Apertem os cintos: a hora
é de vôos curtos em férias

Por Maria Carolina Maia

Prudência e dinheiro no bolso não fazem mal a ninguém. O velho ditado está em alta nestes tempos de baixa no mercado, e o turista não escapa de ouvi-lo. Apesar da crise ainda não ter se instalado de forma mais grave no país, analistas e até representantes do setor recomendam uma mudança de rota para o viajante brasileiro. Com o dólar caro e a necessidade de ter cautela nos gastos, quem programava uma viagem ao exterior faz bem em circular dentro do país.

“Este final de ano é pouquíssimo recomendado para a compra de pacotes internacionais, inclusive porque quando se viaja ao exterior é preciso levar dólares”, disse o analista de contas externas da consultoria Tendências, André Sacconato, em entrevista a VEJA.com. “A instabilidade vai continuar, o Banco Central não está agindo de maneira direta no câmbio, e num momento desses o mercado é nervoso ao extremo. É melhor investir numa viagem interna agora e deixar a externa para mais tarde.”

Liao Yu Chieh, professor de finanças do Ibmec São Paulo, concorda com Sacconato, mas lembra que há aqueles que, como ele próprio, adquiriram pacotes internacionais antes da crise. O cuidado, então, recai sobre as despesas da viagem. “É bom evitar gastos no cartão de crédito, para ter um melhor controle do que se investe na viagem. Melhor é comprar cheque de viagem ou dólares e, neste caso, fazer a compra em partes, um pouco por mês ou por dia, para mitigar riscos ligados à oscilação cambial.”

Quem ainda não comprou passagem mas precisa deixar o país deve partir para o parcelamento. O número de prestações, segundo o analista André Sacconato, depende da taxa de juros. “Se a taxa for muito baixa ou nula, o recomendado é dividir o maior número de vezes possível, porque a tendência do dólar é cair e estacionar num patamar menor do que o atual”, explica ele. “Doze vezes é uma boa pedida.” Se o pagamento for feito em reais e houver desconto à vista, o melhor é não parcelar.

Depois do Carnaval - No caso dos que não querem abrir mão de se aventurar além da fronteira num futuro breve, o ideal é esperar até o começo de 2009 para adquirir um pacote. Nas previsões da Tendências, em janeiro o pânico do mercado terá se dissipado e o dólar estará de volta a um nível mais realista, em torno de 2 reais, sem grandes oscilações. Hoje, o dólar tem variado bastante e atingido com freqüência valores como 2,30 reais. “Deixar para adquirir o pacote depois do Carnaval é melhor ainda, porque aí o consumidor une um câmbio mais favorável à baixa sazonal da demanda turística”, recomenda.

Outra solução para gastar pouco e não deixar de viajar é conhecer os destinos do próprio país. De acordo com o presidente nacional da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), Carlos Alberto Ferreira, esse movimento de troca de destinos já está acontecendo. "Viajar ao exterior ficou caro e o Brasil voltou a ser um destino procurado pelo próprio brasileiro.” A previsão da Abav é de que, apesar da crise, a venda de pacotes internacionais cresça 15% neste ano em relação a 2007, e que a de pacotes nacionais, 25%. A estimativa, porém, se inverteu: antes, estimava-se uma expansão de 25% nos pacotes internacionais e de 15% nos nacionais.