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Sociedade
e cultura
Os
grupos extremistas não
estão só do outro lado
Grupos
radicais tentam frear concessões.
Árabes têm convivência difícil
No
dia 4 de novembro de 1995, um universitário israelense de
24 anos disparou três tiros contra o então primeiro-ministro
Yitzhak Rabin. Yigal Amir que foi condenado à prisão
perpétua pertencia a um grupo da ultradireita religiosa
israelense que se opunha ao acordo de paz firmado por Rabin com
os palestinos dois anos antes. Pelo acerto, os israelenses iniciariam
uma lenta e cuidadosa retirada dos territórios ocupados,
permitindo o retorno dos palestinos a Gaza e à Cisjordânia
e transferindo-lhes paulatinamente controle sobre aqueles territórios.
O estudante Amir acreditava que Israel fizera concessões
demais aos vizinhos. O episódio ilustra o grau da divisão
existente entre os israelenses.
A
nação israelense tem uma configuração
incomum: é um Estado que se confunde com uma religião,
a judaica. A despeito disso, a liberdade de credo é garantida
aos cidadãos. Mas justamente por ser construído com
essa argamassa, o país vive o choque de posições
religiosas e políticas, que competem na condução
do destino nacional e espiritual. O judaísmo, que
traz consigo uma vasta cultura milenar, fracionou-se em correntes:
ortodoxos, ultra-ortodoxos, conservadores, renovados e reformados,
entre outros. Do ponto de vista da ação política,
observa-se fenômeno semelhante.
Lar
divino Dessa forma, toda vez que governos tentam caminhar
para a paz lado a lado com os palestinos, surgem fortes resistências
entre os próprios israelenses. No mundo político,
os membros do Likud, partido de direita, opuseram-se durante anos
à concessão de direitos aos palestinos. Minavam, assim,
todas as operações do Partido Trabalhista do
qual Yitzhak Rabin era um expoente. Por sua vez, quando o então
primeiro-ministro Ariel Sharon, um dos mais duros líderes
do Likud, decidiu entregar as chaves de Gaza à administração
palestina, em 2005, foi duramente atacado por boa parte dos compatriotas.
Os
israelenses assentados nos territórios ocupados sentiram-se
traídos pela decisão de Sharon. Afinal, eles haviam
se instalado em Gaza (e também na Cisjordânia) devido
a incentivos e subsídios de sucessivos governos de Tel Aviv.
Para os mais religiosos, havia ainda um agravante: Gaza fazia parte
do contrato imobiliário irrenunciável confiado pelo
próprio Jeová ao povo de Israel. Como entregar, então,
aquela terra aos homens de Alá? Diante da ira de membros
de sua própria tribo, um Sharon acuado queixou-se: "Eu passei
toda a minha vida defendendo os judeus. Agora, tenho de me defender
dos judeus."
Vida
árabe É precária a situação
dos árabes que permaneceram em Israel e também daqueles
que vivem nos territórios ocupados pelos israelenses desde
1948. Assim que os conflitos começaram, palestinos migraram
em massa para Gaza em busca de abrigo. Atualmente, a Faixa é
também símbolo de resistência, mas também
de pobreza, desemprego e da falta de perspectivas. Até 2000,
quando teve início a mais recente Intifada revolta
contra a ocupação , mais de 30 mil palestinos
cruzavam todos os dias a fronteira sul de Israel em busca de trabalho
no Estado judeu. Porém, com o aumento da violência
e de ataques terroristas, bloqueios foram levantados na passagem.
A medida dificultou o trânsito de trabalhadores e ocasionou
a extinção de postos de trabalho entre os palestinos.
A renda local caiu bruscamente.
No
limite, o projeto israelense é isolar-se da população
árabe. Pretende, dessa forma, evitar eventuais ataques terroristas
contra a sua população. Uma das medidas em curso nesse
sentido é a construção de um gigantesco muro
que pretende isolar a Cisjordânia: serão quase 700
quilômetros de puro concreto e polêmica. A construção
foi criticada dentro e fora de Israel. Em 2005, a Corte Internacional
de Justiça de Haia determinou a interrupção
da construção, alegando que o traçado do muro
separaria comunidades e até mesmo famílias
a exemplo do que produziu na Alemanha o Muro de Berlim nos tempos
de Guerra Fria. A Justiça israelense recusou a decisão
e manteve a construção.
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