Grande parte do atual território francês era conhecida na Antigüidade como Gália, região habitada por tribos de origem celta desde o século IX a.C. Conquistada pelo imperador Júlio César entre 58 a.C. e 51 a.C., a Gália fica sob domínio romano até o final do século V. Já a partir do século IV, no entanto, o território vai sendo invadido pelos francos, uma das tribos germânicas que contribuíram para a queda do Império Romano. Sob o comando de Clóvis, os francos subjugam o centro-oeste da Europa e convertem-no ao cristianismo. A coroação de Carlos Magno no século XI pelo papa Leão III torna-o, além de rei dos francos, imperador do Novo Império Romano do Ocidente, época de centralização política e grande efervescência cultural. No entanto, o Reino Franco se enfraquece após a morte de Carlos Magno, e seu território é aos poucos dividido em domínios feudais.

Principais fatos históricos

Monarquia - O surgimento de uma burguesia comercial e a necessidade de se unificarem moedas e impostos para um melhor desenvolvimento econômico faz com que o poder volte a se concentrar nas mãos do trono francês a partir do século XII. A França, no entanto, só atinge uma unidade nacional após a Guerra dos Cem Anos (1337 a 1453) contra a Inglaterra, na verdade uma série de disputas territoriais intermitentes, que termina com a expulsão dos ingleses do território francês pelas mãos de Joana D'Arc

Antigo Regime - Quando em 1598 o rei Henrique IV, fundador da dinastia dos Bourbon, restabelece a paz religiosa entre católicos e protestantes, dá o passo definitivo para o enfraquecimento das particularidades feudais e fortalece de uma vez o poder do trono francês. A partir de então, observa-se a ascensão de um regime contraditório que, ao mesmo tempo em que estimulava o crescimento de uma economia de mercado, tornava-se cada vez mais parasitário, preocupado em cultivar os privilégios de uma corte e um soberano absoluto. No reinado de Luís XIV, o Rei Sol (1643-1715), o absolutismo chega ao auge - é deste período a construção do Palácio de Versalhes, feito para que o rei pudesse levar a nobreza parisiense para perto de si e impedir sua atuação política. No governo do rei Luís XV (1710-1774), desenvolvem-se as idéias do Iluminismo, que combatem a intolerância religiosa e o absolutismo.

Revolução Francesa - Fracassos militares e a incapacidade de Luís XVI para enfrentar uma crise financeira causada em grande parte pela ajuda que a França ofereceu aos Estados Unidos em sua guerra de independência contra a Inglaterra culminaram em um alto grau de insatisfação popular com o regime monárquico. De um lado a burguesia, que liderava o comércio e a indústria francesa e sustentava o governo aristocrático, e de outro a população camponesa e os pobres urbanos, explorados por altas taxas e uma crise de abastecimento, deflagram a Revolução Francesa, cujo grande ato simbólico é a tomada da Bastilha em 14 de julho de 1789. É formada então uma Assembléia Nacional, que vota a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, extingue privilégios do clero e da nobreza e elimina instituições aristocráticas. Em 1792 nasce a I República. O rei Luís XVI e a rainha Maria Antonieta, condenados por traição ao tentarem fugir do país, são executados na guilhotina em 1793. No fim do mesmo ano, os jacobinos, um dos grupos revolucionários, liderados por Maximilien Robespierre, impõem uma ditadura, conhecida como período do Terror. O próprio Robespierre é guilhotinado em 1794, quando instaura-se o governo do Diretório.

Período Napoleônico - O general Napoleão Bonaparte destaca-se no instável período do Diretório como prestigioso comandante militar. Ao galgar posições no exército e se lançar em guerras expansionistas pela Europa, Napoleão garante a manutenção de alguns dos princípios da Revolução dentro da França. Em 1799, ele dá um golpe militar e institui o Consulado. Como cônsul, não demora até Bonaparte assumir poderes ditatoriais e se fazer coroar imperador da França em 1804. As conquistas napoleônicas despertam séria insatisfação na Inglaterra, e ambas as nações passam a disputar a primazia econômica no continente europeu e colônias ultramarinas. A concorrência comercial se transforma em nova guerra, da qual Napoleão sai derrotado em 1815. Com sua queda, as potências européias se reúnem no Congresso de Viena no mesmo ano, para restaurar as antigas fronteiras - na França, a dinastia dos Bourbon é restabelecida.

Século XIX - Quinze anos depois, um levante popular derruba o último Bourbon, Carlos X, e leva ao trono um Orleans, Luís Felipe I. Em 1848, nova revolução instaura a II República. Luís Bonaparte, sobrinho de Napoleão, é eleito presidente à sombra do prestígio do tio, e, a exemplo deste, dá um golpe de estado e torna-se imperador, sob o título de Napoleão III. O regime imperial liberaliza-se lentamente e acelera a Revolução Industrial na França. Em 1870 o país entra em guerra contra a Prússia, da qual sai derrotado e perde o controle das regiões de Alsácia e Lorena. O império é então derrubado e a III República instituída. Os termos da paz propostos pela Prússia, entretanto, provocam uma insurreição popular, a Comuna de Paris (1871), a qual, após estabelecer um governo proletário na capital francesa, é violentamente reprimida por tropas conservadoras nacionais e estrangeiras. No fim do século XIX, a França, assim como as demais potências industrializadas, busca novos mercados e se lança à partilha da África e da Ásia.

Guerras mundiais - O país sai da I Guerra Mundial (1914-1918) devastado economicamente, mas recupera Alsácia e Lorena. Em meio à tentativa de reconstrução da Europa, Hitler assume a Alemanha e lança-se a conquistar o continente. Em setembro de 1939, juntamente da Inglaterra, a França declara guerra à Alemanha depois da invasão de Hitler à Polônia, e dá início à II Guerra Mundial. Tropas alemãs entram em território francês no ano seguinte e dominam o país. De Londres, o general francês Charles de Gaulle conclama a população a resistir contra os nazistas. O desembarque de tropas aliadas lideradas pelos Estados Unidos na Normandia, em junho de 1944, dá início à libertação da França.

A era de Gaulle - Entre 1945 e 1946, de Gaulle comanda o governo provisório da França, mas renuncia devido a discordâncias políticas com a Assembléia Nacional. Inicia-se então a IV República, de 1946 a 1958, marcada pela oposição entre partidários de de Gaulle e comunistas, bem como pelas guerras de independência das colônias francesas na África e na Ásia. É justamente o conflito na Argélia que vai levar o general de volta ao poder em 1958, dando inicio à V República. Reeleito presidente em 1965, de Gaulle perde sustentação após as revoltas estudantis de 1968, e renuncia no ano seguinte.

Os anos Mitterrand - Em 1981, François Mitterrand torna-se o primeiro socialista a chegar à presidência da França. Inicialmente, seu governo adota medidas esquerdistas clássicas, como a estatização do sistema bancário e de grandes grupos industriais, a definição de novos direitos trabalhistas e o aumento dos benefícios sociais. Mais tarde, recua e passa a priorizar o combate à inflação e a integração à Comunidade Econômica Européia (CEE), atual União Européia (UE). Em 1986, os conservadores ganham as eleições legislativas, e o gaullista Jacques Chirac toma posse como primeiro-ministro. Inicia-se a chamada coabitação, com um presidente de esquerda e um primeiro-ministro de direita. Em 1988, Mitterrand é reeleito para mais um período de sete anos, e sucedido, em 1995, pelo conservador Jacques Chirac.

Governo Jospin - Vitoriosos nas eleições parlamentares de 1997, os socialistas indicam Lionel Jospin para primeiro-ministro. Seu programa combina a desestatização de setores não-estratégicos com ambicioso plano de criação de empregos, por meio do subsídio governamental. Simultaneamente, Jospin reduz a jornada de trabalho e consegue reaquecer a economia francesa.

O período Chirac - Reeleito presidente em 2002 após forte polarização política entre seus partidários e os eleitores do líder de extrema direita Jean-Marie le Pen, acusado de racismo contra os imigrantes, Jacques Chirac leva Lionel Jospin à renúncia. Em seu lugar, assume o cargo de primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin, da centrista Democracia Liberal (DL). Raffarin permanece menos de três anos à frente do Parlamento francês - cai depois de os franceses rejeitarem, em referendo, a proposta de uma constituição única para a União Européia. O ministro do Interior, Dominique de Villepin, é chamado para substituí-lo.

Revoltas dos subúrbios - A partir de outubro de 2005, toma conta do país uma onda de violência promovida por jovens moradores de subúrbios franceses, descendentes de imigrantes. Em 21 dias de conflitos, o país contabiliza um morto, 126 policiais feridos, 10.000 carros incendiados, 233 prédios públicos atingidos por bombas caseiras e mais de 4.700 prisões efetuadas. Os tumultos têm início depois da morte de dois adolescentes eletrocutados acidentalmente numa subestação de energia elétrica, durante suposta fuga da polícia num subúrbio de Paris. No entanto, a grande motivação para as revoltas seria a exclusão social a que estes jovens estariam submetidos.


Fonte: Almanaque Abril