Economia
Reformas tiram o império
da recessão dos anos 90

Segunda maior economia do mundo
enfim recupera-se da estagnação

Segunda maior economia do mundo, o Japão recupera-se de um período de estagnação e faz ajustes para potencializar sua influência política no cenário mundial. Para os Estados Unidos, o país representa um importante aliado para refrear as ambições de potência nuclear da Coréia do Norte. Para o Brasil, o Japão volta a ser um importante investidor internacional.

Depois de experimentar um crescimento vertiginoso no pós-Guerra, impulsionado principalmente pela indústria eletrônica e automobilística, o país passou por um período recessivo durante toda a década de 90. A crise levou a reformas estruturais profundas tanto no setor privado como no sistema bancário e nas contas públicas, que conseguiram reaquecer a economia a partir de 2003.

Segundo analistas, o aspecto mais animador do atual ciclo de crescimento é o fato de ele ser sustentado pelo consumo interno, e não pelas exportações. "A expansão está sendo liderada pelo investimento das empresas e pelo consumo, estimulado pela recuperação do emprego e dos salários", diz o economista Tadashi Yokoyama, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). As reformas econômicas são um dos pontos centrais do processo de recuperação. Os bancos livraram-se dos créditos podres e estão em melhores condições para financiar investimentos produtivos.

Inovações - Na esfera pública, a política do primeiro-ministro japonês Junichiro Koizumi, substituído em setembro por Shinzo Abe, incluiu privatizações e uma revisão no sistema de bem-estar social, que encareceu o custo da mão-de-obra. As grandes corporações também buscaram adaptar-se e implantaram inovações para aumentar a produtividade. Aboliram traços característicos da cultura corporativa japonesa, como os cargos vitalícios e as promoções com base no tempo de serviço, e transferiram algumas de suas atividades para a China e o Leste Europeu, que oferecem mão-de-obra mais barata.

Investimentos no exterior - Com o reaquecimento da economia, o país voltou a investir no exterior. Em 2005, os japoneses investiram 45 bilhões de dólares em outros países - os Estados Unidos receberam 12 bilhões e a China 6,5 bilhões. Segundo levantamento da Japan External Trade Organization (Jetro), uma entidade governamental, nos últimos seis anos as empresas japonesas investiram cerca de 4 bilhões de dólares no Brasil. Este valor é quase o dobro do que foi aplicado durante toda a década de 90.

Em 2005, o produto interno bruto (PIB) foi de 5 trilhões de dólares. Embora o Japão importe quase todas as matérias-primas e o petróleo que consome, a indústria é o principal motor de sua economia. Carros, computadores, produtos químicos e instrumentos científicos destacam-se entre os produtos de exportação.

A atividade agrícola, que tanto influenciou a história e os costumes do país, é hoje secundária e fortemente subsidiada. Apenas 15% das áreas são cultiváveis e nelas predominam pequenas propriedades. O Japão é auto-suficiente na produção de arroz, ingrediente básico na dieta de sua população, mas importa quase metade dos cereais e praticamente toda a carne que consome.