| Política
Depois
da ditadura, a volta à monarquia A
Espanha saiu de um longo isolamento internacional em 1975, com o fim da ditadura
de Franco, que permaneceu 36 anos no poder. A transição para a democracia
foi conduzida pelo rei Juan Carlos I, sob um regime de monarquia parlamentar.
O atual primeiro-ministro, José Luis Rodríguez Zapatero, socialista,
venceu o conservador José María Aznar em março de 2004, quando
houve um atentado em Madri a poucos dias da eleição. Bombas
explodiram nos trens do metrô, matando 191 pessoas. Aznar tentou manipular
o episódio eleitoralmente. Mesmo sabendo que as bombas eram obra do terrorismo
islâmico, difundiu a falsa informação de que eram ataques
de terroristas bascos. Acreditava que seu rival sofreria prejuízos eleitorais.
A tática não funcionou - o eleitorado espanhol descobriu a manobra
e elegeu Zapatero. Assim
que assumiu o cargo, o primeiro-ministro retirou as tropas espanholas do Iraque,
classificando a ocupação do país como "um enorme desastre".
Em contrapartida, prometeu dobrar o número de soldados espanhóis
no Afeganistão, devido à presença da Organização
das Nações Unidas (ONU) no local. Uma
das principais metas do atual governo é lutar contra o terrorismo. Zapatero
quer também impulsionar o crescimento da Espanha, melhorar seus indicadores
sociais e a simplificar o sistema de impostos. Abriu-se para o diálogo
com o ETA depois que o grupo separatista basco anunciou o cessar fogo em março
de 2006. A seguir, em junho, apoiou o processo que concedeu à Catalunha
maior autonomia. Guerra
Civil - A entrada da Espanha no século XX se deu com agitação
social, descrédito nos partidos políticos e fracassos na política
colonial. Em 1923, o general Miguel Primo de Rivera deu um golpe de Estado, apoiado
pelo rei Afonso III. Quando os efeitos da crise mundial de 1929 chegaram, o monarca
retirou seu apoio ao ditador. Em 1931, socialistas, republicanos e nacionalistas
venceram as eleições nas maiores cidades do país. Sem apoio,
o rei se exilou. Os
conservadores voltaram ao poder em 1933, paralisando as reformas sociais. Em 1934,
uma revolução foi sufocada pelo governo com menor (na Catalunha)
ou maior (em Astúrias) dificuldade. Dois anos depois, republicanos e partidos
de esquerda venceram as eleições, acelerando a reforma agrária.
Inconformadas, as forças conservadoras - aliadas à Igreja e ao Exército
- começaram a preparar um golpe de estado. Foi então que eclodiu
a guerra civil espanhola, que matou 350.000 pessoas em três anos. Entre
1936 e 1939, socialistas, comunistas, anarquistas e democratas liberais lutaram
contra o avanço do fascismo, enquanto os direitistas tentavam livrar o
país da influência comunista e restabelecer os valores tradicionais
de uma Espanha autoritária e católica. Os historiadores consideram
a Guerra Civil como uma espécie de ensaio para a Segunda Guerra Mundial.
Hoje, apesar de sua importância no cenário mundial, a Guerra Civil
não é conhecida por metade dos espanhóis, sendo que 35% nunca
ouviram falar a respeito do conflito na escola. No
fim da guerra, vencida pelos conservadores, o general Francisco Franco teve de
lidar com a desolação, a população dizimada, as terras
e cidades arruinadas. Proclamou a Espanha um país oficialmente católico
e seguiu o modelo totalitário então vigente na Itália e na
Alemanha. Os partidos políticos foram proibidos, à exceção
do oficial Falange, assim como todas as organizações políticas
e sociais não ligadas ao governo. A
Espanha não tomou parte direta na Segunda Guerra, apesar de ter enviado
tropas para lutar ao lado da Alemanha e da Rússia. Mesmo assim, a derrota
do eixo fez com que o país ficasse isolado internacionalmente. Como não
havia oposição interna, no entanto, Franco continuou a governar
até sua morte, em 1975. Cenário
em evolução - O rei Juan Carlos I tornou-se chefe de Estado
depois da morte do ditador. A Constituição, elaborada por um parlamento
eleito democraticamente e promulgada em dezembro de 1978, confirmou a situação,
garantindo a liberdade dos partidos políticos e das religiões e
dando às regiões espanholas uma grande autonomia. O
país foi dividido em dezessete regiões com líderes eleitos
localmente e regras próprias. O nível de autonomia varia em cada
uma delas. Catalunha, País Basco e Galícia têm suas próprias
línguas. Andaluzia, Navarra, Valencia e as Ilhas Canárias têm
mais poderes. Astúrias e Aragão ainda tentam consolidar idiomas
locais. É um cenário em evolução. O
primeiro chefe de governo do rei Juan Carlos foi Carlos Arias Navarro, que havia
trabalhado ao lado de Franco. Incapaz de solucionar os problemas do país,
ele foi substituído em 1976 por Adolfo Suárez, que renunciou em
1981. No mesmo ano, uma tentativa de golpe fracassou. As eleições
de 1982 deram vitória absoluta ao Partido Socialista Operário Espanhol
(PSOE), por meio do primeiro ministro Felipe González. O feito se repetiu
em 1986 e 1989. Em 1993, com menos sucesso, o PSOE também garantiu sua
vitória. A lista de feitos políticos do partido inclui a integração
na Europa e na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte),
a pacificação dos militares, pactos sociais com empresários
e sindicatos e a modernização e abertura da economia. Foi
só em 1996 que o PSOE - fragilizado por denúncias de corrupção
e de terrorismo de estado contra a organização separatista basca
ETA - saiu do poder, com a vitória do centro-direitista José Maria
Aznar. Ele desfrutava, à época da eleição, de uma
imagem de honestidade. Saiu do governo abalado pelo choque dos atentados terroristas
em Madri. ETA
- A Espanha precisa lidar com um dos mais graves problemas dentro da Europa:
o terror, ali representado pelo grupo separatista basco ETA (Euskadi Ta Azkatasuna,
que significa Pátria Basca e Liberdade). No País Basco, área
de atuação da organização armada, e na Catalunha,
as tendências separatistas continuam existindo com alguma força. Em
quatro décadas de atividade, o ETA matou mais de 800 pessoas com o objetivo
de fazer com que o governo conceda independência à região.
A causa tem apoio de apenas 30% da população. A maioria dos habitantes
do País Basco se contenta com os direitos garantidos a ela na Constituição
espanhola: arrecadar impostos, ensinar a língua basca nas escolas e eleger
Parlamento e presidente próprios. |