VEJA Recomenda
Música (CDs e DVDs)

Obras britânicas indicadas pela revista nos
últimos anos, na seção VEJA Recomenda

CDs

London Calling, The Clash (Sony) — Muito já se falou sobre London Calling, terceiro disco do quarteto inglês The Clash. A rebeldia do movimento punk encontrou sua melhor forma nesse petardo musical. Gravado em 1979, o álbum passeia por vários estilos, do reggae ao jazz. As letras falam de revolução e do caos político da Inglaterra nos anos 70, ou tecem críticas à sociedade de consumo. Nessa caprichada edição tripla encontram-se, além do disco remasterizado, um DVD com um pequeno documentário sobre London Calling e um registro das primeiras sessões de gravação do álbum. Esse material raro, batizado de Vanilla Tapes, ficou perdido por anos. Mick Jones, o líder do Clash, descobriu as fitas por acaso, ao mudar a posição de um móvel em sua casa.

Rarities 1971-2003, Rolling Stones (EMI) — O quarteto liderado pelo vocalista Mick Jagger e pelo guitarrista Keith Richards sabe como poucas bandas de rock combinar música e negócios. Para incrementar sua nova turnê, que chega ao Brasil no dia 18 de fevereiro, o grupo inglês está lançando essa coletânea de raridades em parceria com uma rede de cafés americana. O disco é um prato cheio para os fãs: traz faixas ao vivo, sobras de estúdio e remixes. Entre os destaques estão Beast of Burden, gravada ao vivo na turnê de 1981 dos Stones, e Through the Lonely Nights, balada que ficou de fora do disco It’s Only Rock’n’Roll (1974) — e é superior a muita coisa daquele álbum. Outro bom momento é Thru and Thru, que passou despercebida no CD Voodoo Lounge (1994) e ganhou notoriedade ao ser incluída na trilha do seriado Os Sopranos.

The Kids Are Alright, The Who (de Jeff Stein; Inglaterra, 1979. BMG) — Esse é um melhores documentários já realizados sobre o dia-a-dia de uma banda de rock. O diretor Jeff Stein gravou um show do Who para um público restrito e fez entrevistas hilárias com os integrantes do quarteto (a melhor é a do baterista Keith Moon, que dá seu depoimento enquanto é chicoteado por uma mulher em trajes sadomasoquistas). Além disso, Stein completou o material com raridades saídas do arquivo da banda. O resultado mostra por que The Who foi uma das maiores bandas do rock inglês. Eles eram músicos fantásticos e tinham um humor afiadíssimo. Essa edição especial traz mais de 1 hora de material inédito, além de ter uma sonoridade impecável.

Flat-Pack Philosophy, Buzzcocks (Deckdisc) — O quarteto inglês é a prova de que os punks também eram sujeitos sensíveis. Surgido em Manchester, o Buzzcocks se destacava pelas letras quase-românticas do guitarrista e vocalista Pete Shelley. Uma amostra desse viés é Even Fallen in Love, canção que estourou nas paradas dos anos 80 ao ser regravada pelo grupo pop Fine Young Cannibals. A primeira encarnação do Buzzcocks durou de 1975 a 1981. Oito anos depois, Shelley e o guitarrista Steve Diggley retomaram a carreira para lançar discos com a mesma energia, mas agora temperados pela maturidade. Se antes Shelley falava de amor como um adolescente, hoje ele discorre sobre as dores adultas. Reconciliation e I’ve Had Enough, duas das melhores faixas do CD, são exemplos desse avanço lírico.

Collected, Massive Attack (EMI) — Formado pelos DJs Andrew “Mushroom” Vowles e Grant “Daddy G” Marshall e pelo grafiteiro Robert del Naja, o grupo inglês foi o criador do “trip hop”, gênero que deu ao hip hop americano um andamento menos frenético. Mas o trio investiu também em outros gêneros musicais, como o reggae, e tem o hábito de recrutar intérpretes do primeiro time — como Elizabeth Fraser, vocalista do extinto grupo Cocteau Twins. Collected resume os dezoito anos do trio em dois CDs. Um deles traz hits como Protection, enquanto o outro apresenta faixas raras e canções inéditas. A edição americana trazia ainda um terceiro CD, contendo os clipes do grupo — opção que foi ignorada pela EMI brasileira.

Chaos and Creation in the Back Yard, Paul McCartney (EMI) — De tempos em tempos, o cantor e compositor inglês lança um disco autoral, em que toca todos os instrumentos e assina todas as músicas. Foi assim com McCartney (1970) e McCartney II (1980). Esse novo CD foi gravado praticamente nos mesmos moldes. O único elemento externo foi o produtor inglês Nigel Godrich, conhecido pelos trabalhos ao lado do grupo Radiohead. O ex-beatle exibe seus dotes de melodista em canções como Fine Line. Algumas faixas são inspiradas em clássicos de sua antiga banda. São os casos da acústica Jenny Wrenm, que McCartney considera prima de Blackbird, do Álbum Branco, e Promise to You Girl, que remete ao lado mais experimental de Abbey Road, derradeiro álbum dos Beatles.

Favourite Worst Nightmare, Arctic Monkeys (EMI) — O primeiro disco desse grupo foi o álbum de estréia de venda mais rápida na história da parada inglesa. Graças a uma base de fãs leais criada na internet — e à qualidade de suas canções —, em poucos dias eles venderam 118.501 cópias. Meses depois, o Arctic Monkeys sucumbiria a uma crise interna, que culminou com a partida do baixista Andy Nicholson. Favourite Worst Nightmare, porém, volta a pôr a casa em ordem. Os trunfos do quarteto inglês residem nas guitarras distorcidas, porém melodiosas, na bateria bem marcada de Matt Helders e em canções que retratam o cotidiano de sua geração. Brianstorm e This House Is a Circus, duas das melhores faixas do CD, mostram que eles estão no caminho certo.

Silent Alarm, Bloc Party (Warner) — Expoente da nova geração do pop inglês, o quarteto Bloc Party bebe de uma fonte que anda na moda ultimamente — a influência de estilos dos anos 80 como a new wave e o pós-punk. O timbre vocal do cantor Kele Okereke, por exemplo, remete ao de Robert Smith, do The Cure. Assim como os escoceses do Franz Ferdinand ou os americanos do Interpol, contudo, eles transcendem essas referências para criar uma sonoridade original. Silent Alarm é um dos álbuns de estréia mais empolgantes do rock nos últimos tempos. Em faixas como Like Eating Glass e Positive Tension, o Bloc Party conjuga melodias tristes e seção rítmica dançante — e a energia que os rapazes extravasam ao tocar garante a liga desse coquetel.

Road to Rouen, Supergrass (EMI) — Em 1995, o Supergrass despontou nas paradas com a canção Alright. Ela tinha uma levada engraçadinha de piano e um clipe em que os integrantes da banda faziam palhaçadas. Muitos críticos suspeitaram que eles não iriam durar mais do que um verão. Porém, o Supergrass refinou seu som e ampliou em muito suas referências, pesquisando instrumentos e a tradição do folclore inglês. Tudo isso aparece em Road to Rouen, quinto disco da banda. Canções como a instrumental Coffee in the Pot e a balada St. Petersburg certamente vão chamar atenção nas apresentações que o Supergrass logo fará no Brasil.

Keys to the World, Richard Ashcroft (EMI Music) — Uma das vozes mais bonitas do pop inglês da década de 90, Richard Ashcroft é também um artista antenado. Em seu antigo grupo, o Verve, ele sampleou um quarteto de cordas e adicionou bateria eletrônica para criar o sucesso The Bittersweet Symphony. A novidade de Keys to the World, seu terceiro disco-solo, está no namoro com a música negra, sobretudo a soul music da Motown (gravadora que revelou, entre outros, Marvin Gaye e Stevie Wonder). Faixas como Music Is Power e Keys to the World são exemplos dessa nova fase. Quem gostava da melancolia do Verve também recebe um aceno. Ashcroft premia os antigos fãs com World Keeps Turning, uma balada perfeita.

Witching Hour, Ladytron (Trama) — Os membros desse quarteto inglês costumam dizer que seu estilo lembra o da música de Britney Spears — caso esta consumisse mais drogas. Mau gosto da comparação à parte, o grupo é um dos mais interessantes do pop atual. Os tecladistas Daniel Hunt e Reuben Wu são fortemente influenciados pelo som new wave dos anos 80, enquanto a vocalista Mira Aroyo emula musas do gótico, como Siouxsie Sioux. As canções do Ladytron, porém, passam longe de imitações rasteiras daquele período. Sua originalidade está presente em faixas como Destroy Everything You Touch e International Dateline, que falam sobre relacionamentos amorosos fracassados, e Sugar — o destaque, com seu belo arranjo de guitarras.

On Fire at the Bowl, Queen (EMI) — Embora a carreira discográfica do quarteto inglês tenho sido marcada por altos e baixos, há algo que não se questiona a respeito do Queen: contam-se nos dedos as bandas de rock com sua competência nas apresentações ao vivo. O DVD duplo On Fire at the Bowl é uma demonstração disso. Ele é o registro de um show gravado na Inglaterra no início dos anos 80 e que fez parte da turnê do disco Hot Space. O lançamento reafirma quanto o vocalista Freddie Mercury, morto de aids em 1991, era um mestre nessa arte. Com suas performances teatrais, seu gogó incansável e seu controle absoluto sobre a platéia, ele é sempre o centro das atenções. Além dos principais hits da banda, o DVD traz cenas de bastidores e entrevistas com os roqueiros.

Bang Bang Rock & Roll, Art Brut (EMI) – A exemplo dos conterrâneos do Bloc Party e dos escoceses do Franz Ferdinand, o quinteto inglês Art Brut é obcecado pela sonoridade das bandas da década de 80. Sua principal influência é o Gang of Four, que misturou a crueza do punk com letras mais literárias. O lado cabeça da banda desponta no nome: "arte bruta" era o rótulo do pintor francês Jean Dubuffet para os trabalhos artísticos criados por pessoas que viviam à margem da sociedade, como os doentes mentais. Mas o Art Brut é bem-humorado. Os vocais desleixados de Eddie Argos dão um colorido especial a canções como a irônica Formed a Band, sobre uma banda que resolveria os conflitos do Oriente Médio, e Emily Kane, que celebra um primeiro amor inesquecível.

Here Comes the Tears, The Tears (Sum) – Esse álbum marca a reunião de uma das duplas mais criativas do pop inglês do início dos anos 90. O cantor Brett Anderson e o guitarrista Bernard Butler eram do Suede, grupo que lançou um ótimo disco de estréia, mas cuja inspiração foi para o ralo por causa de brigas que culminaram na saída do segundo. Agora, sob o nome de Tears, a dupla mostra entrosamento de sobra. Seu trabalho de estréia exibe as mesmas qualidades do Suede, com alguns avanços. Butler é um guitarrista criativo e compõe belas melodias. Seu talento desponta na balada The Ghost of You ou no rock Brave New Century. Anderson faz lembrar David Bowie – e felizmente abandonou os gritinhos dos tempos de seu velho grupo.

The Eraser, Thom Yorke (Sum) — A crítica americana apelidou o primeiro disco-solo do guitarrista e vocalista do Radiohead de “Kid B”. É uma alusão ao CD Kid A, de 2000, em que o grupo inglês abandonou as melodias de seus três primeiros discos e embarcou numa viagem experimental. The Eraser é ainda mais radical do que os trabalhos recentes do Radiohead. Yorke constrói suas composições com teclados, um violão aqui ou acolá e climas que lembram o dub — uma espécie de reggae psicodélico. O resultado, apesar da estranheza inicial, o confirma como um dos músicos mais inventivos do rock. O destaque do disco é Harrowdown Hill, que fala de David Kelly, assessor do governo inglês para armas de destruição em massa, que mentiu num dossiê sobre armas químicas no Iraque e depois se suicidou.

Generation, Audio Bullys (EMI) — Encabeçada pelo DJ e produtor Tom Dinsdale e pelo vocalista Simon Franks, essa dupla inglesa combina elementos de dance music e hip hop. O estilo tem sido burilado por diversos astros do pop inglês, mas poucos têm a competência de Franks e Dinsdale. O Audio Bullys ganhou destaque na mídia em 2003, ao lançar Ego War, disco eleito um dos melhores do ano pelas principais publicações musicais da Inglaterra. O novo CD da dupla, Generation, mantém o clima de festa do álbum anterior. Traz diversas faixas dançantes e letras sobre o cotidiano dos jovens ingleses. Shot You Down (com o sample de My Baby Shot Me Down, sucesso da cantora Nancy Sinatra) e I’m Love serão apreciadas mesmo por aqueles que não entendem patavina do que Franks está cantando.

Ultimate Collection, Eurythmics (Sony/BMG) — Esse disco reúne tudo o que você precisa ter da dupla formada pelo instrumentista inglês David Stewart e pela cantora escocesa Annie Lennox. Surgido em 1980, o duo criou músicas nos mais diferentes estilos, mas nunca conseguiu lançar um disco bom de ponta a ponta. Essa compilação soluciona o problema ao trazer apenas as músicas que merecidamente estouraram nas paradas. São os casos de Sweet Dreams (Are Made of This) e Here Comes the Rain Again. Annie é o que se pode chamar de “branca de alma negra”. O CD contém diversas mostras de seu talento vocal, como o duelo com Aretha Franklin em Sisters Are Doing It for Themselves e o blues Missionary Man.

Truth & Lies, The Levellers (ST2) — Uma das bandas mais queridas do público inglês, os Levellers são praticamente desconhecidos no resto do mundo. O sexteto tem um estilo peculiar, que cruza rock com música folclórica da Inglaterra. Décimo disco da carreira dos Levellers, Truth & Lies tem uma sonoridade mais “universal”. Traz rocks acelerados, que podem cair no gosto dos fãs de um Green Day e de outras bandas de pop-punk. Muitas letras do CD têm conteúdo político. Knot Around the World e Who’s the Daddy, por exemplo, são protestos antiguerra. Outro bom momento é Make You Happy. Ela é mais fiel ao estilo dos Levellers e tem presença marcante do violino folk.

Open Season, British Sea Power (Trama) — Surgido na cidade inglesa de Brighton há cinco anos, esse quinteto chama atenção pelo comportamento excêntrico de seus integrantes, que colecionam animais empalhados e sobem ao palco em trajes militares iguais aos dos combatentes da I Guerra Mundial. Mas a música da banda não tem nada de esquisita. As onze canções de Open Season bebem do estilo de dois ícones do pop inglês, o cantor David Bowie e o grupo Echo & the Bunnymen. As letras são irreverentes: To Get to Sleep, por exemplo, enumera diversos tipos de mandinga para combater a insônia.


DVDs

Anthology, The Beatles (EMI) — Em 1996, a história dos Beatles foi revisitada no projeto Anthology, que compreendia três discos duplos com sucessos do grupo inglês e uma série de televisão depois transposta para uma caixa especial com oito fitas de vídeo. A série tinha imagens raras e depoimentos dos três integrantes do quarteto que ainda estavam vivos na época. Cada um apresentava uma visão diferente dos fatos marcantes na trajetória do grupo. George Harrison, em especial, esforçava-se para contestar a versão romântica do rival Paul McCartney sobre a convivência dos músicos. Agora, essa mesma série volta numa caixa com cinco DVDs, trazendo um acréscimo importante: um disco contendo mais cenas inéditas. As principais novidades são uma reunião em que Ringo Starr, Paul McCartney e George Harrison reinterpretaram vários sucessos do grupo e uma espécie de reportagem sobre o processo de escolha das faixas dos três álbuns duplos do pacote Anthology original.

A Hard Day’s Night: Os Reis do Iê Iê Iê (Inglaterra, 1964/2002. Imagem) — Lançada na esteira do sucesso mundial dos Beatles, essa foi a primeira produção a tentar retratar roqueiros em seu verdadeiro habitat. A Hard Day’s Night mostra um dia na vida do quarteto, espremido entre fugas de fãs alucinadas, entrevistas coletivas e apresentações em programa de TV. Um dos poucos elementos de ficção foi a criação de um avô trambiqueiro para Paul McCartney, interpretado pelo irlandês Wilfrid Brambell. Os números musicais estão entre os melhores protagonizados pelo grupo — como I Should Have Known Better e Can’t Buy Me Love. Pena que os extras do DVD sejam pobres.

The Essential Clash, The Clash (Sony Music) — Encabeçado pelos guitarristas e vocalistas Joe Strummer e Mick Jones, o The Clash foi, ao lado do Sex Pistols, uma das principais bandas do movimento punk inglês. Musicalmente, no entanto, sempre foi superior aos concorrentes. Esse DVD reúne o melhor da produção do grupo, que ficou famoso por suas letras politizadas e pelo ecletismo — eles iam do rock pesado ao funk sem constrangimento. A energia do Clash nas doze músicas dessa compilação dispensa qualquer jogo de câmera. Vide o lendário clipe de London Calling, de 1979. The Essential Clash traz ainda um minidocumentário inédito filmado por Strummer, morto no ano passado.

Led Zeppelin & How the West Was Won, Led Zeppelin (WEA) — O crítico inglês Nick Kent comparou as apresentações do Led Zeppelin com as batalhas e as pilhagens travadas pelo exército de Gengis Khan. Toda a energia e toda a volúpia da banda, uma das maiores da década de 70, ficam evidentes nesse pacote com DVD duplo e CD triplo, respectivamente. O DVD traz material raro, como uma gravação pirata de um show histórico em Earls Court (Londres), em 1975. Não há como não delirar com o “momento acústico” que inclui Going to California e That’s the Way. O CD How the West Was Won traz algumas das melhores performances do grupo, como os 23 minutos de Whole Lotta Love na versão gravada em Los Angeles, em 1972.

Who Put the M in Manchester, Morrissey (Sony/BMG) — Ex-vocalista e letrista dos Smiths, uma das bandas mais influentes da década de 80, o cantor inglês Morrissey raras vezes cedeu aos apelos dos fãs para que incluísse canções do grupo nos shows de sua carreira-solo. Ele quebrou esse jejum em maio do ano passado, quando comemorou seu aniversário de 45 anos com uma apresentação ao vivo em Manchester, sua terra natal, onde não cantava havia mais de dez anos. No show, que deu origem a esse DVD, ele faz interpretações arrasadoras de sucessos dos Smiths como Headmaster Ritual e There Is a Light that Never Goes Out. Também não faltam, é claro, os carros-chefe de sua carreira-solo, a exemplo de Hairdresser on Fire e Everyday Is Like Sunday.

Nocturne, Siouxsie & the Banshees (Universal) — Gravada em 1983 no Royal Albert Hall, tradicional casa de espetáculos de Londres, essa apresentação é o ponto alto da carreira do quarteto inglês Siouxsie & the Banshees. Eles foram ícones do movimento gótico, célebre pelas canções soturnas (e pelo peculiar senso de moda). Nocturne é uma festa para os olhos, a começar pelas cenas da entrada do público ao som de A Sagração da Primavera, do compositor russo Igor Stravinsky. Siouxsie compensa a falta de carisma dos outros integrantes do grupo. Descalça e com os olhos pintados como os de uma antiga rainha egípcia, ela mostra fôlego em hits como Israel e Spellbound e faz teatro em Voodoo Dolly.

Definitely Maybe: The DVD, Oasis (Sony Music) — Definitely Maybe é o disco que rendeu ao quinteto inglês Oasis o epíteto de “a nova promessa do rock” — promessa, aliás, que nunca se cumpriu por causa da egomania desenfreada dos rapazes. Lançado em 1994, o álbum foi eleito um dos mais importantes da história do rock inglês. É também o único álbum do Oasis que dá para ouvir sem pular faixa (os CDs seguintes apenas reciclam a fórmula do grupo). Nesse DVD, podem-se encontrar clipes, cenas de apresentações ao vivo, imagens de época e ainda um documentário, no qual os irmãos Noel (guitarra e vocais) e Liam Gallagher (vocais), além dos outros três integrantes do Oasis, falam sobre os bastidores da gravação do álbum, explicam como surgiu cada canção e fazem piada uns com os outros.

The Astoria London Live, Radiohead (EMI) — Esse DVD é indicado para quem sente saudade do antigo Radiohead. Liderado pelo cantor e guitarrista Thom Yorke, o grupo inglês surgiu em meados da década passada e fazia um pop melancólico. Nos últimos cinco anos, enveredou por uma trilha experimentalista que afastou muitos fãs de primeira hora. O DVD registra o show de lançamento de The Bends, segundo disco da carreira do quinteto, e traz uma performance acima da média. Ao vivo, as canções do Radiohead ganham mais peso e soam melhores do que no disco. No palco, Yorke também mostra por que é tido como um dos vocalistas mais carismáticos do rock atual. No repertório, hits como Creep e Stop Whispering.

X & Y: Latin America Tour Edition, Coldplay (EMI) – Para quem tem filhos adolescentes e não consegue entender o furor em torno dessa banda inglesa – cuja turnê brasileira teve os ingressos esgotados em menos de 48 horas –, esse DVD pode ser uma introdução oportuna ao assunto. Lançado exclusivamente no Brasil, ele traz os clipes de X & Y, terceiro disco do quarteto. Não há como não se deliciar com Talk, em que os músicos interpretam astronautas que topam com um robô traiçoeiro, ou The Hardest Part, em que fazem figuração num torneio de ginástica. O Coldplay recicla, com competência, elementos do rock progressivo, da música eletrônica e do pop inglês da década de 90. Não é a salvação do rock. Mas certamente causa menos danos aos tenros cérebros adolescentes do que Simple Plan, CPM22 ou qualquer banda do estilo emo.

Greatest Video Hits 2, Queen (EMI) — Um dos principais ícones do rock inglês nos anos 70, o Queen passou por uma curiosa metamorfose na década seguinte. O grupo começou a flertar com a música negra e o cantor Freddie Mercury escancarou sua bissexualidade, assumindo um estilo cada vez mais teatral de cantar e apresentar-se. Essa é a fase coberta por Greatest Video Hits 2, que acompanha a carreira do Queen de 1981 até 1991. Há clipes divertidos como I Want to Break Free (em que os roqueiros se vestem de mulher) e superproduzidos como Radio Ga Ga. O DVD 2 é cheio de curiosidades, como vídeos de exibição antes proibida e cenas de apresentações ao vivo — numa delas, Mercury pede desculpas aos fãs pelo fato de o grupo deixar o rock de lado para investir no funk.


Livro

Disparos do Front da Cultura Pop, de Tony Parsons (tradução de Alyne Azuma; Barracuda; 360 páginas; 39 reais) — Quando se fala em crítico de rock, o inglês Tony Parsons é referência obrigatória. Ele ganhou fama como colunista do New Musical Express, o semanário musical mais influente da Inglaterra nos anos 70. Disparos reúne artigos escritos para várias publicações entre 1976 e 1994. Parsons fala sobre apresentações antológicas de artistas como Bruce Springsteen e aborda a explosão do movimento punk. Numa reportagem, narra o quebra-quebra no show dos Sex Pistols durante as comemorações do jubileu da rainha Elizabeth II. Há ainda entrevistas com figuras como George Michael — Parsons pergunta se o cantor não se acha um “cretino arrogante”.