Sociedade
Um país marcado
pelas diferenças

Unida, mas dividida. Assim é a sociedade espanhola, marcada pelas diversidades regionais. O castelhano é a língua oficial, mas o catalão, o galego e o basco são falados e escritos de forma considerável em seus distritos. A cultura popular também reflete estas diferenças, com conteúdos que variam segundo a região ou o credo. Manifestações como a música flamenca e as touradas, consideradas símbolos espanhóis, na verdade são cultivadas apenas em alguns locais, como as cidades de Granada, Sevilha e Córdoba. Livros escritos em catalão, galego e basco são pouco lidos fora de suas respectivas regiões.

O recente crescimento econômico, que acompanhou a entrada do país na União Européia (ex-Comunidade Econômica Européia) em 1986, transformou a Espanha em um país modernizado e antenado. A mudança pode ser notada até visualmente, com a proliferação das construções de linhas arrojadas nas cidades e o crescimento do número de celulares nas ruas. Bilbao, com o espetacular Museu Guggenheim, e Valencia, com a Cidade das Artes e das Ciências, são dois exemplos arquitetônicos desta nova era.

A modernização fez com que hábitos tradicionais dos espanhóis como a siesta - a soneca depois do almoço - fossem abandonados por grande parte das empresas. Pressionadas por seus parceiros e concorrentes europeus, muitas companhias espanholas começaram a trabalhar também durante as três horas que dedicavam ao almoço e ao descanso de seus funcionários. Mas os horários comerciais da Espanha continuam bastante peculiares. As lojas abrem tarde, fazem um intervalo no meio do dia e continuam seu trabalho noite adentro. Os restaurantes começam a receber clientes às 14h, e o comércio não fecha antes das 20h.

Os espanhóis, aliás, têm adoração pela mesa. Nos bares, come-se tapas (tira-gostos) e bebe-se muito. A cozinha espanhola também é marcada pela diversidade regional e pela riqueza de ingredientes. A tradicional paella é de Valencia, na Andaluzia se toma sopa fria (o gazpacho), e a Catalunha é conhecida pela butifarra, uma salsicha produzida na região. Como um dos principais produtores de vinho da Europa, o país é grande consumidor da bebida. Os vinhos mais conhecidos vêm de Rioja, Ribera del Duero e Murcia y Toro.

O catolicismo, religião oficial do Estado até 1978, ainda é majoritário – embora seu papel na vida pública e privada espanhola tenha diminuído consideravelmente. Além de celebrar festas cristãs tradicionais como o Natal e a Semana Santa, os espanhóis comemoram o dia dos santos patronos - de cidades, povoados, bairros e até mesmo profissões. A cada ano, porém, diminui o número de casamentos religiosos e aumenta a quantidade de casais que unem-se apenas no civil.

A educação é um dos pontos fortes no país – todos têm acesso ao ensino básico público, e no ensino médio e superior os espanhóis se dividem entre escolas do governo e as privadas. O país tem quarenta e nove universidades (dados de 1998), sendo Navarra, Salamanca, Madri e Barcelona as mais importantes. Salamanca é também uma das nove cidades espanholas consideradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco. As outras são Córdoba, Santiago de Compostela, Cáceres, Alcalá de Henares, Segóvia, Toledo, Cuenca e Ávila.