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Política
e diplomacia
Em
busca da sobrevivência.
E com vizinhos hostis
Israel,
com 6 milhões de habitantes,
fica entre 344 milhões de árabes
Cercados
por 344 milhões de árabes, os 6 milhões de
israelenses mantêm com seus vizinhos relações
que oscilam bruscamente entre a diplomacia e a violência –constantemente,
os atos de ambos os lados pendem para o segundo ponto. O moderno
Estado judeu nasceu em 1948, mesmo ano em que floresceram as sementes
das discórdias locais, cujas raízes têm, literalmente,
origens milenares. Desde então, tomando a iniciativa ou apenas
reagindo, Israel avançou sobre terras na Palestina oficialmente
destinadas aos árabes. Nos lances mais recentes deste belicoso
xadrez, porém, seus dirigentes deram mostras de que pretendem
voltar às fronteiras originais de seu Estado – definidas
pela ONU em 1947 –, encastelando-se em seu território altamente
fortificado contra agressores.
Árabes
e judeus reivindicam o privilégio de haver pisado primeiro
na Palestina. Para compreender os problemas atuais, porém,
é explicativo retroceder até o final do século
XIX, quando teve início o movimento Sionista – que defendeu
a criação de um Estado judeu na Palestina. Vale observar
que, em 1918, a região tinha 700.000 habitantes: 644.000
árabes (574.000 muçulmanos e 70.000 cristãos)
e apenas 56.000 judeus. De qualquer forma, para lá migraram
milhares deles. Fundado oficialmente no dia 14 de maio de 1948,
o Estado judeu foi atacado no mesmo ano por uma liga de nações
árabes que não aceitava sua existência. Ao final
do conflito, Israel não só estava de pé, mas
expulsara milhares de árabes de suas casas. Em 1967, nova
investida israelense, que passou a controlar uma fina fatia de terra
ao sul da Palestina, chamada de Gaza, e também uma porção
central, a Cisjordânia. Cerca de 800.000 palestinos fugiram
ou foram expulsos, e Israel iniciou a colonização
dos espaços deixados, fixando milhares de colonos nos territórios
ocupados.
A
entrada do Líbano na rota de colisão com Israel começou
a ser pavimentada em 1968. Com a expulsão de suas casas,
os palestinos se refugiaram no sul libanês. Isso fez com que,
aos poucos, ganhasse força no país uma instância
de defesa dos refugiados, a Organização para a Libertação
da Palestina (OLP). Em 1975, explodiu a guerra civil libanesa, que
perduraria pelos 15 anos seguintes. O conflito envolveu a OLP e
milícias cristãs e muçulmanas. Em 1982, Israel
invadiu o sul do país, reagindo a ataques palestinos – os
israelenses só retrocederiam em 2000. Como reação
à presença israelense, nasceu o grupo de inspiração
xiita Hezbollah, com forte atuação política
e também armada, impondo inúmeros ataques a Israel
e ações consideradas terroristas.
Política
doméstica – Nos momentos mais cruciais de sua história,
Israel apareceu unido para enfrentar o adversário externo.
Isso não quer dizer, porém, que não haja divergências
internas. Durante boa parte de sua existência moderna, o país
viu o poder nacional disputado por dois protagonistas: o Partido
Trabalhista e o direitista Likud. Um dos flashs mais ilustrativos
da força dessas duas correntes pôde ser obtido na disputa
parlamentar de 1996, em que estavam em pauta questões delicadíssimas,
como o fim da ocupação do Líbano e a negociação
com palestinos acerca dos territórios ocupados.
Os
trabalhistas, representados por Shimon Peres, propunham a negociação
com os árabes. Já o Likud, liderado por Benyamin Netanyahu,
abusou de imagens de ônibus atingidos por bombas do Hezbollah
para enfatizar os percalços do processo de paz. O primeiro
dizia que endurecer com os palestinos só levaria a uma escalada
de violência; o outro garantia que Israel já havia
concedido demais aos árabes. Por fim, atentados terroristas
provocados por facções islâmicas às vésperas
das eleições acabaram por empurrar o cargo de primeiro-ministro
para os braços do Likud.
Esperança
– Em 1993, o mundo assistiu esperançoso a um aperto de
mãos entre o então premiê israelense, Yitzhak
Rabin, e o então presidente da OLP, Yasser Arafat. Nos Estados
Unidos, eles assinaram a "Declaração de Princípios
sobre as Disposições Interinas de Auto-Governo". Foi
lançada ali a rota da paz, seguida até hoje, apesar
de inúmeros desvios: entrega para a administração
palestina de parte da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. No dia
1º de Julho de 1994, Arafat entrou em Gaza, depois de décadas
de exílio.
Desde
o acordo, o processo de paz atravessou inúmeras paralisações.
Em 2000, explodiu em Gaza a segunda Intifada, revolta palestina
contra a ocupação israelense, que desaguou em repressão
das forças de segurança de Israel nas ruas palestinas
e também em ataques à bomba contra civis israelenses.
Assim mesmo, Israel encerrou a retirada de sua população
de Gaza em 2005. No plano externo e doméstico, a grande discussão
passou a ser o destino da Cisjordânia, onde vivem 250.000
colonos judeus e 2,3 milhões de palestinos.
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