| |
Economia
e negócios
Pela
esquerda ou pela
direita, o país progride
Berço
da Revolução Industrial, o
reino tem o 2ª maior PIB da Europa
Talvez
o maior responsável pela força e pela vitalidade que
a economia do Reino Unido exibe há séculos seja um
órgão que mal tem o que dizer quando se discute política
econômica hoje em dia: a Real Marinha Britânica. Se
foram os ingleses que primeiro esboçaram um sistema de produção
industrial, inventando máquinas, estabelecendo uma nova divisão
do trabalho, criando as condições para que o capitalismo
mundial se desenvolvesse de forma nunca antes vista e levantando
de vez o tesouro nacional, a culpa é, em grande parte, do
domínio quase absoluto que os navios britânicos exerciam
sobre os três oceanos nos séculos XVII e XVIII. Ancorada
neste poder, a Inglaterra construiu um imenso império colonial,
que lhe garantiu mercados e fontes e matéria-prima para um
inédito desenvolvimento econômico. Durante o século
XIX, Londres era o centro do mundo, e o Banco da Inglaterra, segundo
se dizia, o regente de uma orquestra de bancos centrais, organizados
hierarquicamente em círculos concêntricos, como o inferno
de Dante.
Vieram
as Guerras Mundiais, e com elas a ascensão de um novo líder
no cenário internacional, os emergentes americanos. A decadência
do império britânico, berço da Revolução
Industrial, mergulhou a Grã-Bretanha na crise econômica
e no pessimismo no século XX. O Reino Unido tornou-se uma
espécie de primo pobre dos Estados Unidos, um país
marginal diante das economias mais agressivas da França e
da Alemanha. Somente na década de 80, quando a primeira-ministra
Margaret Thatcher tomou medidas para quebrar o poder dos sindicatos,
diminuir os impostos e permitir que os termos dos contratos de trabalho
fossem livremente negociados entre patrões e empregados,
a economia britânica voltou a florescer. Foi a Dama de Ferro
que fechou as indefectíveis minas de carvão e privatizou
o pesadíssimo aparato estatal trabalho pioneiro que
depois seria copiado em dezenas de projetos liberais em todo o mundo.
Como resultado, em 20 anos os ingleses conseguiram reduzir o desemprego
à metade. Sua economia, que em 1980 era menor que a da França,
hoje só perde para a da Alemanha entre os países da
Europa. Para completar, a Inglaterra é a nação
que mais atrai investimentos estrangeiros no mundo na frente
dos Estados Unidos e da China.
Quando
Tony Blair assumiu o gabinete em 1997, dezenove das cinqüenta
maiores empresas da Europa eram inglesas e, no mercado de ações,
Londres só perdia para as bolsas americanas e japonesas.
Tomando para si as reformas liberais de Thatcher do ponto em que
a conservadora as havia deixado, o trabalhista modernizou a economia
local como nenhuma outra na Europa. A inflação está
controlada, as taxas de desemprego são as menores em trinta
anos e a renda per capita é a que mais cresce entre os membros
do G-7, o grupo dos sete países mais ricos do planeta. Para
se ter uma idéia, o índice de desocupação
inglês era de 12% entre os jovens e de 5% na população
em geral em 2006 . Os encargos trabalhistas ingleses são
baixos, o que estimula as empresas a contratar mais funcionários,
e os salários oferecidos pelas companhias do país
são mais altos que a média européia.
Tal
panorama deu aos britânicos a condição de líderes
da União Européia, ao lado de alemães e franceses.
Ao contrário destes dois porém, Londres pode se dar
ao luxo de não adotar a moeda comum que corre no resto do
continente, o euro. Símbolo da nacionalidade britânica,
a libra esterlina tem cotação maior até que
a do dólar.
Indústrias
criativas Ao subir ao poder, o fetiche de Blair
era substituir a imagem tradicional inglesa a das metalúrgicas
a carvão, dos cavalheiros de chapéu-coco e do sindicalismo
selvagem por outra mais de acordo com um país que
optou pelo que lá se convencionou chamar de indústrias
criativas aquelas atividades como design, entretenimento,
moda, informática. Conseguiu. Numa pesquisa realizada no
fim dos anos 90 em 30 países, destinada a apurar quais eram
os dez setores em que a Inglaterra mais se destacava, oito pertenciam
à indústria cultural. Nada mais adequado ao contexto
de uma economia globalizada: como a produção pode
ocorrer em qualquer lugar, o que pesa na hora da compra são
o prestígio da empresa e a respeitabilidade do país
de origem, qualidades que trabalhismo do premiê agregou com
sucesso aos produtos britânicos.
Londres,
como seria natural de se esperar, concentrou os negócios
de vanguarda da nova Grã-Bretanha. No horizonte da capital
inglesa, o que se destaca agora não é mais o Big Ben,
mas a silhueta do Canary Wharf, o mais alto edifício comercial
da Europa e a própria representação do país
sonhado por Blair. A ironia tão britânica quanto
as duas construções é que ambas começaram
a ser construídos em governos conservadores.
| |