A região onde hoje fica a Venezuela era habitada por índios arauaques e caraíbas no período imediatamente anterior à chegada de Cristóvão Colombo ao continente americano. O próprio navegador, aliás, visitou o local em 1498, seis anos após chegar ao Novo Mundo. Um ano depois, o território é batizado pelos espanhóis de "Pequena Veneza" – Venezuela – devido à presença de habitações lacustres feitas pelos indígenas. Organizada inicialmente como Capitania Geral do Vice-Reino de Nova Granada, a região é colonizada lentamente, e só adquire maior importância para a coroa espanhola a partir do século XVIII, em virtude de suas plantações de café e cacau.

Principais fatos históricos

Independência – O processo de emancipação da Venezuela confunde-se com o de Colômbia, Equador e Panamá. Em 1819, com a ajuda do Haiti e sob o comando de Simón Bolívar, a independência das colônias espanholas é declarada, e forma-se a Grã-Colômbia, federação presidida por Bolívar que reúne os quatro territórios. Com a saída do comandante para libertar Bolívia e Peru logo em seguida, a federação não dura muito, e a Venezuela retira-se da Grã-Colômbia em 1830. Uma Assembléia Constituinte elege então o general José Antonio Páez presidente, cargo que ele mantém por 18 anos.

Século XX – À independência venezuelana segue-se quase um século de ditaduras, guerras civis e fronteiriças com os vizinhos. Neste ínterim, no entanto, grandes jazidas de petróleo são descobertas no início do século XX – fator que se tornaria determinante para o desenvolvimento econômico do país dali para frente. Em 1945, uma revolução derruba o regime ditatorial e, pela primeira vez, um partido político – a social-democrata Ação Democrática (AD) – conquista o poder. O regime democrático, marcado pela promulgação de uma nova Constituição que previa inéditas eleições presidenciais, contudo, não dura. Rómulo Gallegos, presidente reformista eleito em 1947, é deposto em 1948 por um golpe militar. Assume o poder uma junta que governa a Venezuela até 1958, quando um novo golpe popular tira os militares do comando. Novas eleições são chamadas, e a AD volta a vencer, com o apoio do Partido Social-Cristão (Copei). O partido permanece por mais um mandato no poder, até 1969.

Bipartidarismo – A sociedade venezuelana não passa incólume pelas turbulências políticas, e os seguidos anos de golpe e contra-golpe são acompanhados por guerrilhas e intensos movimentos populares. No campo econômico, o país prospera a partir da segunda metade dos anos 1970, quando a alta mundial do petróleo beneficia a produção nacional. A riqueza, no entanto, não é bem distribuída. Neste meio tempo, a Venezuela é governada de 1969 a 1973 por Rafael Caldera, do Copei, que legaliza os partidos de esquerda, e de 1974 a 1978 por Carlos Andrés Pérez, da AD. O mesmo partido volta ao poder em 1983, com Jaime Lusinchi, em um governo marcado pela corrupção, queda no preço do petróleo e moratória, em 1988. Mesmo assim, seu colega de partido e ex-presidente Andrés Pérez é reeleito em 1989, quando impõe um duro pacote econômico. As medidas de seu governo provocam insatisfação popular, e seguem-se levantes e tentativas de golpe. No mais ameaçador deles, um grupo de militares tenta derrubar Pérez em 1992, mas fracassa. Mais de 1.000 integrantes das Forças Armadas são presos, incluindo um certo coronel Hugo Chávez, um dos líderes e fundadores de um movimento nacionalista que exige a revisão da política econômica e o combate à corrupção. Mesmo sobrevivendo ao golpe, Pérez é afastado da presidência em 1993, sob acusação de desviar 17 milhões de dólares de dinheiro público.

Chávez presidente – A saída de Pérez abre espaço para o retorno de outro ex-presidente, Rafael Caldera, reeleito em 1993. De marcante, o seu governo produz um plano econômico orientado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e concede anistia a Hugo Chávez. O coronel rebelado se vê livre para concorrer nas eleições presidenciais de 1998, e termina eleito com 56,2% dos votos. Uma vez no poder, Chávez não demora a convocar um referendo em abril de 1999, em que consegue a autorização popular para chamar eleições para uma Assembléia Nacional Constituinte. Sua coligação obtém 121 das 131 cadeiras, e Chávez elabora – e aprova, em novo referendo – a nova Constituição, da agora República Bolivariana da Venezuela.

Populismo – Sempre apoiado nas crescentes receitas do petróleo venezuelano, cujo preço sobe 150% só em 1999, o novo presidente adota medidas assistencialistas para ajudar a população mais pobre de seu país e reduz a jornada semanal de trabalho. Ao mesmo tempo, mexe nas instituições do estado com a nova Constituição, eliminando o Senado e instituindo o Parlamento com apenas uma câmara. Além disso, o coronel amplia seus poderes – o mandato presidencial passa de cinco para seis anos, com direito à reeleição. Novas eleições são convocadas em julho de 2000, e Chávez vence-as com apoio popular ainda maior – 60% dos votos. No plano externo, o presidente passa se encontrar com ditadores do naipe do iraquiano Saddam Hussein e do líbio Muammar Kadafi, impondo um claro desafio à política externa dos Estados Unidos.

Golpe e contragolpe – Chávez anuncia, em 2002, a desapropriação de latifúndios, a estatização dos direitos de pesca e o aumento da cobrança sobre permissões de exploração de petróleo. Em protesto, a Fedecámaras, entidade representante dos empresários, chama uma greve geral de dois dias em abril daquele ano, que termina com 13 mortos em confrontos violentos. Em 12 de abril, um grupo de oficiais anuncia a renúncia de Chávez e nomeia o presidente da Fedecámaras, Pedro Carmona, para o posto. Em resposta, milhares de partidários de Chávez tomam o centro de Caracas e exigem a sua volta, apoiados por comandantes militares que se recusam a aceitar a tomada de poder pela Fedecámaras. Sob pressão, Carmona abandona o palácio, e Chávez retoma o posto em 14 de abril.

Enfrentamento – Em dezembro de 2002, um locaute (paralisação patronal) e uma nova greve geral param o país pedindo a renúncia de Chávez. Semanas de manifestações dos oposicionistas derrubam a produção de petróleo de 2,8 milhões de barris ao dia para apenas 150.000, e os Estados Unidos, principais compradores do petróleo venezuelano, se vêem obrigados a pressionar a oposição por um acordo com o governo. O país, que chegou à beira da guerra civil, arrefece seus ânimos apenas em fevereiro de 2003. A partir de então, a oposição passa mais de um ano tentando emplacar um referendo para ratificar a permanência de Chávez no poder. Consegue em agosto de 2004, e sofre uma sonora derrota. Cerca de 9 milhões de venezuelanos – um recorde – vão às urnas e, com 59,3% dos votos, apóiam a manutenção do mandato de Chávez, contra 40,7% a favor de novas eleições.

Socialismo e 2ª reeleição – As eleições legislativas de 2005 são boicotadas pela oposição, e a base governista de Chávez conquista todas as cadeiras da Assembléia Nacional, ampliando os poderes do aspirante a ditador. Fortalecido, o presidente declara sua intenção de implantar um “socialismo do século XXI” na Venezuela, alinha-se cada vez mais com o decadente líder cubano Fidel Castro, e aprofunda as reformas estatizantes e populistas do início de seu governo. Em dezembro de 2006, Chávez é reeleito para um terceiro mandato, com novo recorde de comparecimento às urnas (11,5 milhões de eleitores) e 62,9% dos votos. Em uma se suas mais emblemáticas atitudes no poder, o presidente decide, em 2007, não renovar os direitos de transmissão da RCTV, a emissora de televisão mais popular do país. Um dos grandes representantes daqueles que lutavam pela liberdade de expressão que diminui a cada dia na Venezuela, a rede paga o preço por recusar-se a aceitar a agenda chavista.

Fontes: Almanaque Abril, Enciclopédia Britannica,
Embaixada da Venezuela no Brasil