Na Antigüidade, a região que daria origem à Itália foi também o berço do Império Romano, responsável pela difusão da língua e da cultura latinas pelo mundo. Roma preservou importantes monumentos do período, como o Coliseu e o Panteão. Encravado na capital italiana, está o estado do Vaticano, sede da Igreja Católica - instituição com forte participação na vida nacional. Durante o Renascimento, o país tornou-se centro de irradiação científica e cultural. As principais cidades italianas abrigam um patrimônio histórico e artístico de valor incalculável, o que atrai mais de 35 milhões de turistas anualmente.

Uma das principais potências econômicas do mundo, a Itália apresenta grande disparidade interna: o norte é bastante industrializado, enquanto o sul é agrícola e mais pobre. A marca de sua história política recente é a instabilidade: 59 gabinetes já se sucederam desde o fim da II Guerra Mundial, em 1945.


Os principais momentos da Itália

O poderoso Império Romano surgiu e se expandiu a partir da Itália central, na Antigüidade. No século V, com as invasões bárbaras, a península se fragmentou em estados independentes. Após dois séculos de poder de reis lombardos (568-774), o franco Carlos Magno dominou a península e foi coroado imperador romano pelo papa em 800. Nos séculos XII e XIII surgiram poderosas cidades-estados, como Milão, Pisa, Gênova e Florença, que, com o estado pontifício, mantinham a hegemonia sobre a península.

Renascimento - Os séculos XIV e XV foram o apogeu do Renascimento italiano, que marcou as artes e a cultura em toda a Europa. Em 1494, o rei francês Carlos VIII conquistou a região, iniciando um período de invasões que perdurou até o século XIX. Partes da Itália caíram em mãos de franceses, espanhóis e austríacos. Na Sicília, a ocupação estrangeira levou à formação, já na época feudal, da máfia - organização criminosa baseada em laços familiares, que, no século XIX, controlou a zona rural. O Congresso de Viena (1815) dividiu península Itálica entre os Habsburgo austríacos (Veneza e Lombardia), a casa de Savóia (Ligúria), os Bourbon (Parma, Nápoles e Sicília) e o papado (estados pontifícios).

Unificação - Na primeira metade do século XIX teve início a unificação da Itália, com o Risorgimento (ressurgimento), movimento liberal e nacionalista. A primeira fase - marcada por revoltas e ações terroristas conduzidas por sociedades secretas, como a dos Carbonários - teve como principal figura Giuseppe Mazzini e terminou com a derrota dos republicanos, em 1848. Na segunda fase, a liderança foi dividida entre os monarquistas do Piemonte, chefiados por Camilo di Cavour, e as tropas do guerrilheiro republicano Giuseppe Garibaldi. Ajudados pela França, os piemonteses derrotaram os austríacos no norte, e Garibaldi expulsou os Bourbon de Nápoles e da Sicília.

O novo estado nasceu em 1861, com a proclamação de Vittorio Emanuele II, rei da Sardenha e Piemonte, como soberano da Itália. A anexação de Veneza, em 1866, e dos estados pontifícios, em 1870, completou a unificação italiana. Em 1900, com o assassinato do segundo rei italiano, Umberto I, por um anarquista, subiu ao trono Vittorio Emanuele III. O início do século XX foi marcado pelo realinhamento externo do país: em 1915, durante a I Guerra Mundial, a Itália abandonou a Alemanha e a Áustria-Hungria e passou para o lado da França e do Reino Unido.

Fascismo - Com o fim do conflito, o país foi sacudido por agitações sociais - a esquerda revolucionária liderou ocupações de fábricas no norte. A crise econômica levou ao crescimento do fascismo, movimento de massas nacionalista e autoritário. Em 1922, depois de uma marcha de milícias fascistas em Roma, liderada por Benito Mussolini, o rei o convocou para chefiar o governo. As instituições foram relativamente preservadas até 1929, quando foi estabelecido regime de partido único, sob o comando de Mussolini. O líder organizou empresários e trabalhadores em corporações controladas pelo estado. As greves foram proibidas e várias indústrias, estatizadas. No plano externo, a Itália fascista conquistou a Abissínia (atual Etiópia), em 1936, e se aliou à Alemanha nazista e ao Japão, formando o Eixo.

II Guerra Mundial - Mussolini declarou guerra à França e ao Reino Unido em 1940. As derrotas militares dos italianos na Grécia e na África enfraqueceram sua posição na II Guerra Mundial e culminaram com o desembarque dos Aliados - França, Reino Unido e Estados Unidos (EUA) - na Sicília, em 1943. No mesmo ano, Mussolini foi deposto, e o governo foi entregue ao marechal Badoglio, que firmou a paz com os Aliados e declarou guerra à Alemanha. Hitler invadiu o norte da Itália em apoio a Mussolini, que formou a efêmera República de Salò. Os alemães foram expulsos em 1945 por tropas aliadas auxiliadas por guerrilheiros italianos. Mussolini foi preso e executado.

República - Em maio de 1946, o rei Vittorio Emanuele III abdicou em favor do filho, Umberto II. Três semanas depois, um plebiscito decidiu pela implantação da República, e a família real foi obrigada a deixar o país. Beneficiada pelo Plano Marshall (plano de recuperação econômica da Europa patrocinado pelos EUA), a Itália experimentou período de crescimento econômico nas décadas de 1950 e 1960. A nação participou da fundação da Comunidade Econômica Européia (CEE), atual União Européia (UE), em 1957.

A decisão da Democracia Cristã (DC) de manter-se no poder e excluir os comunistas - que formavam o segundo partido político italiano - provocou instabilidade permanente. Na década de 1970, a recessão e a crise financeira minaram o estado. Em 1976, o líder democrata-cristão Giulio Andreotti formou governo minoritário em coalizão com vários pequenos partidos, incluindo o Socialista. Em 1978, o ex-primeiro-ministro democrata-cristão Aldo Moro foi assassinado por terroristas das Brigadas Vermelhas, de extrema esquerda. Dois anos depois, um atentado da extrema direita fez 84 mortos e deixou cerca de 200 feridos numa estação ferroviária de Bolonha.

Operação Mãos Limpas - Acusações de tráfico de influência da Loja Maçônica P-2, de Licio Gelli, e a falência fraudulenta do Banco Ambrosiano, ligado ao Vaticano, derrubaram governos em 1981 e 1982. Em 1983, Bettino Craxi tornou-se o primeiro socialista a formar um governo na Itália. O Partido Comunista Italiano (PCI) renunciou ao marxismo em 1991 e mudou o nome para Partido Democrático da Esquerda (PDS). Movimentos de direita que defendiam a independência do norte industrializado formaram a Liga Norte (LN) e ganharam força nas eleições regionais.

A partir de 1992, a Itália mergulhou na Operação Mãos Limpas, um enorme esforço da Justiça, iniciado pelo promotor Antonio di Pietro, para combater a corrupção. Os magistrados descobriram tráfico de influência e corrupção em todos os níveis da vida nacional. Líderes políticos, ex-chefes de governo, como Giulio Andreotti e Bettino Craxi, e empresários poderosos foram parar no banco dos réus. O resultado foi a implosão do sistema político do pós-guerra.

I Governo Berlusconi - Em março de 1994, o magnata da imprensa Silvio Berlusconi venceu as eleições e liderou um governo de coalizão que reuniu seu partido, Força Itália (FI), a xenófoba LN e os neofascistas da Aliança Nacional (AN). Em outubro, cerca de 3 milhões de pessoas protestaram contra o projeto de orçamento de Berlusconi, que previa cortes nos gastos sociais. Uma greve geral paralisou o país. Berlusconi renunciou em janeiro de 1995 e foi substituído por Lamberto Dini, ex-ministro do Tesouro. Em 1996, os ex-primeiros-ministros Berlusconi e Craxi foram a julgamento, acusados de violação da lei de financiamento público dos partidos, e foram condenados.

Ex-comunistas no poder - A coligação de centro-esquerda A Oliveira, liderada pelo economista Romano Prodi, venceu as eleições parlamentares de 1996. Para governar, ele se juntou a ex-comunistas. Em 1998, o PDS mudou seu nome para Democratas de Esquerda (DS), na tentativa de aglutinar várias facções da esquerda. Divergências sobre o orçamento levaram à renúncia de Prodi, em outubro de 1998. Nova coalizão de centro-esquerda elegeu como primeiro-ministro Massimo D'Alema (líder do DS), primeiro ex-comunista a ocupar o cargo.

A Itália adotou o euro, a moeda da UE, em janeiro de 1999. Em abril, o frágil equilíbrio do gabinete de D'Alema se desfez, e ele renunciou. O socialista Giuliano Amato assumiu o posto, em nova coalizão de centro-esquerda.

II Governo Berlusconi - A coalizão de direita Casa da Liberdade - liderada pela Força Itália, de Silvio Berlusconi, que incluia a LN e a AN - obteve ampla vitória nas eleições parlamentares de maio de 2001. Berlusconi voltou à chefia do governo, dando prioridade à drástica redução de impostos, à criação de empregos e ao severo controle da imigração. Em 2002, milhões de pessoas se manifestaram contra a reforma trabalhista, que pretendia facilitar as demissões. Semanas depois, o Parlamento aprovou uma rígida lei de imigração, denominada Bossi-Fini, que restringia a possibilidade de entrada de imigrantes e previa a rápida expulsão dos ilegais.

Berlusconi processado - Em novembro foi aprovada lei que permitia a réus em casos de corrupção solicitar a transferência do processo para outra cidade, se considerassem que os juízes eram tendenciosos. A medida beneficiou Berlusconi, que enfrentava várias ações judiciais. Em abril de 2003, começou o julgamento do primeiro-ministro, acusado de ter subornado um juiz em 1985, por ocasião da compra de uma empresa estatal de alimentos. Em junho, o julgamento foi suspenso, em virtude da aprovação de projeto de lei que dava imunidade legal aos titulares dos cinco mais altos postos do governo.

Em dezembro de 2004 Berlusconi foi absolvido pela Suprema Corte da acusação de suborno. Em novembro de 2006, contudo, voltou a ser julgado, dessa vez por fraudes fiscais e lavagem de dinheiro.

Novo governo - A derrota do governo nas eleições gerais de abril de 2005, levou Berlusconi a renunciar no mesmo mês. A pedido do presidente Ciampi, porém, ele permaneceu no cargo interinamente e, dois dias depois, foi convocado a formar novo gabinete, que recebeu voto de confiança do Parlamento ainda em abril. Nova crise atingiu o governo com a renúncia de Antonio Fazo, presidente do banco central. Fazo foi acusado de ter favorecido um amigo na disputa pela aquisição do banco Antonveneta.

Eleições - Em janeiro de 2006, a Itália confirmou a retirada de seus 3.000 soldados do Iraque até o fim do ano. As eleições parlamentares de abril foram polarizadas entre a Casa da Liberdade, coalizão de centro-direita de Berlusconi, e a União, bloco de centro-esquerda liderado pelo ex-primeiro-ministro Romano Prodi. Com margem de apenas 0,1%, a coalizão de Prodi venceu o pleito, conquistando 348 das 630 cadeiras na Câmara dos Deputados. A coalizão de centro-esquerda venceu também no Senado (158 de 315 cadeiras). Em maio, Giorgio Napolitano foi eleito presidente pelo Parlamento e tornou-se o primeiro ex-comunista a chegar à chefia do estado. No mesmo mês, Prodi assumiu como primeiro-ministro. Em referendo realizado em junho, a população votou contra o projeto que garantiria maior autonomia às regiões e fortaleceria os poderes do primeiro-ministro.

Crise política - Em fevereiro de 2007, o Senado vetou proposta do governo de manter cerca de 1.900 soldados italianos no Afeganistão e permitir a expansão de uma base militar norte-americana em Vicenza, no norte da Itália. A derrota levou à renúncia de Prodi, mas o presidente Napolitano pediu sua permanência. Para resolver o impasse, Prodi foi submetido a voto de confiança no Senado. Ele venceu e continuou no poder. No mês seguinte, o Senado aprovou a missão militar no Afeganistão. Apesar da vitória de Prodi, o episódio mostrou a fragilidade da coalizão de centro-esquerda que sustentava o governo. Para fortalecer a aliança governista, o DS, maior partido da base, resolve unir-se à Margarida, formando o Partido Democrata (PD), em abril.

III Governo Berlusconi - Após a entrada da Romênia na União Européia, em janeiro de 2007, milhares de cidadãos desse país se dirigiram à Itália em busca de trabalho. Em novembro, um romeno foi acusado de ter agredido sexualmente e assassinado uma mulher em Roma. O episódio desencadeou protestos contra a imigração, e o governo emitiu um decreto que determinou a expulsão de imigrantes vindos de países da UE que ameaçassem a segurança pública. Ainda em novembro, Berlusconi anunciou a dissolução da Força Itália e sua substituição por um novo partido. Em abril de 2008, após a renúncia de Prodi, Berlusconi foi eleito pela terceira vez para o cargo de primeiro-ministro.