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Sociedade
A luta dos imigrantes e
negros
na formação do país
Influência de estrangeiros e
diversidade
cultural são grandes marcas
A sociedade americana tem uma história marcada pela influência da imigração e pela diversidade de seus componentes. Foi o país que recebeu mais imigrantes - mais de 50 milhões no total - e ainda admite entre 500.000 e um milhão de pessoas anualmente. Os Estados Unidos são um exemplo de país rico que conseguiu uma maneira eficiente de garantir o crescimento (ou ao menos a estabilidade) da população atraindo imigrantes. A taxa americana de fecundidade é de 2,05 (semelhante à brasileira). O fluxo de imigrantes, no entanto, é intenso: no saldo das pessoas que entram ou saem do país, os Estados Unidos ganham um novo morador a cada 31 segundos.
Por causa de números assim, o país pode ser considerado uma nação de imigrantes. Boa parte de sua potência econômica se deve à vontade ilimitada de trabalhar dos estrangeiros e de seus descendentes. De modo geral, a política americana é a de fazer vista grossa para os trabalhadores estrangeiros que já estão no país, mesmo sem ter os papéis em ordem. Os imigrantes atuais trabalham em lavouras, restaurantes e construções, fazendo serviço pesado por salários baixos. Sem eles, estima-se que os Estados Unidos deixariam de produzir 1 trilhão de dólares em bens e serviços ao ano, o equivalente a 10% do PIB.
Umas das convivências mais comuns talvez seja a dos americanos com os hispânicos e seus descendentes. De acordo com uma pesquisa do instituto Pew Hispanic Center, o número de habitantes de origem latina nos EUA chega a 44,3 milhões - quase 15% da população americana, de 300 milhões de habitantes. Nos Estados Unidos, os latinos, que viram seu poder de compra mais do que dobrar desde 1990, são donos de mais de 1,2 milhão de empresas, consomem 35% dos produtos no Texas e na Califórnia (os dois estados americanos mais ricos) e passaram os negros, tornando-se a segunda mais populosa etnia.
Restrições - Apesar dessa grande presença de estrangeiros, a população imigrante não escapa de algumas duras restrições no país. No começo dos anos 20, a lei começou a excluir imigrantes asiáticos - os americanos temiam que eles pudessem "roubar" seus empregos e o preconceito se instaurou. A legislação de 1952 tentou acabar com esse precedente e determinou que pessoas de todas as raças poderiam se tornar cidadãos americanos. Cerca de 10 milhões de descendentes de asiáticos vivem hoje nos Estados Unidos.
Mesmo com restrições à liberação de vistos, estima-se que 5 milhões de pessoas estejam vivendo clandestinamente nos Estados Unidos - e o número cresce a cada ano. Depois dos ataques terroristas de 2001, o governo restringiu ainda mais as regras para a obtenção de vistos. Muitos que tentam entrar no país sem o "carimbo" acabam presos e mandados de volta. De qualquer forma, pode-se dizer que cada cultura tem seu lugar na América. Houve muita luta entre os índios, os nativos da terra, que tiveram que ceder seu território aos cada vez mais numerosos europeus. Muitos nomes de lugares derivam de palavras indígenas, como Massachusetts, Ohio, Michigan, Mississipi, Missouri e Idaho.
Negros - Depois do fim da escravidão, logo após a Guerra Civil, em 1861, os negros americanos passaram a ser segregados e a receber educação inferior em relação aos brancos. A lei os obrigou a viver longe dos brancos, em guetos. No começo dos anos 60, liderados por Martin Luther King Jr., eles participaram de uma onda de protestos não-violentos para pedir direitos iguais perante a lei e o fim da discriminação racial. O ponto alto foi no dia 28 de agosto de 1963, quando Luther King fez, na frente do Lincoln Memorial, em Washington, o discurso "Eu Tenho um Sonho" - o sonho de pessoas de diferentes raças fossem julgadas pelo seu caráter, e não pela cor da sua pele. Pouco tempo depois, o Congresso proibiu todos os tipos de discriminação no país. Ainda assim, só em 1967 a Corte Suprema declarou inconstitucional a lei que proibia uniões inter-raciais em dezesseis estados sulistas. Embora não fosse mais aplicada, a Carolina do Sul esperou até 1998 para eliminar essa lei de sua Constituição.
Patriotismo - “Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país.” Com esta frase de seu discurso de posse, John Kennedy, o 35º presidente dos EUA, não apenas refletiu as incertezas da Guerra Fria como também deu contornos modernos a uma das características mais típicas dos americanos: o patriotismo. Essa característica tornou-se ainda mais exacerbada após os atentados de 11 de setembro de 2001. A partir de então, qualquer crítica ao governo soava como dissensão. Um exemplo é o caso da jornalista Judith Miller, do New York Times, presa por não revelar uma fonte.
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