| | História A
civilização do vale do rio Indo floresceu entre os anos 3500 a.C.
e 2500 a.C. Arianos vindos do noroeste conquistaram a região por volta
de 1500 a.C. e iniciaram a civilização hindu, que dominou por 2.000
anos os atuais territórios da Índia e do Paquistão. Sucessivas
invasões ocorreram ali desde antes da Era Cristã: persas, macedônios,
novamente persas (dinastia Sassânida, já no século VI d.C.)
e, por fim, árabes, que introduziram o islamismo em 711 e separaram o Paquistão
da esfera de influência da Índia. O domínio muçulmano
na região atingiu o apogeu com o Império Mongol, entre 1526 e 1857,
até a derrota militar para o Reino Unido. Os
principais momentos históricos Colonização
britânica - Em 1857, o território paquistanês foi incorporado
às possessões britânicas da Índia. Muhammad Ali Jinnah
fundou, em 1906, a Liga Muçulmana do Paquistão (PML), que se aliou
aos nacionalistas hindus no combate à dominação britânica.
A aliança foi rompida na década de 1920, com os primeiros choques
entre as duas comunidades. A liga propôs a constituição de
um estado separado da Índia. Partilha
do Subcontinente - Os confrontos entre hindus e muçulmanos intensificaram-se,
e, em 1947, os britânicos deixaram a colônia, aprovando sua partilha
em dois estados. As áreas de maioria muçulmana formaram o Paquistão,
com duas regiões separadas entre si por 1,6 mil quilômetros de território
indiano: o vale do rio Indo e Bengala Oriental, que passou a se chamar Paquistão
Oriental. Hindus que habitavam essas áreas, majoritariamente muçulmanas,
migraram aos milhares para a Índia, enquanto os muçulmanos lá
residentes fugiram em direção oposta. No mesmo ano, Índia
e Paquistão entraram em guerra pelo controle da Caxemira. O embate terminou
em 1948, com a divisão do território entre os dois países.
A Guerra Fria acirrou o conflito na década de 1950 - o Paquistão
aliou-se aos Estados Unidos (EUA) e a Índia, aos soviéticos. Secessão
de Bangladesh - Um golpe de estado, em 1958, levou ao poder o general Mohammad
Ayub Khan, eleito presidente em 1960 e reeleito em 1965. Ayub Khan fracassou na
tentativa de debelar uma onda de protestos no Paquistão Oriental e, em
1969, renunciou. Seu sucessor, o general Yahya Khan, voltou a instaurar a lei
marcial, já declarada por Ayub Khan. O processo de divisão do país
teve início em 1970, quando os separatistas venceram as eleições
no Paquistão Oriental. O impasse terminou em guerra civil. Com a intervenção
militar da Índia do lado dos bengaleses, o Paquistão Oriental proclamou
a independência, em 1971, e mudou seu nome para Bangladesh. Em
1977, Zulfikar Ali Bhutto, no governo desde 1971 (inicialmente como presidente
e depois como primeiro-ministro), foi derrubado por um golpe militar que teve
à frente o general Mohammad Zia-ul-Haq. Bhutto foi enforcado em 1979. O
Paquistão começou a apoiar os guerrilheiros muçulmanos que
lutavam contra o regime pró-soviético e as tropas da União
Soviética (URSS) no Afeganistão. Internamente, a lei islâmica
ganhou força. Corrupção
- Benazir Bhutto, filha do presidente executado, retornou ao país em
1986, depois de longo exílio na Inglaterra, e reorganizou o Partido do
Povo do Paquistão (PPP). A morte de Zia, em agosto de 1988, em desastre
aéreo provocado por sabotagem, abriu caminho para eleições
livres em novembro. O PPP obteve a maioria dos votos, e Benazir foi nomeada primeira-ministra,
tornando-se a primeira mulher a governar um país de maioria muçulmana.
Ela enfrentou oposição dos chefes militares e acusações
de corrupção. Em agosto de 1990, o presidente Ghulam Ishaq Khan
dissolveu o governo de Benazir. As
eleições parlamentares de outubro foram vencidas pela coalizão
Aliança Democrática Islâmica, liderada pela PML. O empresário
Nawaz Sharif (PML) tornou-se primeiro-ministro e retomou a aplicação
das leis islâmicas. O país foi sacudido, em 1991, pelo escândalo
de empréstimos ilegais feitos a empresas de Sharif e a um de seus ministros.
A crise culminou com sua demissão, em abril de 1993. A PML dividiu-se,
e a facção dirigida por Sharif ficou conhecida como PML-N. Com a
vitória do PPP nas eleições de outubro, Benazir voltou ao
cargo de primeira-ministra. Queda
de Benazir - Em 1996, Benazir enfrentou protestos por causa do aumento de
impostos, que cumpria metas do Fundo Monetário Internacional (FMI). Em
setembro, o Paquistão foi o primeiro país a reconhecer o governo
da milícia muçulmana Talibã, no Afeganistão. Em novembro,
o presidente Farooq Leghari, pressionado por fundamentalistas islâmicos,
destituiu Benazir e convocou eleições legislativas para fevereiro
de 1997. A PML-N conquistou 134 das 204 cadeiras disputadas por voto direto, e
Sharif voltou ao poder. Em
1999, Benazir e o marido foram julgados por corrupção e condenados
a cinco anos de prisão e multa de 8,6 milhões de dólares.
Benazir, auto-exilada na Inglaterra (e depois nos Emirados Árabes Unidos),
rejeitou as acusações. Seu marido cumpriu pena desde 1997 pela acusação
de ter mandado matar o cunhado. Tensão
com a Índia - O Paquistão anunciou a realização
de seis explosões nucleares subterrâneas no deserto do Baluchistão,
em maio de 1998, em reação aos testes executados pela Índia
no mesmo mês. Essas disputas nucleares remontam às relações
estremecidas entre o Paquistão e a Índia desde a independência
de Bangladesh, em 1971. Derrotado, o Paquistão se empenhou em construir
a bomba atômica, incentivado pelos testes nucleares realizados pela Índia
em 1974. Os dois países chegaram à beira da guerra total em maio
de 1999, quando soldados paquistaneses cruzaram a fronteira em apoio à
ofensiva dos guerrilheiros muçulmanos da Caxemira indiana. A Índia
expulsou as tropas paquistanesas em julho, mas a tensão continuou. Golpe
militar - O recuo paquistanês na Caxemira contrariou os militares. Em
outubro de 1999, Sharif destituiu o chefe do Estado-Maior, general Pervez Musharraf,
que estava em viagem oficial ao Sri Lanka e regressou às pressas. Sharif
tentou impedir o pouso de seu avião na capital, Islamabad, mas fracassou
e foi deposto por Musharraf, que instalou um regime militar. A Constituição
foi suspensa e a Assembléia Nacional, dissolvida. Musharraf se autoproclamou
chefe do Executivo. Sharif foi preso e seus bens, confiscados. Embora condenado
à prisão perpétua, em 2000 ele obteve permissão para
se exilar na Arábia Saudita. FATOS RECENTES Musharraf assumiu
a Presidência em junho de 2001. Os atentados de 11 de setembro nos EUA -
atribuídos a terroristas muçulmanos sob proteção do
Talibã - provocaram uma guinada na política paquistanesa. Musharraf,
que até então apoiava o Talibã, uniu-se aos EUA, cedendo
uma base aérea para uso nos ataques ao Afeganistão. Em troca, o
Paquistão obteve ajuda financeira e suspensão das sanções
econômicas. Em
abril de 2002, Musharraf garantiu mais cinco anos no poder, num plebiscito acusado
de fraude. Em outubro se realizaram as primeiras eleições para o
Legislativo desde o golpe de 1999. Ofensiva
fundamentalista - O apoio aos EUA revoltou os fundamentalistas islâmicos.
Em janeiro de 2002, o jornalista norte-americano Daniel Pearl foi seqüestrado
em Karachi. Os seqüestradores exigiam a libertação dos paquistaneses
presos pelos EUA como suspeitos de terrorismo. Em maio, restos do corpo de Pearl
foram encontrados. Ahmad Omar Sayeed Shaikh, acusado do seqüestro, foi condenado
à morte em julho.Em março de 2003, Khaled Sheikh Mohammed, suspeito
de ter planejado os atentados de 11 de setembro, foi preso na cidade de Rawalpindi
e enviado aos EUA. Em
fevereiro de 2006, um homem-bomba matou 27 pessoas durante uma festa xiita no
noroeste do país, em um atentado atribuído a terroristas sunitas.
A vingança veio em abril, quando um terrorista suicida atacou uma festa
sunita, matando 58 pessoas. Em outubro, helicópteros das forças
militares paquistanesas atacaram uma escola islâmica (madrassa) localizada
perto da fronteira com o Afeganistão, matando cerca de 80 pessoas. O exército
afirmou que a escola funcionava como campo de treinamento de terroristas da Al
Qaeda. No mês seguinte, um homem-bomba matou 42 soldados paquistaneses ao
se explodir em um campo de treinamento, no noroeste do país. Conflitos
- No segundo semestre de 2007, o Paquistão dominou as manchetes dos
jornais do mundo inteiro. Um dos maiores incidentes aconteceu em julho, quando
a tensão entre forças do governo e da Mesquita Vermelha, situada
em Islamabad, chegaram no auge. Um cerco de uma semana ao templo religioso resultou
na morte de cerca de 70 pessoas, segundo os números oficiais, incluindo
o líder dos radicais, Abdul Rashid Ghazi. Em
agosto, o anúncio da volta da ex-premiê, Benazir Bhutto, ao Paquistão
para concorrer às eleições legislativas de 2008, voltou a
agitar os ânimos. Após quase nove anos de exílio voluntário,
Bhutto retornou à terra natal no dia 18 de outubro e já foi alvo
de um atentado em Karachi, do qual escapou ilesa, apesar do saldo de 150 mortos.
O alívio durou pouco. No dia 27 de dezembro, Bhutto morreu em um segundo
ataque terrorista, que matou outras 135 pessoas, em circunstâncias ainda
não esclarecidas. | |