| |
Sociedade
Alinhada
ao governo,
população repudia terrorismo
De
maioria mestiça, colombianos
enfrentam enorme abismo social
A Colômbia
é o terceiro país mais populoso da América
Latina, com cerca de 44 milhões de habitantes, atrás
apenas do Brasil e do México. Segundo uma previsão
da Organização das Nações Unidas, este
montante deve atingir 59 milhões em 2025. O povo colombiano
nasceu do cruzamento entre os povos indígenas que dominaram
a região até o século XVI com os espanhóis
e africanos que lá aportaram a partir desse período.
Estima-se que 58% da população seja composta por mestiços,
20% por brancos de descendência espanhola, 18% por negros
e mulatos e o restante por comunidades indígenas. Do total
da população, 70% vive em área urbanas. A religião
predominante na terra de Gabriel García Marquez -- o principal
expoente da literatura colombiana --, é a católica,
com 90% de presença.
A desigualdade
econômica ainda é o grande desafio. Como transportar
o crescimento que o país experimentou nos últimos
anos para toda a sociedade? O relatório Indicadores
de Desenvolvimento Mundial 2007, elaborado pelo Banco Mundial,
mostrou que cerca de 17,8% dos colombianos vivem com ao menos 2
dólares por dia, enquanto 7% vivem com 1 dólar ou
menos. Por outro lado, em torno de um quinto da população
retém em torno de 60% da renda nacional, o que faz do país
um dos mais desiguais da América Latina. Em termos extremos
de comparação, na Suécia, por exemplo, esta
fatia retém 34%. Já outros índices apontam
avanços -- alguns tímidos, como a taxa de desemprego
em 10%, e outros muito significativos, como a alfabetização
dos adultos, próximo a 94%.
Apesar
das disparidades econômicas, um ponto de convergência
na sociedade colombiana é a aprovação à
atuação do governo -- que ronda os 70% desde o primeiro
mandato do presidente Álvaro Uribe -- e o repúdio
à atuação das Forças Armadas Revolucionárias
da Colômbia (Farc). Uma pesquisa realizada pelo instituto
Gallup em janeiro de 2008 mostrou que 96% dos colombianos rejeitam
as Farc e seus métodos terroristas, com os quais o grupo
sangra o país há quatro décadas. Desde 2000,
quando o instituto começou a monitorar a opinião da
população sobre as Farc, o índice mantém-se
acima dos 87%. Em fevereiro de 2008, a população foi
às ruas em protesto contra a atuação das Farc.
Foi a maior manifestação já realizada contra
a narcoguerrilha na Colômbia.
Existem
outros reflexos pontuais do otimismo da sociedade colombiana com
o bom momento econômico do país. Cada vez mais jovens
profissionais que vivem no exterior, principalmente nos Estados
Unidos e na Espanha, voltam ao país para atuarem em suas
áreas de formação. "Agora, os jovens colombianos
preferem voltar e seguir carreira por aqui mesmo", disse Carlos
Ronderos, ex-ministro do Comércio Exterior da Colômbia,
em reportagem de VEJA publicada em 2007. A população
que vive nas grandes cidades também desfruta do desenvolvimento.
Bogotá e Medellín, antes metrópoles da violência
e do narcotráfico, hoje despontam como grandes e bem organizados
centros financeiros. A atuação do estado desmantela
cada vez mais cartéis e torna-se mais presente nas favelas,
através do policiamento e das obras de infra-estrutura, como
os teleféricos que as interligam ao metrôs.
|
|