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Uma volta ao primeiros anos da revolução islâmica Ahmadinejad
encerra um ciclo que prometia abertura Eleito
em junho de 2005, o novo presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, de 50
anos, ultraconservador, anunciou desde o primeiro dia de seu mandato que levaria
adiante o programa nuclear iraniano. Quatro meses depois de assumir, colocou um
ponto final em qualquer esperança de moderação e afirmou
que "Israel deve ser riscado do mapa" e prometeu lutar para que os políticos
muçulmanos que defendem o reconhecimento do Estado judeu "queimem
na ira de seus povos". As ameaças, feitas em uma conferência
em Teerã denominada "O mundo sem sionismo", parecem confirmar
o temor de que o Irã desistiu das tentativas de restabelecer relações
normais com o restante do mundo e pretende voltar ao furor fanático dos
primeiros anos da revolução islâmica - e justamente no momento
em que o país está desenvolvendo um programa nuclear. No
início de janeiro de 2006, o Irã removeu os selos internacionais
de sua usina de enriquecimento de urânio e anunciou o recomeço de
suas pesquisas nucleares. A decisão pôs fim a dois anos de suspensão
voluntária, acertada em um acordo com países da Europa e a Agência
Internacional de Energia Atômica, órgão das Nações
Unidas, e só pode ser interpretada de uma maneira: os aiatolás querem
ter armas atômicas, independentemente se sanções internacionais.
Sem
abertura - A idéia de colocar tecnologia nuclear nas mãos do
presidente Ahmadinejad, o mesmo que diz que o holocausto é uma mentira
dos judeus, é assustadora. Combinação de fanático
e populista, eleito com o voto dos miseráveis da periferia das cidades
iranianas, Ahmadinejad esforça-se para sepultar o que restou da tímida
abertura ao mundo exterior ensaiada por seu antecessor, Mohammed Khatami. O
Irã sustenta que seus esforços são modestos e pacíficos.
Oficialmente, o urânio será enriquecido a apenas 5%, potência
suficiente para acionar usinas geradoras de energia elétrica, mas bem abaixo
dos 90% exigidos para armar uma bomba. O problema é que a tecnologia empregada
em ambos os casos é a mesma. Durante dezoito anos, os aiatolás mantiveram
em segredo suas atividades nucleares, até ser denunciados por dissidentes
em 2002. Nesse período, negociaram com Abdul Qadeer Khan, o pai da bomba
atômica do Paquistão, que também vendeu projetos nucleares
à Coréia do Norte e à Líbia. O Irã ainda colabora
com a Coréia do Norte para desenvolver mísseis de longo alcance,
capazes de levar artefatos nucleares. É um conjunto de atitudes sinistras.
Confronto
- Da mesma forma que George W. Bush quer espalhar a democracia pelo mundo,
Ahmadinejad e sua turma estão comprometidos com a missão de expandir
a revolução islâmica. Do ponto de vista deles, isso significa
principalmente libertar as populações xiitas no restante do mundo
islâmico. É difícil determinar por que os aiatolás
decidiram afrontar o mundo exatamente agora, mas há algumas pistas. Uma
delas é a relativa tranqüilidade. Seu maior inimigo, o Iraque, não
apenas foi colocado de joelhos pelos Estados Unidos, como agora é governado
por religiosos xiitas, gente que busca inspiração nos turbantes
negros do Irã. Outro
motivo é econômico: com a quarta maior produção de
petróleo do mundo, os iranianos confiam que os países industrializados
vão relutar em aprovar sanções comerciais contra eles, temendo
uma alta no preço dos combustíveis. Não há muito que
a comunidade internacional possa fazer de efetivo para dobrar os fanáticos
com renda petrolífera anual de 50 bilhões de dólares - exceto,
evidentemente, iniciar uma guerra. Os Estados Unidos e os principais países
da Europa levaram o caso para o Conselho de Segurança da ONU, onde se votou
pela aplicação de sanções econômicas e diplomáticas. Enriquecimento
- Em abril de 2006, contrariando um ultimato do Conselho de Segurança
das Nações Unidas, o país anunciou que iria avançar
em seu programa nuclear - com fins obscuros e mantê-lo longe dos olhos dos
inspetores internacionais. O governo de George W. Bush viu minguar suas tentativas
diplomáticas de fazer o Irã colaborar e, ao menos nos corredores
da Casa Branca e do Pentágono, já começava a discutir seriamente
a possibilidade de uma ação militar. O presidente iraniano fez um
anúncio que deixou a situação ainda mais tensa: o Irã
conseguiu enriquecer urânio pela primeira vez, em sua usina de Natanz, entrando
para o clube dos países que dominam uma tecnologia essencial tanto para
gerar energia nuclear quanto para construir bombas atômicas. Nos
próximos anos, os iranianos planejam aumentar o número de centrífugas
do país de 164 para 54.000, dando início à produção
de combustível nuclear em escala industrial. O urânio iraniano foi
enriquecido a 3,5%, potência suficiente para alimentar apenas usinas elétricas,
muito abaixo dos 90% necessários para fabricar armas atômicas. Há
poucos motivos para acreditar que o Irã ficará nisso. O país
escondeu suas pesquisas nucleares por duas décadas, comprou secretamente
tecnologia nuclear do cientista que criou a bomba atômica do Paquistão
e hoje colabora com a Coréia do Norte no desenvolvimento de mísseis
para carregar ogivas nucleares. Não seria tão grave se o país
não fosse governado por uma claque de fanáticos religiosos - o presidente
Ahmadinejad é conhecido como "o maluco do apocalipse". Por essas
e outras, o Irã não hesitará em montar sua bomba atômica
- e isso pode ocorrer dentro de pouco mais de quatro anos. Veto
- O governo do Irã vetou em janeiro de 2007, a entrada de 38 inspetores
do órgão de fiscalização nuclear da ONU, a Agência
Internacional de Energia Atômica (AIEA). A proibição foi represália
às sanções impostas a Teerã pelo Conselho e Segurança
da ONU. Elas baniram a venda de materiais e tecnologia que possam ser usados no
programa nuclear e nos programas de mísseis iranianos. Além disso,
foram congelados os bens de companhias e indivíduos iranianos no exterior. Segundo
o chefe da Comissão de Assuntos Externos e Segurança Nacional do
Parlamento do Irã, Alaeddin Boroujerdi, "o Irã decidiu não
dar permissão de entrada para 38 inspetores da AIEA e anunciou esta limitação
para a AIEA oficialmente". | |