Política
País se reorganiza após
décadas de autoritarismo

Depois de 71 anos, PRI cede
lugar a governantes do PAN

O ano de 2000 no México foi marcado pelo fim de um dos regimes políticos de maior duração na história contemporânea, representado pelos 71 anos em que o Partido Revolucionário Institucional (PRI) esteve no poder. Desde 1929, não ocorria uma surpresa nas eleições presidenciais: o PRI sempre vencia. O governo chegou a ser definido pelo escritor peruano Mario Vargas Llosa como a "ditadura perfeita". Era um sistema com eleições regulares, a cada seis anos, e sem golpes militares. Porém, foi caracterizado pela forte influência do governo sobre o Congresso e o Judiciário, a imprensa e os sindicatos.

O presidente Ernesto Zedillo, último da era PRI, foi o primeiro a empreender uma corajosa reforma no sistema eleitoral, que praticamente eliminou a possibilidade de fraude no pleito. O Partido Revolucionário começou a perder terreno em 1988, quando foram eleitos os primeiros governadores estaduais de oposição. Porém, seu monopólio só foi derrubado em 2000, quando Vicente Fox assumiu a presidência.

Deputado e governador de estado, Fox se lançou à candidatura pelo Partido da Ação Nacional (PAN), legenda de direita quase tão antiga quanto o próprio PRI. A velha-guarda do PAN torceu o nariz ao aventureiro, mas nada pôde fazer diante do rolo compressor dos Amigos do Fox, uma organização paralela ao partido, mas com número maior de filiados. Fox tinha pela frente a árdua missão de fazer o México funcionar sem o PRI, uma experiência inédita para praticamente todo mexicano vivo então.

Segundo o próprio Vicente Fox, seu governo foi marcado pela transparência, prestação de contas públicas e respeito à liberdade de imprensa. No fim de seu mandato, garantiu, em entrevista a VEJA, que deixava o México com uma economia forte. Porém, admitiu que as reformas estruturais ficariam como desafio para seu sucessor. Antes de deixar a presidência, Fox fez questão de entregar casas populares e inaugurar obras públicas, a fim de mostrar à população mexicana suas preocupações sociais.

Em 2006, foi a vez de Felipe Calderón, candidato de Fox, ser eleito para presidente, também pelo PAN, em uma disputa acirrada com Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD). A diferença de votos entre os dois foi tão estreita que, encerrada a votação, ambos festejaram a vitória, animados por pesquisas encomendadas por seus partidos. Depois de quatro dias de contagens e recontagens das atas das sessões eleitorais, Calderón foi declarado vencedor com 35,89% dos votos e uma vantagem de apenas 0,58% em relação a Obrador. O atual presidente enfrenta graves problemas de origem social, como o habitual abismo entre o norte e o sul, a forte atuação de cartéis de drogas no país e as consequências da recente epidemia de gripe suína que atinge principalmente os mexicanos.