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Em meio ŕ crise, melhor é
comprar carro novo ŕ vista
Por André Pontes
A
crise financeira internacional fez as vendas de carros novos caírem
no mundo todo. No mês de outubro, a redução
nas vendas de automóveis no Brasil foi de 2,1% em relação
a outubro do ano passado e de 11% em relação a setembro
deste ano (veja quadro abaixo). Foi a maior queda entre meses desde
2003, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes
de Veículos Automotores (Anfavea). O corte é reflexo,
principalmente, da restrição de crédito ao
consumidor. Por isso, o melhor hoje é comprar um carro novo
à vista, avaliam analistas consultados por VEJA.com.
Para o economista Evaldo Alves, professor de
Finanças da Faculdade Getúlio Vargas (FGV), o automóvel,
por ser um produto caro, é o primeiro item a ser cortado
quando se está no meio de uma crise como a atual. "Em
termos práticos, o consumidor adia a compra", explica
ele. Esse adiamento no consumo é de médio a longo
prazo, ou seja, quem pretendia comprar agora deixa o negócio
para o ano que vem.
Com os financiamentos em baixa, leva vantagem
quem pode pagar à vista. Os descontos sobre o preço
cheio das montadoras estão cada vez mais apetitosos. Para
não deixar os pátios e concessionárias cheios
de carros, vale todo tipo de negociação. "Quem
tiver dinheiro faz um bom negócio se pagar à vista.
A prazo, o consumidor vai ter dificuldade para conseguir o crédito,
e, se conseguir, vai pagar juros absurdos", afirmou Alves.
Setor sensível - O professor destaca
ainda que o Brasil tem três mercados para a venda de automóveis.
O primeiro é das compras à vista, considerado pequeno.
O segundo é o dos consórcios, também pequeno.
E o terceiro, que corresponde à maior fatia de todos, é
o mercado de compra a prazo. Para o professor Marcos Amatucci, diretor
nacional do curso de Administração da ESPM, o problema
da venda de automóveis no Brasil é justamente o financiamento,
em função de taxas de juros mais elevadas e da exigência
de entrada com valor maior.
"É um setor bastante sensível
às flutuações de taxas de juros e prazos. A
crise financeira atingiu o crédito e agora resta ao governo
aumentar o volume disponível para a compra", afirmou
Amatucci em entrevista a VEJA.com. O governo já tomou medidas
para remediar o problema e injetou cerca de 8 bilhões de
reais no setor, sendo 4 bilhões liberados pelo Banco do Brasil
e o restante pela Nossa Caixa, em São Paulo.
Pague dois, leve um - Amatucci concorda com
Alves em relação às compras à vista
e lembra que o consumidor que paga uma taxa de 2% ao mês em
um financiamento de 60 meses "o que vem se tornando corriqueiro"
vai acabar pagando dois carros no final. "Não deixe
jamais de comparar as taxas de juros, porque existe uma diferença
muito grande. Uma taxa de 0,6% ao mês durante 48 meses corresponde
ao valor de metade do carro. É preciso prestar atenção
nisso", alertou o professor da ESPM.
Uma receita para o consumidor, segundo Amatucci,
é não contrair nenhuma dívida neste momento.
O que isso significa? Comprar carro só se for possível
pagar à vista. "Se você tiver de financiar, espere
mais três meses, porque os preços devem cair em fevereiro",
prevê ele. Amatucci dá mais uma sugestão a quem
pensa em trocar de automóvel. "Na hora de comprar, compare
as taxas oferecidas na concessionária com as do seu próprio
banco. Se você tem um bom relacionamento com o gerente, poderá
conseguir condições especiais, com juros abaixo do
mercado.
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