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População
envelhece e imigração causa polêmica Com
a 4ª maior média etária do mundo, país vive surto
antiimigração As
disparidades observadas entre os habitantes do norte e do sul da Itália
ou mesmo no idioma fragmentado em inúmeros dialetos não são
percebidas com a mesma intensidade quando o assunto é identidade nacional.
Destino de turistas do mundo todo, a Itália dispõe dos mais variados
cartões-postais: dos canais de Veneza à torre de Pisa, da badalada
Capri à tradicional Nápoles, das passarelas de Milão às
ruínas de Roma, os cenários contrastantes são grandes atrativos
para os visitantes. Porém, apesar de oferecer tamanha diversidade cultural,
a Itália ainda conserva uma unidade que torna cada cidade, cada pequeno
povoado, indiscutivelmente italianos. O passado milenar compartilhado pela sociedade,
aliado à inevitável influência da sede da Igreja Católica,
no Vaticano, traz consigo uma certa homogeneidade ao país, que é
percebida em seus prédios antigos, museus, ruínas e igrejas. Como
não poderia deixar de ser, a sucessão dos séculos deu origem
a um povo peculiar, baseado essencialmente na arte, na história e na religião
católica. Essas características são facilmente percebidas
em cidades turísticas como Florença, centro artístico italiano,
ou Roma, berço da civilização ocidental. O
passar dos anos, responsável por essa imagem de um país que transpira
a própria história, também é sentido no envelhecimento
da população. A média de idade dos italianos (42,9 anos)
é a quarta maior do mundo, atrás apenas de Mônaco, Japão
e Alemanha. Dos 59 milhões de habitantes, 20% têm 65 anos ou mais,
número consideravelmente maior do que a faixa abaixo dos 15 anos: 13,6%.
Com tamanha deformação da pirâmide etária, a Itália
possui uma das mais baixas taxas de crescimento populacional do mundo, a 0,019%
ao ano. Junto a isso, o modelo de previdência inadequado dos italianos,
torna-se, inevitavelmente, um peso para a economia. Mas
o que aparentemente poderia ser uma solução para o desequilíbrio
da pirâmide populacional acaba sendo motivo de polêmica. Em 2007,
um levantamento elaborado pelo Ministério do Interior constatou que a idade
média dos estrangeiros residentes na Itália era de 30,4 anos, mais
de dez anos abaixo da média dos nativos. A maior parte dos imigrantes é,
portanto, constituída de crianças ou de pessoas na camada economicamente
ativa e em idade reprodutiva. Apesar disso, a presença estrangeira (5%
da população) tem sido motivo de repulsa e repressão, em
razão de alguns atos criminosos cometidos por imigrantes. A hostilidade
tem sido dirigida principalmente aos romenos, que representam 15% dos estrangeiros
na Itália. O surto antiimigrante começou no final de 2007, quando
uma italiana foi espancada até a morte em Roma. O homem acusado pelo assassinato
era romeno e cigano. Em maio do ano seguinte, o país viveu drama semelhante:
um acampamento cigano em Nápoles foi incendiado após uma romena
ser acusada de roubar um bebê de uma italiana. Para
agravar o quadro, os italianos têm sido pressionados a atender as exigências
da União Européia. Com uma tradição de facilitar a
concessão de cidadania, a Itália havia criado uma vantagem para
seus descendentes em relação aos de outros países do bloco.
Além disso, o fato de integrar o Espaço Schengen, que prevê
a livre circulação de pessoas entre a maior parte dos países
europeus, facilitou a entrada de estrangeiros não só na Itália,
como no resto do continente. Os efeitos foram sentidos até mesmo além-mar,
já que os Estados Unidos não exigem visto de entrada para pessoas
oriundas da União Européia. As
tentativas da Itália em se enquadrar nos moldes do velho continente chegaram
a ser associadas à xenofobia, principalmente após episódios
como o de uma operação realizada em maio de 2008, que prendeu quase
400 imigrantes ilegais no país. Alguns políticos, cientes da importância
da questão para os italianos e ávidos por mais votos, manifestaram-se
claramente contrários à imigração. O país tem
adotado, portanto, uma nova postura no tocante às suas fronteiras. Outrora
centro do Império Romano do Ocidente e afluência de povos dos quatro
cantos da Antigüidade, a Itália de hoje fecha suas portas. Os tempos
são outros. Seus muros conservam a história milenar que os erigiu,
mas já não são mais todos os caminhos que levam a Roma. | |