O HOMEM-BOMBA
Roberto Jefferson,
deputado e presidente
licenciado do PTB
O deputado federal foi citado por Marinho na fita como seu superior no esquema de corrupção. Em outra reportagem de VEJA, foi envolvido em nova denúncia de irregularidade na máquina pública, desta vez no IRB. Acuado pelas acusações, resolveu falar: em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, denunciou o pagamento de um mensalão aos deputados que ajudassem o governo na Câmara.
O que diz
Nega ter chefiadou ou participado de esquemas de corrupção nos Correios e no IRB. Sobre o mensalão, diz não ter envolvimento no caso, mas admite o recebimento de doações milionárias do PT para financiar as campanhas eleitorais de seu partido.
O CORRUPTO
Maurício Marinho,
ex-funcionário dos Correios
Como chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material da ECT, Marinho foi flagrado em fita revelada por VEJA aceitando propina de um empresário. O funcionário dizia representar o PTB na estatal e garantia ter relação estreita com o presidente do partido, deputado Roberto Jefferson. A divulgação da gravação detonou a maior crise política do governo Lula.
O que diz
Em entrevista a VEJA, Marinho desmentiu atuar a mando de Jefferson. Na CPI aberta para apurar o caso, Marinho negou ter recebido propina, mas admitiu a existência de contratos e negociações irregulares em diversos setores dos Correios.
O DIRETOR
Antonio Osório Batista,
diretor afastado dos Correios
Ex-deputado do PTB da Bahia, Osório chegou ao cargo de diretoria nos Correios por indicação de Roberto Jefferson e indicou Marinho para o posto de chefia. Na conversa revelada por VEJA, Marinho conta que Osório, um assessor e ele próprio integram um grupo encarregado do esquema ilegal. A citação de seu nome na fita fez o ministro das Comunicações afastá-lo do cargo.
O que diz
Não comenta as acusações de corrupção. Sobre Marinho, afastado por ele na semana anterior à denúncia de VEJA, diz: "Ele é um profissional competente, com currículo espetacular". O afastamento de Marinho, afirma, foi por causa de problemas de saúde.
O ECONOMISTA
Lídio Duarte,
ex-presidente do IRB
Duarte era funcionário de carreira da estatal, mas pediu demissão do cargo de presidente por causa da forte pressão a que era submetido para que entregasse uma mesada de 400.000 reais ao PTB. Antes de deixar o cargo, contou a um graduado servidor os problemas que vinha enfrentando por se negar a produzir a mesada de 400.000 reais via operações administrativas irregulares.
O que diz
Em depoimento à Polícia Federal, negou ter sido pressionado a dar mesada ao PTB e até que tenha concedido entrevista a VEJA a respeito do tema - apesar de a entrevista ter sido gravada. Sobre a saída do IRB, diz que o motivo foram problemas políticos.
O CORRETOR
Henrique Brandão,
da seguradora Assurê
Em função da ligação estreita com o deputado Roberto Jefferson, o corretor conquistou influência invejável no governo, com estatais fazendo de tudo - até violando normas técnicas - para entregar os seguros nas mãos dele. No IRB, os privilégios do corretor agigantaram-se. Brandão é acusado de tentar arrancar de Lidio Duarte a mesada de 400.000 reais ao PTB de Jefferson.
O que diz
Brandão não nega ter envolvimento com Roberto Jefferson mas garante que jamais cobrou a mesada de Duarte no IRB. "Nunca fiz isso na vida. Sou amigo pessoal do Roberto Jefferson, me relaciono com todos os partidos, mas minha vida é vender seguros."
O EX-MINISTRO
José Dirceu,
ex-chefe da Casa Civil
e deputado do PT
A denúncia sobre o mensalão derrubou o principal auxiliar de Lula 50 horas depois da fala de Roberto Jefferson à comissão de sindicância da Câmara. Segundo Jefferson, Dirceu não apenas sabia do esquema como também o comandava. Além disso, Dirceu está na mira por ter coordenado o loteamento de cargos entre os partidos aliados ao governo - inclusive para a presidência do IRB.
O que diz
Dirceu desmente participação em qualquer episódio de corrupção. Atribui as denúncias à tentativa "da oposição e das elites do país" de desestabilizar o governo. Ao deixar a Casa Civil, disse ter "as mãos limpas" e prometeu defender o governo e o PT.
OS ACUSADOS
Valdemar Costa Neto,
ex-deputado federal,
Bispo Rodrigues e
Pedro Henry,

deputados federais
De acordo com o depoimento de Roberto Jefferson na comissão de sindicância da Câmara, o dinheiro correspondente às mesadas de parlamentares da base aliada era entregue pelo tesoureiro do PT, Delúbio Soares, a líderes ou presidentes dos partidos. Costa Neto e Rodrigues, ambos do PL, e Henry, do PP, recebiam os "pacotinhos" e distribuíam nas suas bancadas, relatou Jefferson.
O que dizem
Todos negam as acusações. Dizem não ter envolvimento ou sequer conhecimento do mensalão. Também defendem seus partidos, dizendo que as bancadas não recebem dinheiro para apoiar o governo Lula nas votações do Congresso. Costa Neto renunciou ao admitir que recebeu dinheiro - mas, segundo ele, só para campanhas eleitorais.
O DONO DA 'PENSÃO'
José Janene,
deputado do PP
Acusado por Jefferson de ser um dos beneficiários do mensalão, Janene não seria apenas um dos deputados pagos pelo esquema - segundo o deputado do PTB, o parlamentar pepista também ajudava Marcos Valério a distribuir o dinheiro. O ex-tesoureiro do PP afirma ter ouvido comentários indicando que a entrega do mensalão ocorria no apartamento de Janene, conhecido como "pensão".
O que diz
José Janene nega ter embolsado o mensalão, diz que não tem envolvimento algum na entrega do dinheiro e desmente o uso de seu apartamento para a distribuição dos "pacotinhos" aos parlamentares. Ele abriu pedido de queixa-crime no STF contra Jefferson.
A DEPUTADA
Raquel Teixeira,
deputada licenciada do PSDB e secretária de Estado de Goiás
Antes de se afastar da Câmara para integrar o governo de seu Estado, a parlamentar tucana teria recebido uma oferta de 30.000 reais por mês mais luvas de 1 milhão de reais por ano para mudar de partido e entrar na base aliada ao governo Lula. Segundo o relato, a oferta foi feita pelo deputado Sandro Mabel, líder do PL, que nega a acusação. Raquel Teixeira rejeitou a oferta.
O que diz
Em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara, ela confirmou oficialmente que ouviu a proposta. A deputada afirma ter relatado o caso ao governador de Goiás, Marconi Perillo, e diz não ter feito denúncia porque não tinha provas nem testemunhas da oferta.
O PROPONENTE
Sandro Mabel,
deputado do PL
Líder de seu partido na Câmara, Mabel é acusado por Raquel Teixeira de oferecer 30.000 reais por mês mais luvas de 1 milhão de reais por ano para que a tucana mudasse de partido e entrasse na base aliada ao governo Lula. É autor de uma representação na Corregedoria da Casa por quebra de decoro parlamentar contra a autora da denúncia, que, de acordo com ele, está mentindo.
O que diz
Em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara na investigação do mensalão, Mabel reconheceu ter convidado Raquel Teixeira a fazer parte de seu partido. Garante, no entanto, que não pagaria por sua mudança: "Fiz o convite, mas não ofereci dinheiro".
A EX-MULHER
Maria Christina Mendes Caldeira,
publicitária e socialite
Separada do presidente do PL, deputado Valdemar Costa Neto, Maria Christina reforçou as suspeitas em torno da atuação de seu marido no suposto esquema do mensalão, garantindo que seu ex-marido é "amigo próximo" do tesoureiro do PT Delúbio Soares, que é acusado por Roberto Jefferson de ser o coordenador da distribuição de dinheiro aos parlamentares da base aliada na Câmara.
O que diz
Ao relatar detalhes da relação entre o ex-marido e o tesoureiro do PT, ela afirmou que Costa Neto embolsou parte de uma doação do governo de Taiwan para a campanha de Lula para presidente, e que o deputado usa dinheiro do PL para fins pessoais. Ele nega.
O GOVERNADOR
Marconi Perillo,
governador de Goiás
Ouviu da deputada Raquel Teixeira, integrante de seu partido e de sua equipe de governo em Goiás, o relato sobre a proposta de mesada.
O que diz
Perillo conta ter repassado o relato ao presidente Lula durante uma visita do presidente a Rio Verde (GO). A resposta de Lula teria sido: "Isso foi algo que o Sérgio Motta (ministro das Comunicações no governo Fernando Henrique Cardoso) introduziu".
A SECRETÁRIA
Fernanda Karina Sommagio,
ex-secretária de Marcos Valério
Suas entrevistas revelaram detalhes da ligação entre seu ex-chefe e integrantes da cúpula do PT e do transporte de malas com dinheiro retirado do Banco Rural e Banco do Brasil. Segundo ela, os pacotes saíam do escritório de Valério rumo a Brasília, onde deveriam ser distribuídos. A ex-secretária também saberia de casos de corrupção envolvendo contratos de Valério com o governo federal.
O que diz
Ao prestar depoimento à Polícia Federal, Fernanda chegou a desmentir suas declarações. Depois, mudou de posição outra vez e disse que só tinha recuado das denúncias porque sofrera ameaças. Afirma temer retaliações pelas denúncias contra o ex-chefe. Na CPI, repetiu seu último depoimento.
OS MINISTROS
Walfrido Mares Guia,
Ciro Gomes,
Miro Teixeira
Roberto Jefferson afirma ter procurado os ministros do Turismo, Integração Nacional e Comunicações, pela ordem, para tentar denunciar o caso e levá-lo ao presidente. José Dirceu (Casa Civil), Aldo Rebelo (Coordenação Política), e Antonio Palocci (Fazenda) também teriam ouvido de Roberto Jefferson os relatos sobre o suposto pagamento de mesadas aos parlamentares.
O que dizem
Walfrido, Ciro e Miro confirmaram ter ouvido a denúncia sobre o mensalão em conversas com Roberto Jefferson. Afirmam, porém, que não denunciaram o caso publicamente ou levaram a informação a Lula por falta de provas. Palocci nega ter sido informado.
O TESOUREIRO
Delúbio Soares,
ex-tesoureiro do PT
Centro do esquema denunciado por Jefferson, Delúbio seria o responsável por reunir o dinheiro do mensalão e distribui-lo aos parlamentares dos partidos aliados. Segundo o deputado do PTB, o tesoureiro, auxiliado por Marcos Valério, desembarcava com o dinheiro em Brasília e se dirigia à residência dos líderes e presidentes de partidos para fazer a distribuição do mensalão.
O que diz
Afirmou que estava sendo "caluniado e massacrado" sobre o mensalão, mas não acusou Jefferson de ser um mentiroso. Depois, admitiu em entrevista ter organizado um esquema de caixa de campanha com "dinheiro não-contabilizado" vindo deempréstimos feitos por Marcos Valério. Isenta a direção do PT e diz que agiu sozinho.
O SUBSTITUTO
Luiz Appolonio Neto,
ex-presidente do IRB
O sucessor de Lídio Duarte na presidência do instituto afirma ser apadrinhado pelo ex-governador Luiz Antonio Fleury e pelo deputado Roberto Jefferson. Como o antecessor saiu do cargo reclamando da pressão para entregar uma mesada de 400.000 reais ao PTB, restam as dúvidas: o pagamento continuou sob sua gestão? Ele foi capaz de resistir à pressão, já que é ligado ao PTB?
O que diz
Appolonio não falou sobre o pagamento da mesada. Só rebateu uma acusação de irregularidade no IRB relatada numa sindicância interna da estatal. O relatório diz que o ex-presidente do IRB é suspeito de irregularidade num pagamento de indenização.
O SUPERIOR
Antonio Palocci,
ministro da Fazenda
Como o IRB é de responsabilidade de sua pasta, Palocci era o superior direto de Lídio Duarte quando o ex-presidente do órgão pediu demissão. Como a justificativa oficial para a saída foi uma discordância política em relação à condução do IRB, não se sabe se Palocci ouvira ou não relatos de corrupção. Foi confirmado que o ministro se reuniu com Jefferson e Brandão em 2004.
O que diz
Os assessores do ministro desmentem que ele tenha conhecimento de casos de cobrança de propina no IRB. Informam ainda que o ministro da Fazenda se encontrou com o corretor Henrique Brandão apenas uma vez, em reunião pedida por Roberto Jefferson.
O OPERADOR
Silvio Pereira,
ex-secretário-geral do PT
Jefferson acusa o secretário, conhecido em Brasília como Silvinho, de ser, junto com Delúbio, responsável pela administração do mensalão. Com trânsito livre no Planalto - apesar de não ter sido eleito para nenhum cargo e de não ocupar função dentro do governo federal -, tem enorme influência na distribuição de cargos. Junto de Dirceu, ofereceu a presidência do IRB ao PTB.
O que diz
Nega o envolvimento com o esquema do mensalão. Silvio Pereira confirma ter se reunido com Marcos Valério, mas para tratar de "peças de publicidade para a campanha municipal de 2004", e não de qualquer esquema de distribuição de dinheiro a deputados.
O HOMEM DA MALA
Marcos Valério
Fernandes de Souza,

publicitário
Acusado de ser o encarregado do pagamento do mensalão aos deputados que participavam do esquema e de emprestar dinheiro ilegalmente ao PT. Valério é suspeito de sacar o dinheiro, depositado nas contas de suas agências, e levá-lo a Brasília em malas para a distribuição aos líderes de partidos aliados. Marcos Valério é sócio das agências SMP&B Comunicação e a DNA Propaganda, que têm cinco contas do governo federal.
O que diz
O publicitário nega as acusações sobre o mensalão e afirma que "nunca fez entrega" de dinheiro aos parlamentares em nome do PT. Sobre os empréstimos, porém, ele admite ter atendido um pedido de Delúbio para alimentar o caixa de campanha do PT. Não diz o que recebia em troca da ajuda ao partido.
O ESCUDO
José Genoino,
ex-presidente do PT
O ex-deputado é acusado por Roberto Jefferson de conhecer e aprovar o esquema do mensalão. Também teria acertado com o PTB a doação de 4 milhões de reais para campanhas do partido de Jefferson. Presidente do PT desde o início do governo Lula, teria conhecimento de detalhes da distribuição de cargos a aliados, inclusive nos Correios. No partido, defende Silvio e Delúbio.
O que diz
Genoino negou diversas vezes a existência do mensalão. Sobre os Correios, afirma que não há participação direta do PT e diz que a oposição usa o caso indevidamente para atrapalhar o governo. Ao falar tenta desvincular a cúpula petista das denúncias.
O CONFIDENTE
Luiz Gushiken,
secretário da Comunicação de Governo e Gestão Estratégica
Ao lado de Palocci, o ministro ocupa o lugar de principal interlocutor de Lula. Desta forma, poderia dizer até que ponto o presidente sabia do suposto esquema do mensalão. Nos Correios, ele é alvo de uma suspeita mais direta: em sua gestão, a Secom mudou as regras de concorrência para um contrato de publicidade na estatal. Uma agência de Valério se beneficiou da mudança.
O que diz
Gushiken não falou sobre o caso.
O MANDANTE
Arthur Wascheck Neto,
empresário
Um dos donos da empresa Comam, que fornecia material para a área de informática dos Correios. Ele contratou o bacharel em direito Joel Santos Filho para gravar em vídeo a entrega da propina a Maurício Marinho. Segundo o depoimento de Wascheck à CPI dos Correios, a fita foi gravada porque ele suspeitava que "algo andava errado" nas licitações realizadas sob Marinho.
O que diz
O empresário desmentiu qualquer intenção política com a gravação, dizendo que não pretendia fazer uma denúncia ou iniciar uma crise. Negou também o envolvimento da Abin na gravação e a acusação de fazer a fita para tentar extorquir Antônio Osório.
O LÍDER DO GOVERNO
Fernando Bezerra,
senador do PTB
Líder do governo Lula no Congresso, Bezerra tentou e não conseguiu nomear Ezequiel Ferreira de Souza, seu afilhado político, para a Diretoria de Tecnologia dos Correios. A indicação tinha sido sugerida por Silvio Pereira, secretário-geral do PT, mas a escolha foi barrada. Bezerra recebeu uma carta anônima explicando o motivo do veto: haveria um esquema ilegal naquela vaga.
O que diz
Em depoimento a VEJA, o senador do PTB disse ter procurado José Dirceu para saber o motivo do veto da Casa Civil à indicação de Ezequiel. Não obteve resposta. Assinou o requerimento da CPI dos Correios porque diz desejar ver o episódio esclarecido.
O LÍDER DO PMDB
José Borba
O então líder do PMDB na Câmara, José Borba (PR), também foi citado pela ex-secretária de Valério como muito próximo do ex-chefe. Eles sef alariam semanalmente e teriam estado juntos em Brasília pelo menos "umas quatro vezes".
O que diz
Divulgou uma nota dizendo que "nunca recebi do senhor Marcos Valério qualquer numerário ou recursos financeiros". E esclareceu que seu "relacionamento com líderes do PT, integrantes de sua Executiva Nacional e o sr. Marcos Valério sempre foi delimitado pela tratativa da ocupação de cargos". No mesmo dia também pediu afastamento do cargo.
O PROCURADOR
Glênio Guedes,
analista Conselho de Recursos do Sistema Financeiro

Citado pela ex-secretária de Valério, Guedes teria suas contas de celular pagas pela SMP&B, agência do acusado de operar o mensalão, além de passagens aéreas e diárias em hotéis. Segundo relatório do Coaf, o procurador recebeu duas transferências de dinheiro de Valério, uma de 782.000 reais e outra de 120.000 reais, no fim de 2003. Sua função no Conselho de Recursos do Sistema Financeiro, órgão do Ministério da Fazenda, era fazer pareceres sobre recursos de instituições financeiras contra punições impostas pelo Banco Central, pela Comissão de Valores Imobiliários ou pela Secretaria de Comércio Exterior.

O que diz
Afastado das suas funções, disse que não comenta o assunto e alega que reembolsava as passagens pagas por Valério.
Marcelo Sereno,
ex-secretário de Comunicação do PT
Faz parte do grupo acusado por Jefferson de coordenar o mensalão. Foi assessor especial de José Dirceu na Casa Civil e caiu depois do escândalo Waldomiro Diniz, acusado de saber de tudo e nada fazer. Virou secretário de comunicação social do partido por indicação de Dirceu.
O que diz
Também pediu afastamento da função, diz que ‘será mais útil ao partido na militância", e nega todas as acusações.
A 'DONA DE CASA'
Renilda Maria Santiago Fernandes de Souza,
mulher e sócia de Marcos Valério
Por ser co-proprietária das empresas de publicidade envolvidas no escândalo, poderá ser responsabilizada junto do marido por fazer empréstimos suspeitos ao Partido dos Trabalhadores através do Banco Rural e BMG. Esse possível envolvimento ganha força diante da existência de documentos e cheques das contas bancárias citadas no escândalo com a assinatura de Renilda Santiago.
O que diz
Ao prestar depoimento à CPI, disse que não tinha nenhum conhecimento sobre as atividades das empresas de Marcos Valério - de acordo com Renilda, que afirmou ser apenas uma "dona de casa, esposa e mãe", o empresário cuidava de todos os negócios sempre sem consultá-la. Renilda revelou, no entanto, que José Dirceu sabia da existência dos empréstimos feitos por Delúbio Soares.
A CONTADORA
Simone Reis Vasconcelos
diretora financeira da agência SMP&B
Na lista de sacadores de dinheiro de contas ligadas a Marcos Valério, Simone tem o segundo maior montante de recursos tirados dos bancos. Sob orientação de Valério, organizava saques e participava da entrega de dinheiro a pessoas ligadas a deputados - que procuravam a diretora no banco e recebiam valores. Segundo Fernanda Karina, ela disse que "se cansou de contar dinheiro".
O que diz
Em depoimento à Polícia Federal, entregou uma lista de beneficiários dos saques, implicando deputados, assessores de partidos e pessoas ligadas ao publicitário Duda Mendonça. Segundo ela, Zilmar Fernandes da Silveira, sócia de Duda, recebeu mais de 15 milhões de reais, a pedido de Delúbio Soares. Na CPI, ela confirmou que Valério fazia empréstimos e pagamentos em nome do PT.