| Sociedade
Mistura
de grupos alimenta conflitos internos Divisão
étnica é ameaça à unidade; 97% da população
é muçulmana Herdeira
de um passado de fusões étnicas e culturais, pode-se dizer que a
unidade da sociedade paquistanesa se deve basicamente à religião
muçulmana. A própria história do país reafirma essa
condição - ele se baseou na maioria muçulmana do Subcontinente
Indiano para se separar da Índia, de maioria hindu, em 1947, na ocasião
da libertação do domínio britânico. Apesar
dos 97% de muçulmanos (77% sunitas e 20% xiitas), o Paquistão é
palco de diferenças significativas, como a do próprio idioma. Apesar
de o urdu ser a língua oficial, são usados mais de dez idiomas diferentes,
sendo o punjabi o mais presente, falado por 48% da população. Essa
Torre de Babel reflete as constantes migrações populacionais que
marcaram a história do Paquistão desde o seu surgimento. Hoje o
país abriga pelo menos cinco grupos étnicos distintos: Punjabi,
Sindi, Pashtun, Baluque e Muhajir (imigrantes provenientes da Índia e seus
descendentes). A
tradição islâmica é reforçada através
do sistema educacional do país. O Paquistão abriga milhares de madraçais,
escolas islâmicas (separadas para homens e mulheres) que propagam os dogmas
do Corão. São um dos fenômenos mais observados do país,
já que as madraçais são consideradas nascedouros de radicais
e candidatos a terrorista. Como
o ensino se concentra na formação religiosa, a preparação
dos jovens nas outras áreas é desastrosa. O mesmo problema é
sentido nas escolas comuns. A taxa de analfabetismo no Paquistão é
alta. Apenas 49,9% da população acima de 15 anos pode ler e escrever.
Entre as mulheres paquistanesas, essa taxa cai para 36%. A
força do Islã, observada desde a concepção da bandeira
do Paquistão, resulta também no fundamentalismo religioso. Discriminados
por sua crença, paquistaneses cristãos já foram vítimas
de diversas atrocidades em seus próprios países. Ao mesmo tempo,
o ódio contra os EUA é alimentado por grupos como o MMA, uma coalizão
de partidos fundamentalistas desfavorável à aliança do regime
militar de Pervez Musharraf com o Ocidente na guerra contra o terror. A
aliança oposicionista também invoca a imposição da
sharia, a lei islâmica que era aplicada nos tempos de governo Talibã
no Afeganistão. O severo código legal muçulmano prevê
a amputação de pés e mãos de ladrões, o apedrejamento
até a morte de adúlteras e traficantes de drogas e o açoite
em praça pública dos consumidores de bebidas alcoólicas.
Sob a batuta de regimes fundamentalistas, a sharia já é aplicada
no Irã, Sudão e Arábia Saudita. Nos tempos de Talibã,
as proibições no Afeganistão incluíam música,
cinema, televisão, jogos de cartas e até criar pássaros
e soltar pipas. |