O período mais remoto da história do povoamento japonês pode ser dividido em três momentos: pré-Jomon (ou pré-cerâmico, que corresponde ao período paleolítico, datado de 30 mil a 10 mil anos atrás), Jomon (cerca de 7500 a 300 a.C.) e Yayoi (300 a.C. a 300 d.C). No século IV da Era Cristã, o clã Yamato unifica os vários Estados do país sob um imperador. Os japoneses mantêm-se durante séculos relativamente isolados do exterior. No século XII, o crescimento da aristocracia militar (os samurais) abala a monarquia. O território passa a ser dominado por xoguns, senhores feudais, que permanecem no poder até o século XIX. Em 1603, o xogum Ieyasu Tokugawa estabelece a capital em Edo (atual Tóquio), proíbe o cristianismo, que começava a florescer por causa dos missionários jesuítas, e fecha o país a estrangeiros. Nos 250 anos seguintes, o único ponto de contato com o Ocidente é um pequeno posto comercial em Nagasaki.

Imperialismo – Na segunda metade do século XIX, o Japão abre os portos ao comércio externo. Em 1868 começa a Era Meiji: assume o imperador Mutsuhito, que abole o feudalismo. Apesar da resistência ao imperialismo ocidental, no fim do século o país dá início à própria expansão. Vence a China na Guerra Sino-Japonesa (1894-1895), em que disputa o controle da Coréia. Com a vitória militar, recebe as ilhas de Taiwan (Formosa) e dos Pescadores, além de volumosa indenização. Por manter o interesse na Coréia, o Japão entra em guerra com a Rússia (1904-1905). Novamente vitorioso, consolida-se como potência e prossegue sua expansão imperialista. Exerce influência sobre Manchúria (na China), Coréia – transformada em colônia em 1910 – e Sakalina (ilha que hoje pertence à Federação Russa). Nos anos 1920, a crise econômica abre caminho para o nacionalismo de direita, que se torna dominante no governo. Em 1931, o Japão invade a Manchúria, onde estabelece o Estado fantoche do Manchukuô, em que o último imperador chinês, Pu Yi, é entronado em 1934.

II Guerra Mundial – O governo militarista japonês alia-se à Alemanha e à Itália em 1940 e ocupa a Indochina francesa no ano seguinte. A expansão militar coloca o Japão em choque com os EUA. Em dezembro de 1941, os japoneses realizam um ataque-surpresa e destroem a esquadra norte-americana ancorada em Pearl Harbor, no Havaí. O Japão toma o sudeste da Ásia e a maior parte do Pacífico Ocidental, mas é derrotado pelas forças aliadas e retira-se das áreas ocupadas. A rendição só ocorre em setembro de 1945, após a explosão das bombas atômicas jogadas pelos EUA nas cidades de Hiroshima e Nagasaki. Os norte-americanos ocupam o Japão até abril de 1952 e impõem uma Constituição e um sistema de governo nos moldes das democracias ocidentais. O Japão assina, em 1954, um tratado de defesa mútua com os EUA, que inclui a instalação de bases militares norte-americanas. Um sistema clientelista garante o domínio do Partido Liberal Democrático (PLD) a partir de 1955.

Crescimento – O período do pós-guerra é marcado por vertiginoso crescimento econômico. Tanto a agricultura de pequena escala quanto a indústria expressam as mudanças na economia. Os produtos de alta tecnologia passam a ser a marca da indústria japonesa, sobretudo a partir da década de 1960. Em 1964, Tóquio sedia os Jogos Olímpicos, ao mesmo tempo que inaugura o trem-bala.

Corrupção – Denúncias de corrupção acompanham a vida política japonesa desde a renúncia e a prisão do primeiro-ministro Kakuei Tanaka, em 1974, mas não põem fim à hegemonia do PLD. Nos anos 1980 irrompe um conflito comercial com os EUA por causa do protecionismo japonês e do desequilíbrio da balança comercial entre os dois países, desfavorável aos norte-americanos. Em janeiro de 1989 morre o imperador Hiroíto, no trono desde 1926, substituído pelo filho Akihito. Em 1993, novas revelações de corrupção provocam cisão no PLD, que perde poder nos anos seguintes, até voltar a chefiar o governo, em 1996.

Crise econômica – O Japão enfrenta uma crise de grandes proporções nos anos 1990. O crescimento da década anterior – assentado na acelerada automação da indústria – levara os bancos a dispor de muitos recursos, que, investidos no mercado imobiliário e na Bolsa de Tóquio, propiciam a supervalorização de ativos (imóveis, ações etc.) conhecida como bolha especulativa. A crise eclode em 1991, quando os preços desses ativos desabam, dificultando o pagamento dos empréstimos feitos. Sem conseguir receber os créditos, o setor bancário é o mais prejudicado. No decorrer da década, o Produto Interno Bruto (PIB) japonês apresenta baixo crescimento. O país não acompanha a revolução tecnológica da informação e das telecomunicações que leva à criação de empresas gigantes nesse setor, sobretudo nos EUA, na Coréia do Sul e em outros países do Sudeste Asiático. Em 1997, os efeitos da crise financeira na região se fazem sentir no Japão, grande investidor nessas nações.

Troca de governo – O primeiro-ministro Keizo Obuchi (PLD) sofre um derrame cerebral em abril de 2000 e morre no mês seguinte, aos 62 anos. Eleições realizadas em junho dão vitória ao PLD. O novo primeiro-ministro, Yoshiro Mori, articula um amplo governo de direita. O fracasso dos pacotes de recuperação econômica derruba a popularidade de Mori. Sob pressão do próprio partido, ele renuncia. Junichiro Koizumi assume a chefia do governo em abril de 2001. Koizumi conta com a simpatia da opinião pública e dos investidores estrangeiros, que aplaudem suas promessas de promover privatizações, adotar reformas no sistema financeiro e reduzir gastos públicos. No novo gabinete, Koizumi deixa de lado a velha-guarda do PLD.

À beira da recessão – O panorama econômico se deteriora em 2001, com a queda das exportações e do consumo interno e o aumento do desemprego, que chega, em meados de 2002, ao recorde de 5,7%. Com o país à beira da recessão, o PIB, em lugar de repetir a taxa de 1,7% de 2000, cai 0,4% em 2001 e 0,7% em 2002. Internamente, as dificuldades são causadas porque o país sofre os efeitos dos sucessivos pacotes de estímulo à economia adotados na década de 1990, que falharam na tentativa de reativar o desenvolvimento e aumentaram a dívida pública – 140% do PIB, a mais alta entre os países industrializados. Koizumi não consegue levar adiante as reformas econômicas prometidas, e os mercados reagem mal às medidas planejadas para deter a deflação e fortalecer o sistema bancário. Brigas de facções no PLD somam-se ao impasse econômico, fazendo a popularidade de Koizumi cair de 80%, quando tomou posse, para menos de 45% em 2002.

Sombras do passado – As ações do Exército japonês nos países que invadiu na primeira metade do século XX são motivo de polêmica dentro e fora do país. Em março de 2001, o Tribunal Superior de Hiroshima anula uma decisão judicial de 1998 que obrigava o governo a pagar uma indenização a três sul-coreanas que integraram o contingente de 200 mil mulheres de vários países asiáticos obrigadas a trabalhar como escravas sexuais dos soldados japoneses durante a II Guerra Mundial. Koizumi visita em agosto um templo em Tóquio que, entre 2,5 milhões de soldados japoneses mortos em combate, homenageia 14 comandantes condenados à pena capital por crimes cometidos na II Guerra Mundial. China e Coréia do Sul protestam contra a visita. Dois dias depois, Koizumi manifesta "profundo arrependimento" pelos males causados pelo Japão a seus vizinhos asiáticos no século XX. Em janeiro de 2003, contudo, volta a visitar o templo. Em agosto de 2002, um tribunal de Tóquio admite oficialmente pela primeira vez que o Exército imperial japonês usou armas bacteriológicas na China durante a II Guerra Mundial.

Sucessão de Koizumi – Em março de 2003, o Japão lança seus dois primeiros satélites-espiões, tornando-se menos dependente dos serviços de informação norte-americanos. No mesmo mês, Koizumi declara apoio à guerra dos EUA contra o Iraque. Em julho, o Parlamento aprova o envio de forças especializadas para auxiliar na reconstrução do Iraque depois dos ataques da coalizão anglo-americana. Apesar dos sinais de virada na crise econômica, Koizumi avança pouco nas reformas e convoca eleições antecipadas em setembro de 2005. A vitória ampla do PLD dá força para o primeiro-ministro enfim concretizar a privatização dos correios do Japão. No ano seguinte, Koizumi dá lugar a Shinzo Abe, novo líder do PLD e chefe do gabinete de governo do primeiro-ministro. Aos 52 anos, é o mais jovem líder japonês desde a II Guerra. Ele assume com a promessa de um papel global mais importante para o Japão, inclusive com a possibilidade de revisão da constituição pacifista de 1947.