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Sociedade
Transformação
de valores
no universo feminino
País
muda para acompanhar tendências,
mas tradição continua viva
Casamento
e filhos saíram do foco de atenção das mulheres
japonesas, no passado tão apegadas à tradição
e hierarquia familiares. O matrimônio deixou de ser o objetivo
máximo de vida das mulheres. Com a mudança de costumes,
o número de casamentos diminuiu e as famílias reduziram
o número de filhos. A população envelheceu,
com o aumento da perspectiva de vida. Juntos, esses fatores podem
ameaçar a força produtiva do país em um momento
que a economia volta a crescer.
O fenômeno
chamou a atenção de Iwao Nakatani, presidente do conselho
de administração da Sony, um conglomerado internacional
sediado em Tóquio que reúne diversas atividades, de
produtos eletrônicos à produção musical
e cinematográfica. Preocupado com a falta de mão-de-obra
que poderia limitar a expansão dos negócios, Nakatani
fez um apelo ao governo para abrir as fronteiras do Japão
aos imigrantes. Em um país em que apenas 1% da população
é de estrangeiros, porém, a flexibilização
das fronteiras pode causar grande impacto social. O Japão
não é mais tão tradicional como antes, mas
ainda está longe de ser um país acostumado a conviver
com diferenças raciais e culturais.
Tradição
intocável - Embora a sociedade japonesa esteja se transformando
para acompanhar as tendências da globalização,
tradições ainda têm espaço garantido
quando o assunto é monarquia. O nascimento de um menino na
família real em setembro fez o país voltar os olhos
para as inflexíveis regras de sucessão.
É
que a monarquia japonesa sustenta-se na crença de que há
2.600 anos uma mesma dinastia ocupa o Trono do Crisântemo
– e de que em todo esse período a linhagem de imperadores
masculinos nunca foi interrompida, a não ser em caráter
temporário. O tão esperado filho do príncipe
Akishino e de sua mulher, Kiko, deu aos japoneses a oportunidade
de estender esse mito por mais uma geração, pelo menos.
Um
príncipe - O bebê passa a ser o terceiro na linha
sucessória. O primeiro é Nahurito, o filho mais
velho do imperador Akihito, e o segundo, Akishino, o caçula.
Pela lei, só homens podem ascender ao trono, o que criava
um sério problema para a família imperial: Masako,
de 42 anos, esposa de Nahurito, e Kiko, de 39 anos, tinham dado
à luz apenas princesas, não príncipes.
O nascimento
de um menino salvou o país de uma crise constitucional: neste
ano, o governo viu-se obrigado a apresentar no Parlamento uma lei
que permitiria a Aiko, a filha do príncipe herdeiro, assumir
o posto de imperatriz. Com a gravidez de Kiko, a proposta de lei
foi adiada.
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