Conhecida na época dos romanos como Lusitânia, a região onde hoje fica Portugal recebe, no século I a.C., as legiões de Júlio César e Augusto, que ali marcham triunfantes e estabelecem um domínio que durará até o século V. A exemplo do que acontece no resto do império, contudo, o território é invadido por bárbaros – visigodos, neste caso –, que cristianizam a região e dominam-na até a chegada dos mouros, em 711. A ocupação moura da Península Ibérica se estende até 1139, quando Afonso Henriques, que ajudara os espanhóis a expulsar os mouros da região, torna-se o primeiro monarca português. O reinado luso declara assim sua independência. Passa os dois séculos seguinte, no entanto, em constante conflito com os castelhanos. A situação só muda de fato em 1385, quando sobe ao trono dom João I, da dinastia de Avis, que consolida a independência portuguesa.

Grandes navegações – Uma vez independente, Portugal reúne as condições necessárias para se tornar o pioneiro da expansão marítima européia. Na liderança das grandes navegações do século XV, os lusos começam então a compor seu grande império colonial. Destacam-se as expedições de Vasco da Gama, o primeiro europeu a viajar por mar até a Índia, onde aporta em 1498, e a de Pedro Álvares Cabral, que chega ao Brasil em 1500. Em 1580, a Coroa espanhola se apossa do trono português, e mantém o país sob seu controle até 1640, quando João de Bragança é feito rei.

Iluminismo português – Mais de um século depois, em 1755, um terremoto de grandes proporções, seguido de um maremoto e de um incêndio de vários dias, destrói Lisboa. Doze mil morrem. Da catástrofe, emerge a figura do marquês de Pombal, ministro do rei dom José, que reconstrói a cidade e passa a ser, nas décadas seguintes, homem-chave do Iluminismo português. Ao perseguir os jesuítas, Pombla dá início ao processo que levaria o papa a suprimir, em 1773, a Companhia de Jesus. Trinta e quatro anos de certa prosperidade se passam até que, em 1807, Portugal é invadido pelas tropas de Napoleão Bonaparte, e a família real, junto de toda a sua corte, se transfere para o Brasil para escapar do general francês. Aportando no Rio de Janeiro em 1808, fica até 1820, quando a Revolução do Porto obriga o rei dom João VI a voltar a Lisboa. O impacto sofrido pelo Brasil, todavia, não tem volta. Dois anos depois, o príncipe herdeiro dom Pedro I proclama a independência do país e torna-se seu imperador.

Salazarismo – Privado de sua maior colônia, e sem condições de competir com as outras potências européias na correria imperialista do século XIX, Portugal amarga seguidas décadas de instabilidade política e decadência econômica. Em 1910, uma rebelião derruba o rei Manuel II, e a República é proclamada, com direito a leis liberais e anticlericais. Os tormentos políticos prosseguem, e em 1926, um golpe de estado instaura uma ditadura militar que perdurará por mais de quatro décadas. António de Oliveira Salazar assume como primeiro-ministro em 1932, e monta um regime de inspiração fascista, cujas peculiaridades lhe renderiam o nome de salazarismo. A mão firme do governo não é sentida não apenas em casa, como também nas colônias africanas de que o país não abre mão. A recusa em concedê-las a independência estimula movimentos guerrilheiros de libertação. Salazar comanda Portugal até 1968, quando sofre um derrame cerebral e é substituído por Marcello Caetano, ex-ministro das Colônias.

Revolução dos Cravos – Em 25 de abril de 1974, oficiais de média patente descontentes com a situação econômica e colonial do país rebelam-se e derrubam o governo de Caetano. A população festeja o fim da ditadura distribuindo flores aos soldados rebeldes, e o movimento é romanticamente apelidado de Revolução dos Cravos. Todos os partidos políticos são legalizados e é extinta a Pide, polícia política do salazarismo. O general António de Spínola, que assumira a Presidência após a revolução, renuncia em setembro. Em conseqüência, Portugal, que vivera décadas sob um governo de extrema direita, começa a flertar com o socialismo. O governo passa para o controle do Movimento das Forças Armadas (MFA), fortemente influenciado pelo Partido Comunista Português (PCP), e estatiza bancos e indústrias, além de promover a reforma agrária. No mesmo ano, Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau obtêm independência.

PS x PSD – Eleições são marcadas para 1976, e o moderado Partido Socialista (PS) emerge como o grande vencedor. Mário Soares, homem chave na Revolução dos Cravos, assume o cargo de primeiro-ministro. Não dura muito porém. Diante da grave crise econômica, Soares renuncia em 1978. Soares voltaria ao comando Parlamento em 1983, para novo mandato de dois anos. Em 1985, a vitória do Partido Social-Democrata (PSD), de centro-direita, encerra o governo de Soares e leva ao cargo de premiê Aníbal Cavaco Silva. Soares volta ao governo em 1986, como presidente português, posto que ocuparia pelos dez anos seguintes. Com ele à frente, Portugal ingressa na Comunidade Econômica Européia (CEE), atual União Européia (UE), e caminha em direção ao liberalismo, permitindo a privatização de empresas nacionalizadas pela Revolução e enfraquecendo o poder do presidente da República. O país participa do lançamento do euro, moeda única européia, em janeiro de 1999.

Timor Leste – Em março de 1999, Portugal assina com a Indonésia um acordo para a realização de um referendo sobre a independência de sua ex-colônia na Ásia, o Timor Leste, anexada pelos indonésios. A violência explode no país, e provoca grandes manifestações de solidariedade aos timorenses em Portugal – as mais relevantes desde a Revolução dos Cravos.

Presidência da UE – Jorge Sampaio, do PS, eleito presidente em 1996, é reeleito em 2001, mas o PSD vence as eleições gerais de março de 2002, e José Manuel Durão Barroso assume o cargo de primeiro-ministro, em governo de coalizão com o Partido Popular (PP). Em 2004, é a vez de Portugal ocupar a Presidência da União Européia (que muda a cada ano) e Durão Barroso renuncia em Lisboa para assumir em Bruxelas. Seu partido perde as eleições parlamentares seguintes, em 2005, e o PS volta a comandar o Legislativo, com José Sócrates. O PSD, por sua vez, vence as eleições presidenciais no ano seguinte, elegendo Aníbal Cavaco Silva.