Economia
A maior reserva do planeta
a serviço da segurança

Bilhões de dólares se transformam
em escudo para proteger a nação

Com um leque de influência sobre boa parte dos países do globo, a economia americana é a maior do mundo. A renda per capta média de sua população é de 35.000 dólares. Por dez anos, o crescimento americano foi praticamente ininterrupto. Essa euforia, no entanto, pode ter ido longe demais, e o país se prepara agora para enfrentar uma ressaca incômoda.

No fim da década passada, o modelo da economia americana – aberto, com liberdade para que produtos, serviços e empresas circulem livremente e possam competir entre si – atingiu um de seus momentos mais gloriosos. O índice de desemprego, de 4,5%, era um dos menores do mundo; a inflação era praticamente inexistente; a economia, cada vez mais eficiente e competitiva, crescia 3% ao ano. A pujança se estendeu ao início do novo milênio. Em 2000, o Produto Interno Bruto (PIB) americano - 9 trilhões de dólares – superava a totalidade dos PIBs somados da França, da Alemanha e do Japão. A seguir, alguns exemplos da força da economia americana:

  • As 10 marcas mais valiosas do mundo são americanas
  • 5 das 10 maiores empresas mundiais estão nos Estados Unidos
  • Os EUA são responsáveis por 1/3 das importações mundiais
  • E gastam 1/3 da energia elétrica do planeta
  • Sua população consome 5 trilhões de dólares por ano em lojas, supermercados e viagens – 7 vezes mais do que o consumo no Brasil.

Um exemplo da maciça influência da economia americana no planeta é a indústria de computação e internet. O país é o responsável por 73 centavos de cada dólar gerado pelas empresas do setor. De toda a riqueza em circulação no planeta, os EUA geram 1 em cada 3 dólares. Em meio a tamanha pujança, os americanos - assim como o resto do mundo - sofrem um forte baque com os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. O desemprego cresceu e os negócios esfriaram. O mercado de ações despencou por causa da corrida para se livrar das ações de empresas americanas.

Relação com o mundo - Apesar da inegável influência do Tio Sam nos mercados globais, a economia americana entrou no novo século cada vez mais dependente dos outros países - inclusive alguns com culturas e ideologias contrárias. Responsáveis por um terço das importações mundiais, os Estados Unidos precisam de 2 bilhões de dólares por dia para financiar sua dívida – e conseguem boa parte desse dinheiro com a China. Um exemplo desse comércio bilateral é o fato de que 1 em cada 2 produtos à venda na gigante americana Wal-Mart vem da China. Os EUA importam muito mais do que exportam. Ao fim de cada ano, ficam devedores em 300 bilhões de dólares nessas trocas internacionais.

No Oriente Médio, a Arábia Saudita também representa um papel importante para a economia americana, sobretudo pela sua produção de petróleo. Washington já vê o país árabe há muito tempo como elemento-chave da segurança energética dos Estados Unidos. O presidente George W. Bush chegou, inclusive, a receber o príncipe herdeiro Abdallah no seu rancho do Texas em 2006, para pedir-lhe que aumentasse a produção petrolífera da Arábia. Mesmo com essa dependência, o país está na linha de frente da economia global. Os americanos:

  • Produzem 1/3 do PIB mundial
  • Fabricam 25% dos automóveis
  • E compram cerca de 60% das exportações da América Latina, 30% das japonesas e 10% das européias

Crise global - A economia americana conseguiu superar a recessão que se seguiu aos atentados às torres do World Trade Center, e voltou a apresentar índices significativos de crescimento . Isso foi extremamente importante, porque o resto do mundo dificilmente escaparia ileso de uma grave crise na economia americana. O México, por exemplo, desova 80% de suas exportações nos EUA. De cada dólar que o Brasil recebe em pagamento pelos produtos que exporta, 22 centavos vêm de Washington. A recuperação das economias asiáticas depois do baque de 1997 é atribuída em grande parte à gula do mercado interno americano, que consome com a mesma intensidade desde pentes de ossos de baleia até complexos chips de memória e telas de cristal líquido para computadores produzidos na Ásia.

Animados pelos seguidos anos de crescimento, os bancos e instituições financeiras norte-americanas passaram a distribuir crédito para todo o tipo de pessoas e empresas. Até mesmo aqueles em má situação financeira podiam tirar empréstimos – esse tipo de prática é denominada, no mercado imobiliário, subprime. Os juros baixos atraíam cada vez mais americanos em busca de financiamento ou refinanciamento de alguns bens, sobretudo imóveis. Essas pessoas não conseguiam, mais tarde, honrar seus compromissos. Dessa forma, embora não tenha havido um aumento significativo nas taxas de inadimplência, o simples temor de um calote foi o suficiente para contaminar todo o mercado financeiro. Uma onda de desconfiança encharcou as principais praias financeiras do globo.

O ano de 2008 começou repleto de informações negativas sobre o desempenho da economia americana. Um balanço do Departamento de Comércio americano mostrou que o país teve, em 2007, seu menor crescimento em cinco anos. As sucessivas intervenções do Federal Reserve (o Fed, Banco Central americano) na economia e as notícias sobre os efeitos da crise produzem oscilações bruscas no mercado de ações. A seguir, alguns exemplos desse impacto:

21 de janeiro de 2008
- 5,33% - A maior queda desde os atentados de 11 de setembro de 2001
Onde - Bolsas européias
Razão - O temor de recessão se intensifica

22 de janeiro de 2008
+ 4,45% - A maior alta em dez meses
Onde - Bovespa
Razão - Fed reduz os juros de 4,25% para 3,5%

5 de fevereiro de 2008
- 2,93% - A maior queda em um ano
Onde - Dow Jones
Razão - O governo americano divulga índices econômicos frágeis

18 de março de 2008
+ 3,51% - A maior alta em quatro anos
Onde - Dow Jones
Razão - Fed reduz os juros para 2,25%

Em meio a esse cenário, nações que, no passado, seriam algumas das mais afetadas pela crise foram responsáveis por evitar uma situação ainda mais grave. São os países emergentes, recém-saídos de décadas de isolamento e políticas econômicas falhas. Esse grupo, chamado de Bric, é composto por Brasil, Rússia, Índia e China. Essas nações já lideram o crescimento mundial e dão ao capitalismo um impulso inédito. É graças à emergência deles que ganha força a dinâmica da economia global.

Protecionismo - Alguns desses países, como o Brasil, são as principais vítimas do protecionismo americano. Embora o mercado dos Estados Unidos tenha adquirido uma abertura muito maior após a crise de 1929 – até então a tarifa média de importação batia em 59% –, essa prática foi responsável por tirar as chances dos países pobres e emergentes de vender os produtos de sua agricultura em mercados onde americanos e europeus estiverem presentes. Esses governos dão dinheiro aos fazendeiros para facilitar-lhes a atividade. O que esses fazendeiros produzem sai muito mais barato para eles, que podem, assim, concorrer deslealmente com produtos que países como o Brasil colocam no mercado mundial. Um outro exemplo veio com o crescimento do mercado de produtos chineses, que começaram a invadir os EUA, Bush criou cotas para importação de roupas e impôs tarifas de 46% sobre os televisores importados da China.