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da primeira revolução socialista, a Federação Russa, tradicionalmente chamada
de Rússia, é a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Maior
nação do mundo, com 11 fusos horários, sua história remonta aos vikings, que se
estabelecem na região no século IX e fundam as cidades de Kiev e Nijni Novgorod.
No século XIII, os mongóis, liderados por Gêngis Khan, conquistaram grande parte
do território. No século XIV, Moscou passa a ser o núcleo da nação. No século
XVI, o poder da cidade se consolida quando Ivan IV, o Terrível, adota uma política
expansionista.
Principais
fatos históricos
Modernização - Em 1689, Pedro I, o Grande, torna-se
czar e funda a cidade de São Petersburgo, que se torna a capital do Império em
1712. No reinado de Catarina II, a Grande, no fim do século XVIII, a Rússia participa
com a Áustria e a Prússia da partilha da Polônia, transformando-se na maior potência
da Europa Oriental. Os czares têm o apoio da Igreja Ortodoxa e governam com poder
absoluto - o regime de servidão é abolido apenas em 1861. Com a industrialização,
a partir de 1890, surgem os centros operários urbanos e os grupos de inspiração
marxista, entre os quais se destaca o Partido Operário Social-Democrata Russo
(POSDR).
Revolução
Russa - Em 1905, a derrota da Rússia na guerra contra o Japão pela posse da
Manchúria desencadeia um movimento revolucionário. As grandes perdas na I Guerra
Mundial contribuem para o fim do czarismo: em março de 1917 (fevereiro pelo calendário
juliano), Nicolau II é derrubado. A Revolução de Fevereiro é liderada pela ala
moderada (menchevique) do POSDR e substitui a monarquia pela república parlamentar.
São formados os sovietes - conselhos de operários, camponeses e soldados, nos
quais cresce a influência da ala radical (bolchevique). O líder bolchevique Lênin
instala em novembro de 1917 (outubro pelo calendário juliano) um governo revolucionário.
A ala bolchevique se transforma no Partido Comunista.
Regime
comunista - O novo governo distribui terras a camponeses e transfere o controle
das indústrias a representantes dos operários. O domínio total sobre o país só
é alcançado após quatro anos de guerra civil, durante a qual o Exército Vermelho,
criado por Leon Trótski, enfrenta várias forças de oposição - mencheviques, czaristas,
forças armadas de potências estrangeiras e grupos nacionalistas de etnias não-russas.
Em 1922 é criada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), que reúne
os territórios que antes pertenciam ao Império Russo.
Stalinismo
- Com a morte de Lênin, em 1924, Josef Stálin assume o controle do Partido
Comunista e do governo soviético. Sua política de coletivização forçada das terras,
a partir de 1929, provoca a morte de 10 milhões de camponeses por fome ou execuções.
Stálin sufoca aspirações de autonomia de todos os povos não-russos. Condena à
morte a maioria dos antigos dirigentes bolcheviques. Trótski é assassinado em
1940, no México, por um agente secreto. A URSS emerge da Segunda Guerra como segunda
potência mundial, submetendo o Leste Europeu. Sua economia, no entanto, está arruinada
e as mortes na II Guerra chegam a 20 milhões.
Guerra
Fria - Os Estados Unidos comprometem-se a impedir a expansão comunista, dividindo
o mundo em dois blocos, processo conhecido como Guerra Fria. Após a morte de Stálin,
em 1953, Nikita Kruchov sobe ao poder e denuncia os crimes de Stálin. É o começo
do "degelo", período de moderada abertura política, que propicia um movimento
anti-soviético na Hungria, em 1956, subjugado por tropas do Pacto de Varsóvia,
bloco militar liderado pela URSS. Em 1964, um golpe derruba Khruchov e instala
o linha-dura Leonid Bréjnev no poder. Moscou passa a intervir militarmente onde
o modelo ou a influência soviética estejam sob ameaça, como a Tchecoslováquia,
em 1968, e o Afeganistão, em 1979.
Disputa
espacial - A Guerra Fria chega à conquista do espaço. Os soviéticos lançam
o primeiro satélite artificial que gravita em torno da Terra, o Sputnik, em 1957.
No ano seguinte, os EUA respondem com o lançamento do Explorer. A URSS manda o
primeiro homem ao espaço, Yuri Gagarin, em 1961, e os norte-americanos pousam
com tripulação na Lua em 1969.
Reformas
- Em 1982,
quando morre Bréjnev, o regime soviético começa a se enfraquecer. Quando Mikhail
Gorbatchov assume o poder em 1985, têm início reformas que resultariam no fim
da URSS: a glasnost (transparência), que leva ao abrandamento da censura, e a
perestroika (reestruturação), um conjunto de reformas da economia. No plano externo,
Gorbatchov prega o esforço para o desarmamento e a ampliação do diálogo com os
EUA. Em 1989, ele retira as tropas soviéticas do Afeganistão. As exigências de
aceleração das reformas conquistam o apoio popular e têm reflexos nos países dominados
pela URSS, principalmente no Leste Europeu.
Fim
da URSS - Em agosto de 1991, setores conservadores do Partido Comunista e
das Forças Armadas dão um golpe de Estado e prendem Gorbatchov. A firme oposição
do dirigente populista Boris Iéltsin e a mobilização da população de Moscou e
Leningrado (atual São Petersburgo) levam ao fracasso do golpe. Fortalecido, Iéltsin
promove a desmontagem das principais instituições da URSS, esvaziando a autoridade
de Gorbatchov, que renuncia em dezembro de 1991. A URSS deixa de existir. Em seu
lugar surgem várias repúblicas, das quais a principal é a Federação Russa, que
elege Iéltsin presidente. É criada a Comunidade dos Estados Independentes (CEI),
um fórum de coordenação política e econômica entre 12 das 15 ex-repúblicas soviéticas.
Governo
de Iéltsin - Em 1992, Iéltsin anuncia um programa radical de desestatização
e liberalização econômica. A transição para o capitalismo gera inflação, recessão,
desemprego e crescimento das máfias em vários setores da economia. O Legislativo
se opõe às reformas e vota, em 1993, a demissão de Iéltsin, ao que o presidente
responde com o bombardeio do Parlamento. Na ação, morrem mais de 300 pessoas.
Iéltsin é reeleito com o apoio das Forças Armadas e firma acordo de cooperação
estratégica com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em 1997, aceitando
a entrada de países do antigo bloco comunista nessa aliança militar ocidental,
em troca da participação no Grupo dos Oito (G8) - organismo que reúne os países
mais ricos do mundo.
Crise
econômica - Em agosto de 1998, a Federação Russa torna-se o centro da crise
financeira mundial. Iéltsin declara moratória da dívida externa de empresas privadas
e adia o pagamento de títulos prestes a vencer. A medida provoca quedas nas bolsas
de valores de todo o mundo e a desvalorização de 75% do rublo. O Fundo Monetário
Internacional (FMI) e outras instituições aprovam pacote de ajuda de 22 bilhões
de dólares ao país. Em agosto de 1999 um então desconhecido é nomeado para o governo:
Vladimir Putin, egresso do serviço secreto. Ele ganha prestígio ao ordenar a segunda
intervenção militar na Chechênia e, depois de ocupar interinamente o poder, vence
as eleições presidenciais de março de 2000.
Aproximação
com EUA - Em setembro de 2001, Putin dá apoio à coalizão contra o terrorismo
liderada pelos EUA e expressa o desejo de que a Federação Russa seja admitida
na Otan. Em maio de 2002, EUA e Federação Russa assinam acordo para corte de dois
terços de seu arsenal de mísseis.
Terrorismo
- Um comando extremista checheno invade em outubro de 2002 o Teatro Dubrovka,
em Moscou, durante um espetáculo, e faz mais de 800 reféns. Forças especiais russas
invadem o teatro, usando um gás narcotizante. Cerca de 50 rebeldes são mortos,
mas o gás também causa a morte de 129 espectadores.
Caça
aos milionários - Em 2003, o governo fecha a TVS, última emissora independente
do país. A polícia prende Mikhail Khodorkovsky, considerado o homem mais rico
do país, principal executivo da Yukos, segunda maior companhia de petróleo russa.
Críticos acusam Putin de barrar as pretensões políticas dos milionários que enriqueceram
com a adesão do país à economia de mercado.
Resistência
chechena - A Chechênia, uma das repúblicas russas de população muçulmana,
declara independência em 1991. Depois de anos de conflito, em março de 2003, o
governo russo organiza um referendo, que estabelece subordinação da república
a Moscou. A lei é aprovada por supostos 96% dos eleitores, mas o referendo é condenado
internacionalmente como irregular.
Novo mandato - Em 2004, Putin é reeleito, com 70% dos votos. Uma série de
atentados atinge o país durante o ano, sendo o mais grave deles a tomada de reféns
em uma escola de Beslan (Ossétia do Norte) por rebeldes chechenos.
Corte de direitos - No início de 2005, apesar do inverno rigoroso, milhares
saem às ruas para protestar contra reformas no sistema de seguridade social. As
mudanças tiram direitos de idosos como o transporte coletivo gratuito e subsídios
para tratamento médico. O milionário Khodorkovsky é condenado a nove anos de prisão.
G-8 - Em 2006 Putin assume pela primeira vez a presidência rotativa do G-8,
uma oportunidade política para projetar o país. Graças à alta do petróleo, a economia
recupera-se da recessão provocada pela transição do comunismo para a economia
de mercado. Em agosto, a Yukos declara falência.
Geórgia
- A prisão de quatro militares russos por espionagem instala uma crise diplomática
entre Moscou e a Geórgia. Putin ordenada a retirada de diplomatas, endurece a
lei de imigração e expulsa georgianos de seu território. A estatal russa Gazprom
anuncia em novembro que pretende aumentar em 109% o preço de gás para a Geórgia.
Assassinatos
- Anna Politkovskaya, implacável crítica do governo Putin a respeito dos abusos
cometidos na Chechênia, é morta a tiros em Moscou em outubro de 2006. O incidente
repercute em todo o mundo, sendo anunciado como o 21º assassinato de jornalista
não alinhado ao governo. Em novembro, outro caso de repercussão internacional
surge quando o ex-espião Alexander Litvinenko morre envenenado por substância
radioativa em Londres. Pela apuração da polícia londrina, ele foi envenenado após
obter papéis que supostamente envolviam agentes russos no assassinato de Politkovskaya.
O ex-espião deixa uma mensagem responsabilizando Putin por sua morte. O presidente
classifica a declaração de "provocação política".
OMC
- Em 2006, a Federação Russa chega a um acordo preliminar com os EUA para
entrar na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Fonte: Almanaque Abril
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