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Política
Da
revolução à decadência
com Fidel Castro
A
virada socialista de 1959 e o isolamento
pós-soviético, nos anos 90
Cuba
foi um dos últimos países a se libertar do domínio
espanhol. Sua independência foi em muito patrocinada pelos
Estados Unidos, que tinham interesse econômico na ilha. Cuba
era próxima à Flórida, possuía grandes
belezas naturais e era a principal produtora mundial de açúcar.
O grande herói da independência cubana foi o poeta
e jornalista José Martí, porém ela não
teria se concretizado sem a "ajuda" dos norte-americanos.
À beira da revolução, o clima em Cuba era tenso.
Explodiam revoltas que buscavam a sua independência. O patriotismo
aflorava em busca da liberdade. Com o apoio dos EUA, a vitória
cubana foi fácil. Mas Cuba saiu da dominação
espanhola e passou a ser dominada pelos EUA. Em 1901 foi incorporada
à Constituição cubana uma emenda que previa
a "doação" da Baía de Guantánamo
para os norte-americanos instalarem uma base militar. Ao longo de
cinco décadas, ditaduras mantidas pelos EUA foram instaladas
em Cuba. Em 1953, o ditador era Fulgêncio Batista, que governava
segundo os interesses de empresas transnacionais. Os cubanos não
tinham poder de decisão sobre seu país e a liberdade
era uma utopia. O povo não estava ao lado de Batista e passou
a contestar seu despotismo. No mesmo ano, um grupo de jovens, comandado
por um ex-líder estudantil e jovem advogado chamado Fidel
Castro, atacou a Fortaleza de Moncada, em Santiago. Objetivavam
tomar armas para financiar uma revolução. Mas fracassaram
e somente 30 dos 150 revoltosos sobreviveram. Estes foram condenados
à prisão e, depois de cumprirem parte da pena (Fidel
cumpriu 22 meses), foram anistiados e banidos de Cuba. Foram derrotados,
mas Castro passou a ser uma referência na luta contra Fulgêncio
Batista.
Exilaram-se
no México, reorganizaram-se e começaram a treinar
para uma nova tentativa de revolução. Nesse momento
Ernesto Guevara, o Che, aderiu ao grupo. Também faziam parte
dele Camilo Cienfuegos e Raúl Castro, irmão de Fidel.
Constituíram o Movimento Revolucionário 26 de Julho.
Em novembro de 1956 partiram de um porto mexicano no iate Granma
com destino a Cuba. Eram 82 pessoas armadas com dois canhões
antitanque, 35 rifles com mira telescópica, 53 fuzis mexicanos,
3 metralhadoras Thompson e 40 metralhadoras leves. Os motores defeituosos
e a sobrecarga do Granma, bem como o mau tempo e erros na navegação
atrasaram a chegada dos revoltosos. Com isso, o governo de Batista,
sabendo da tentativa revolucionária, organizou um contra-ataque.
Logo após o desembarque as tropas do governo dizimaram os
revolucionários. Os únicos doze sobreviventes dispersaram-se
e se embrenharam na mata. Quase sem comida, desprovidos de água,
com poucas armas e em condições físicas horríveis,
caminharam durante dias até chegarem a Sierra Maestra, onde
se reuniram novamente. Sobreviveram graças ao apoio que receberam
dos camponeses. Os remanescentes do grupo, liderados por Fidel,
Che, Raúl e Cienfuegos, juntamente com os novos recrutados,
foram obtendo importantes e estratégicas vitórias
contra as tropas governistas. Numa verdadeira epopéia, a
guerrilha revolucionária caminhava rumo à capital
cubana. Com a vitória final finalmente consumada, Fulgêncio
fugiu do país e no dia 1º de janeiro de 1959 as colunas
guerrilheiras tomaram toda a ilha.
Guinada
socialista - Um novo capítulo da história cubana
começava. Fidel Castro projetou um governo fortemente nacionalista
e disposto a combater a corrupção. Houve, então,
a ampla reforma urbana e agrária, o aumento da construção
de escolas e hospitais, a distribuição mais igualitária
da renda, as maciças campanhas de alfabetização,
a nacionalização das empresas, a elevação
dos níveis salariais. Em abril de 1961, Fidel Castro, em
célebre discurso, finalmente anunciou que Cuba se tornaria
um país socialista. Assim, aproximou-se da URSS em busca
de ajuda militar, técnica, financeira, econômica e
diplomática. A URSS passou a comprar açúcar
a preço acima do mercado e a vender petróleo mais
barato para Cuba. A URSS financiou Cuba para ter um modelo socialista
no continente americano. Em represália, os EUA impuseram
um bloqueio comercial contra a ilha, e obrigaram outros países
a fazê-lo também - na América, somente o México
não aderiu. Também romperam relações
diplomáticas e tentaram, sem sucesso, invadir Cuba, a partir
da Baía do Porcos. Para evitar mais invasões, os soviéticos,
então comandados por Nikita Krutchev, instalaram mísseis
nucleares em Cuba. Kennedy, o então presidente norte-americano,
ordenou um bloqueio naval à ilha. URSS e EUA quase promoveram
uma hecatombe nuclear, mas acabaram acertando um acordo que determinava
a retirada dos mísseis russos e o compromisso dos EUA de
não mais invadirem Cuba. Esse episódio ficou conhecido
como a Crise dos Mísseis.
Com
o colapso da URSS no final de 1991 as dificuldades de Cuba foram
agravadas. Já não podia mais vender seu açúcar
para a URSS acima do preço de mercado e comprar petróleo
barato. Além disso, os EUA agravaram o embargo comercial
contra a ilha em 1992 e 1996. Cuba tornou-se, assim, um país
relativamente isolado do resto do mundo. Com pouco petróleo,
os cubanos tiveram de encontrar meios de locomoção
alternativos, como a bicicleta. Os índices sociais decaíram.
Sem poder comercializar com boa parte dos países do planeta,
Cuba teve seus recursos financeiros prejudicados. A ilha hoje abriga
um ditador em decadência senil, presos políticos, um
paredão onde três dissidentes foram executados em 2003,
prisioneiros de guerra, militares americanos e uma onda de cidadãos
que tentam, dia após dia, deixar o país a bordo de
um bote inflável. Em Cuba, cercada de mar por todos os lados,
convivem o inigualável poderio americano e o desafio insistente
a ele levantado pela revolução de Fidel Castro, a
idéia da liberdade e sua negação, as filas
para comprar comida e as comodidades do fast food e outros paradoxos.
Nos estertores de um regime que parece não acabar nunca,
o fuzilamento de três cidadãos que seqüestraram
um barco para fugir da ilha e a condenação de mais
75 pessoas a penas que chegam a 28 anos de prisão por delito
de opinião abalou a fé até mesmo de grandes
admiradores de Fidel Castro. O escritor português José
Saramago, prêmio Nobel de Literatura de 1998, velho amigo
do regime castrista, finalmente rompeu com ele.
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