Quando os colonizadores espanhóis chegaram à região da atual Colômbia, no fim do século XV, o litoral era habitado por índios caraíbas, e o planalto, por chibchas. Com a atual Venezuela, o Equador e o Panamá, o território constituía a colônia de Nova Granada, subordinada ao Vice-Reinado do Peru. No século XVI, os colonizadores iniciaram a exploração das minas, praticada pela mão-de-obra local. Cartagena, fundada em 1533, tornou-se uma das principais bases do império espanhol na América, porto exportador de ouro e prata. Com a introdução da agricultura extensiva para exportação (café, banana, algodão e tabaco), os espanhóis passaram a utilizar mão-de-obra escrava africana.

Nova Granada se tornou vice-reino em 1717, tendo como capital Santa Fé (atual Bogotá).

Em 1781, teve início a Revolta dos Comuneros, rebelião popular contra as medidas fiscais da Metrópole, considerado o movimento precursor da independência. A vitoriosa campanha militar de Simón Bolívar levou-o, em 1821, a assumir a Presidência da recém-formada Grã-Colômbia (Colômbia, Panamá, Venezuela e Equador). Em 1830, Venezuela e Equador ficaram independentes. Em 1903, o Panamá se separou da Colômbia.


Os principais momentos históricos da Colômbia:

Guerras civis – Por mais de um século, o poder na Colômbia se dividiu entre os partidos Liberal e Conservador, e a rivalidade levou a guerras civis. Os liberais separaram a Igreja do estado, em 1861, e confiscaram terras do clero, cujos privilégios foram em parte restabelecidos pelos conservadores em 1886. A crise causada pela quebra da Bolsa de Nova York (1929) levou ao poder os liberais, que propuseram a reforma agrária e promoveram o crescimento da economia. Discordâncias em relação às reformas dividiram os liberais em dois grupos: um conservador moderado, majoritário, e outro reformista, liderado por Jorge Gaitán. A cisão promoveu o retorno ao poder dos conservadores em 1946. Em 1948, o assassinato de Gaitán desencadeou distúrbios em Bogotá – o Bogotazo -, que se espalharam pelo país, causando milhares de mortes. Na tentativa de restaurar a paz, liberais e conservadores decidiram compartilhar o poder.

Guerrilha de esquerda – Ex-combatentes liberais, liderados por Pedro Antonio Marín – Manuel Marulanda ou Tirofijo –, criaram, em 1964, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Outras guerrilhas de esquerda, como o Exército de Libertação Nacional (ELN) e o Movimento Revolucionário 19 de Abril (M-19), foram fundadas nos anos seguintes, e a guerra civil avançou no país. Em 1985, o Exército

reprimiu a invasão do Palácio da Justiça pelo M-19, causando mais de 100 mortes. No ano seguinte, o M-19 depôs as armas e se tornou

partido político, a Aliança Democrática M-19 (ADM-19).

Narcotráfico – Nos anos 1980, quadrilhas colombianas viram no refino da cocaína e no tráfico da droga para os Estados Unidos (EUA)

enorme oportunidade de lucro. Os grandes cartéis da droga – de Medellín e de Cali – fizeram do país um importante produtor mundial de

cocaína e se infiltraram nas instituições do estado colombiano, que passou a ser qualificado de "narcodemocracia". O governo iniciou, então,

uma guerra contra os traficantes. Em 1991 entregaram-se os chefes do Cartel de Medellín, Fabio Ochoa Vázquez e Pablo Escobar, que fugiu

da prisão em 1993 e morreu em tiroteio com a polícia. Em 1995 foram presos Gilberto e Miguel Orejuela, chefes do Cartel de Cali. Apesar da

desaparição de seus principais líderes, o tráfico não foi vencido. Em 2000, a Colômbia respondia por 79% da produção mundial de cocaína.

As guerrilhas de esquerda aproveitaram o vácuo deixado pelos cartéis da droga e passaram a obter recursos cobrando "impostos" dos cocaleros e narcotraficantes instalados nas áreas sob seu controle.

Plano Colômbia – O conservador Andrés Pastrana venceu as eleições presidenciais de 1998 com um plano centrado na pacificação do país. As negociações com as Farc começaram em janeiro de 1999, mas não avançaram. Pastrana lançou, em agosto de 2000, o Plano Colômbia, com o objetivo de acabar com a produção da droga no país. O plano contava com a ajuda dos EUA, na forma de helicópteros e aviões para fumigar as plantações de coca com herbicidas desfolhantes, além de treinar e equipar as forças policiais e militares colombianas.


Fatos recentes

Em fevereiro de 2002, as Farc desviaram um avião e seqüestraram um dos passageiros, o presidente da Comissão de Paz do Senado, Jorge

Gechem Turbay. Pastrana declarou rompido o processo de paz e ordenou a retomada da área sob controle das Farc. Os guerrilheiros fugiram para seus acampamentos nas florestas e intensificaram seqüestros e atentados. Entre os seqüestrados estava a candidata presidencial do

Partido Oxigênio Verde, a ex-senadora Ingrid Betancourt.

Eleições – Em maio, o direitista Álvaro Uribe, dissidente do Partido Liberal, venceu as eleições presidenciais no primeiro turno. Na campanha, defendeu uma política linha-dura contra os guerrilheiros de esquerda. As Farc acusaram Uribe de ligação com grupos paramilitares de direita, o que ele negou. Na cerimônia de posse do novo presidente, em agosto, as Farc lançaram uma série de ataques, numa tentativa de matá-lo – 21 civis morreram. Uribe decretou estado de emergência, mas a medida não deteve a violência.

Em fevereiro de 2003, as Farc explodiram um carro-bomba em frente de uma boate em Bogotá, matando 32 pessoas. Em abril, o Tribunal Constitucional revogou o estado de emergência. Em maio, tentativa das forças de segurança de resgatar reféns em poder das Farc terminou

em tragédia. Dez reféns foram assassinados, entre eles um governador e um ex-ministro da Defesa.

Em 2002, após o seqüestro do presidente da Comissão de Paz do Senado, Jorge Gechem Turbay, pelas Farc, Pastrana rompeu o processo de paz e ordenou a retomada da área sob controle das Farc. Os guerrilheiros fugiram para as florestas e intensificaram seqüestros e atentados.

Em maio, o direitista Álvaro Uribe, dissidente do Partido Liberal,l venceu o pleito presidencial no primeiro turno, com discurso duro de combate aos guerrilheiros. As Farc acusaram Uribe de ligação com paramilitares. No fim de 2003, 14 das 15 medidas do plano de austeridade e reforma política de Uribe foram rejeitadas em plebiscito popular.

NEGOCIAÇÕES – Em maio de 2004, o governo deteve Ricardo Palmera, o principal nome das Farc já preso. Em julho, a organização paramilitar Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), de extrema direita, iniciou negociações de paz com o governo. Em 2005, o governo promulgou uma lei de anistia que entregassem as armas.

REELEIÇÃO - Em 2006, Uribe foi reeleito com 62% dos votos, derrotando Carlos Gaviria, do Pólo Democrático Alternativo, de esquerda, que conquistou 22%. Em fevereiro de 2007, o governo de Uribe enfrentou a sua pior crise, quando surgiram evidências de ligações entre os paramilitares e políticos governistas, alguns dos quais muito próximos ao presidente. Em setembro, foi preso o narcotraficante mais procurado do país, Diego Montoya Sánchez. Nas eleições para prefeitos e governadores, em outubro, o Pólo Democrático Alternativo conquistou a prefeitura de Bogotá, o segundo posto político mais importante.

Em dezembro, a questão das Farc voltou ao centro dos debates, quando o grupo anunciou que iria libertar três reféns, sob a mediação do presidente venezuelano Hugo Chávez. O processo envolveu intrigas mútuas entre os chefes de estado dos dois países, mas terminou com a soltura dos seqüestrados em janeiro de 2008. O fato provocou ainda mais polêmica quando Chávez tentou convencer a comunidade internacional de que as Farc não eram um grupo terrorista.

No início de março, um ataque aéreo colombiano destruiu um acampamento dos guerrilheiros instalado nas matas do Equador, próximo à fronteira com a Colômbia. No ataque, morreu o número dois das Farc, Raul Reyes, além de 22 de seus companheiros. O fato evidenciou o apoio do presidente venezuelano ao grupo, principalmente após a descoberta de computadores que continham arquivos com a correspondência interna da organização, alguns fazendo menção a uma ajuda financeira de Chávez.

Fontes: Almanaque Abril 2008