção nos Correios, Jefferson resolveu partir para a ofensiva, revelando o esquema do mensalão. Ele apontou os nomes dos supostos beneficiários, envolveu pela primeira vez o publicitário Marcos Valério e provocou a queda de José Dirceu. Em 14 de setembro, teve seu mandato cassado por quebra de decoro, pois confessara ter cometido irregularidades. Voltou a exercer a ocupação de advogado.

CARLOS RODRIGUES

      Deputado federal eleito pelo PL no Rio de Janeiro, o antigo bispo da Igreja Universal do Reino de Deus teve posição destacada na bancada do partido, parte integrante da base aliada ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Rodrigues atuou na defesa dos projetos de interesse do governo na Casa, ajudando a votar reformas importantes e matérias prioritárias para Lula.
      Acusado pelo deputado Roberto Jefferson de ser um dos beneficiários do esquema de pagamento de mensalão, Carlos Rodrigues foi alvo de um pedido de abertura de processo no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar. Antes que o processo fosse aberto, renunciou ao mandato de deputado para escapar da cassação. Com isso, poderá ser candidato na eleição do ano que vem.

MAURÍCIO MARINHO

      Chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios, Maurício Marinho, funcionário de carreira que entrara na estatal através de concurso público, negociava acordos paralelos com os fornecedores em nome do PTB, o partido do ex-deputado Roberto Jefferson. Ele trabalhava na empresa havia 28 anos e tinha amplo conhecimento dos bastidores da estatal.
      Flagrado na fita que desencadeou a maior crise política dos últimos anos, Maurício Marinho foi demitido, por justa causa, no início de setembro. A decisão foi anunciada depois que o Departamento Jurídico e a Comissão de Sindicância Interna concluíram que o acusado cometeu "várias faltas comportamentais". Foi indiciado por corrupção.

SEVERINO CAVALCANTI

      O ex-deputado nasceu em João Alfredo (PE), cidade da qual foi prefeito de 1964 a 1966 pela UDN. Passou pela Arena, PDS, PDC, PL, PPR, PFL e PPB (que mudou para PP). Foi eleito presidente da Câmara em candidatura independente, na qual prometia elevar o salário dos deputados. Fez parte da mesa diretora da Casa por oito anos.
      Em reportagem de VEJA, o empresário Sebastião Buani contou que fazia pagamento de propina a Severino, na época em que ele era primeiro-secretário da Casa. Ele afirmou que, em troca da exploração de restaurantes, entregou ao deputado entre 110.000 reais e 120.000 reais até 2003, no chamado “mensalinho”. Severino renunciou à presidência da Casa e ao mandato em 21 de setembro e pode concorrer nas próximas eleições.

DUDA MENDONÇA

      O publicitário foi responsável pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 e até agosto de 2005 cuidava da imagem do presidente e ajudava em seus pronunciamentos. Em depoimento à CPI dos Corrreios confessou que recebeu dinheiro do PT no exterior, através do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza. Chegou a ser preso por participar de briga de galo.
      Trabalhou com Paulo Maluf na campanha de 1998 e é citado pelo MP no processo de enriquecimento ilícito do ex-prefeito, também por receber dinheiro de caixa 2 no exterior. No dia 18 de agosto não teve renovado o contrato com o governo – só uma de suas agências, a Duda Mendonça & Associados, com a Secretaria de Comunicação de Governo (Secom), tinha orçamento de 150 milhões de reais por ano. É citado em inquéritos na Polícia Federal.