Política
País quer influência
proporcional à força
econômica

Governo japonês tenta fortalecer
seu papel no cenário internacional

Quando o novo primeiro-ministro japonês Shinzo Abe assumiu o poder em setembro, ele esboçou três movimentos para a área diplomática: estreitar a aliança com os Estados Unidos, alterar a constituição para permitir ações militares e transformar as relações com outros países de forma que a influência do Japão corresponda a seu poder econômico.

Para os Estados Unidos, o Japão representa uma posto estratégico, inclusive geograficamente, no conflito com a Coréia do Norte. Os EUA prontificaram-se como defensores do Japão em caso de um ataque do país vizinho. Diplomatas americanos e japoneses definem uma estratégia para isolar a Coréia do Norte em negociações que envolvem também China, Coréia do Sul e Rússia. Estados Unidos e Japão querem que as Nações Unidas imponham uma punição à Coréia do Norte pelo teste nuclear realizado em outubro pelo ditador Kim Jong-Il.

Shinzo Abe preferiu não esperar pela decisão da ONU e logo após o teste anunciou que cortaria o comércio bilateral com o país vizinho. Para a Coréia do Norte, o embargo significou corte nas importações e a proibição de qualquer embarcação do país atraque em portos japoneses. O ministro japonês das relações exteriores Taro Aso chegou a dizer que o Japão, em reposta à provocação norte-coreana, deveria iniciar um debate sobre a aquisição de armas nucleares. O primeiro-ministro, no entanto, descartou publicamente a idéia.

Membro de uma família influente de políticos, Shinzo Abe pertence ao Partido Liberal Democrático, que está no poder praticamente desde 1955. O Japão é uma monarquia constitucional na qual o imperador Akihito ocupa uma posição definida pela constituição como "símbolo do Estado e da união entre as pessoas". O primeiro-ministro é quem de fato chefia o governo.

Herança - Para melhorar as relações com países asiáticos, o governo japonês precisa superar uma herança deixada por suas ações militares no século 20. China e Coréia do Sul protestam, por exemplo, contra textos de livros escolares que não mencionam atrocidades cometidas em guerra pelos japoneses. Também sentem-se incomodados com as visitas que o primeiro-ministro costumava fazer ao santuário Yasukuni, onde estão enterrados criminosos de guerra, ao lado de milhares de japoneses mortos no conflito mundial.