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Política
Governo
tenta definir
o papel do Estado
A
volta da centralização do poder
ameaça o amadurecimento democrático
Desde
o desmantelamento da União Soviética em 24 de agosto
de 1991, que resultou na criação de 15 nações
independentes, a Federação Russa (nome oficial) enfrenta
sérios desafios para desenvolver seu sistema político.
Por muitos anos, as principais figuras nos ramos Legislativo e Executivo
defenderam pontos de vista opostos em relação à
direção política que deveria ser adotada na
Rússia e também em relação aos instrumentos
governamentais que deveriam ser criados e utilizados numa sociedade
capitalista e democrática.
Esse
conflito alcançou o seu clímax em setembro e outubro
de 1993, quando o então presidente Boris Ieltsin usou força
militar para dissolver o Parlamento e convocou novas eleições
legislativas. Este evento marcou o fim do primeiro período
constitucional russo - definido pela remendada Constituição
adotada pela República Russa em 1978 – e inaugurou uma nova
fase política, caracterizada pela Constituição
de 1993 (aprovada em referendo) e pela instituição
de um poder presidencial reconhecido.
Desde
então, o que se percebe no fronte político russo é
uma recentralização do poder ao redor do atual presidente
Vladimir Putin, tendência que coloca em risco o desenvolvimento
das recém-nascidas instituições democráticas
no país. Inserido numa economia de mercado que naturalmente
caminha para o liberalismo, Putin vem tentando reforçar o
papel do Estado no funcionamento do país e promover, simultaneamente,
de forma quase contraditória, as reformas estruturais que
o país necessita.
Burocracia - Com
a federação organizada em 48 oblasts (entidades
subnacionais ou províncias – todas comandadas por governadores
eleitos), 1 oblast autônoma, 21 republics (repúblicas
– representadas por presidentes locais), 9 okrugs autônomos
(distritos – subdivisões étnicas com status especiais),
sete krays (territórios – também dirigidos
por governadores eleitos) e duas cidades federais (Moscou e São
Petesburgo), a Rússia ainda enfrenta a burocracia estatal
no cenário político doméstico. O Legislativo
é representado pela Assembléia Federal, órgão
subdividido em duas câmaras: a alta, chamada Conselho da Federação
(com 178 membros apontados pelos chefes do Executivo), e a baixa,
o Estado Duma (com 450 membros eleitos pelo voto popular). O Judiciário,
por sua vez, ainda não é totalmente autônomo.
Em geral, os representantes de suas instâncias decisórias
são nomeados pelo Conselho da Federação, sob
indicação do presidente da República, considerado
o chefe de Estado.
No
cenário externo, o que mais preocupa é o continuado
conflito com rebeldes separatistas chechenos. A primeira guerra
com a Chechênia durou dois anos (1994-1996), sendo retomada,
ainda que de forma não oficial, em 1999. Estima-se que centenas
de milhares de chechenos tenham sido mortos nos conflitos, o que
levantou a suspeita de ações genocidas praticadas
pelo governo russo – especialmente após o recrudescimento
da violência em 2002.
A situação
na Chechênia é ainda agravada pelo fato de os Estados
Unidos terem anunciado que, devido aos atentados de 11 de setembro
de 2001 contra o World Trade Center, iriam perseguir terroristas
também na Geórgia, nação vizinha da
Rússia e próxima à Chechênia onde, segundo
Putin, rebeldes chechenos estariam recebendo ajuda de milícias
árabes, especialmente da Al-Qaeda, para promover ataques
contra centros urbanos russos. Apesar das constantes ameaças
de Putin contra a Geórgia, os Estados Unidos já avisaram
que irão se opor a qualquer atividade militar unilateral
russa na região.
Iraque e Irã - Se
por um lado os Estados Unidos configuram um entrave aos interesses
externos russos na Geórgia, a Rússia – que oficialmente
apóia a chamada "guerra ao terror" – também
não perde a chance de desafiar os americanos. Ansiosa por
reconquistar importância nas instâncias de decisão
política internacionais, a diplomacia russa adota procedimentos
contrários aos interesses dos Estados Unidos sempre que isso
possa render destaque e atenção internacionais, mesmo
que temporários.
É
assim desde 2003, quando os Estados Unidos propuseram invadir o
Iraque unilateralmente para depor o então ditador Saddam
Hussein. Na ocasião, Putin garantiu aos americanos o direito
de intervir, mas somente se a decisão fosse tomada de forma
conjunta por todos os membros permanentes do Conselho de Segurança
das Nações Unidas. Durante a votação,
a Rússia vetou uma intervenção militar na região.
Um
exemplo recente – que evidencia a constante contrariedade russa
perante as intenções internacionais americanas, aparentemente
uma cartilha-mestra a ser seguida - foi a posição
do governo russo frente ao impasse nuclear com o Irã – país
árabe que, apesar de ser acusado pelo governo americano de
patrocinar o terrorismo, defende seu direito de enriquecer urânio.
Sustentando uma "saída negociada" para a crise,
a Rússia impediu, junto a China, que os Estados Unidos aprovassem,
no Conselho de Segurança da ONU, a aplicação
de sanções econômicas contra o Irã.
A recente
onda de insegurança causada pela realização
bem-sucedida do primeiro teste nuclear subterrâneo da Coréia
do Norte, em outubro de 2006, que pode alterar a configuração
geopolítica asiática e instigar países como
Japão e Coréia do Sul a se militarizarem, também
caminha para um desfecho similar. Junto de França e Grã-Bretanha,
os Estados Unidos já pediram, no Conselho de Segurança
da ONU, duras sanções contra os norte-coreanos. Rússia
e China, contudo, relutam em aprovar reações de ordem
econômica ou militar contra o país do ditador Kim Jong-il
e anunciam a preferência, mais uma vez, por uma "solução
pelo diálogo".
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