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Política
País luta
para apagar passado de medo e violência
Governo
joga pesado contra o narcotráfico
e o terrorismo, e avança
Durante
anos, foi automático identificar a Colômbia como um
país abandonado ao medo e à violência. Hoje,
uma análise atenta mostra uma nação exausta
de conflitos internos e em guerra para recuperar a civilidade e
manter os bons índices de uma economia que renasce. Este
momento teve data definida, agosto de 2002, e deve-se, em boa parte,
a um nome: Álvaro Uribe. Tão logo assumiu as rédeas,
o presidente declarou guerra ao terrorismo, mais especificamente
às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia
(Farc). Foi tão incisivo que, no dia de sua posse, o palácio
presidencial em Bogotá sofreu um ataque com morteiros caseiros,
no qual morreram ao menos 19 civis. Um aviso das Farc. O estranhamento
não é recente, nem novidade. Uribe, veterano de outros
quinze atentados promovidos pelos guerrilheiros, teve o pai assassinado
pelos mesmos em 1983.
Se
o presidente desagradou aos terroristas, de um lado, animou os cidadãos,
de outro eleito em primeiro turno, alcançou 70% de
aprovação em 11 meses. Seu antecessor, Andrés
Pastrana, foi eleito em 1998 com a mesma promessa, mas a executou
de outra forma. Em seu mandato, a Colômbia era o líder
mundial em assassinatos e seqüestros em relação
à população. Também conquistara o pódio
de maior produtor de cocaína do mundo, o negócio bilionário
que cresceu com proteção das Farc. Pastrana, adepto
do diálogo, estabeleceu contato e negociações
com terroristas e forças paramilitares. Mas foi acusado de
fazer concessões aos guerrilheiros sem receber o cessar-fogo
em troca. Um exemplo foi a criação de uma zona desmilitarizada
do tamanho da Suíça, entregue ao controle das Farc.
Culpa
de Pastrana ou não, ao final de seu mandato, a Colômbia
deparou-se com 3.000 seqüestros e 28.000 homicídios
anuais. Por isso, a mão pesada de Uribe foi um alento. Em
seu primeiro mandato, o número de seqüestros caiu 72%,
e o de homicídios, 37%. Foi reeleito em 2006 com 62% dos
votos, quase o triplo do segundo colocado. Em 2007, mesmo em meio
à pior crise política de seu governo, com acusações
de que deputados de sua base tinham recebido dinheiro de grupos
de extermínio e de que ele próprio tinha ligações
com paramilitares, sua aprovação permaneceu em 70%.
Uribe estreitou as relações já existentes com
os Estados Unidos, propondo um tratado de livre-comércio
entre os dois países em 2004. O processo foi oficializado
em 2006, mas empacou no Legislativo americano, que exige maiores
avanços na luta contra as Farc e os outros grupos terroristas,
como o Exército de Libertação Nacional (ELN),
para prosseguir.
Os
Estados Unidos têm outras razões para esperar resultados
da Colômbia, o principal responsável pela entrada de
cocaína em seu território. O Plano Colômbia,
iniciado no governo de Pastrana, investiu 4,5 bilhões de
reais no combate ao narcotráfico, mas teve resultados contraditórios.
Não serviu para reduzir a produção da droga,
já que as plantações destruídas eram
rapidamente substituídas, mas foi essencial para fechar o
cerco contra os guerrilheiros e diminuir a violência no país.
O bom relacionamento entre Colômbia e EUA, como era de se
esperar, despertou a antipatia das repúblicas populistas
da América Latina, principalmente da vizinha Venezuela.
Uribe
e Hugo Chávez, presidente da Venezuela, são inimigos
declarados, por motivos óbvios. Enquanto Uribe range os dentes
à simples menção da sigla Farc, Chávez
abre um sorriso de tio bonachão já pediu que
os EUA as retirassem de sua lista de terroristas. Com o aperto do
cerco na Colômbia, a Venezuela tornou-se uma nova rota para
a cocaína produzida no país. Além disso, Chávez
parece fazer vista grossa à presença de guerrilheiros
refugiados em seu território, assim como o presidente do
Equador, Rafael Correa. No final de 2007, o presidente venezuelano
assumiu o papel de negociador com os terroristas, que prometerem
entregar alguns dos cerca de 800 reféns que mantêm
em cativeiro. Lá estão alvos políticos que
as Farc esperam negociar em troca de terroristas presos, como a
ex-candidata à presidência do país, Ingrid Betancourt,
seqüestrada em 2002. A primeira tentativa intermediada por
Chávez fracassou. Nas duas seguintes, seis prisioneiros foram
libertados. Seus testemunhos sobre o nível dos maus-tratos
a que foram submetidos causaram comoção em diversos
países.
Em
2008, depois da atuação controversa de Chávez
na liberação dos reféns ter se tornado manchete
mundial, as Farc voltaram a ser assunto, desta vez, com duas baixas.
No primeiro dia de março, um ataque aéreo colombiano
devastou um acampamento do grupo dentro do território do
Equador, matando o número 2 da organização,
Raúl Reyes, e mais 22 terroristas. Três dias depois,
o número 3, Iván Rios, foi morto na Colômbia.
O primeiro evento assumiu ares de crise diplomática: Correa
acusou a Colômbia de violar a soberania de seu território.
Chávez assumiu a mesma posição, deslocando
tropas para a fronteira com a Colômbia. O Brasil também
postou-se contra o ato, defendido pelos Estados Unidos, que pediu
por uma resolução diplomática para o impasse.
Uribe e Correa apertaram as mãos, o que finalizou apenas
um capítulo sobre a briga, já que computadores portáteis
encontrados no acampamento apontaram provas de que as relações
entre as Farc e os governos da Venezuela e do Equador são
ainda mais fortes do que se suspeitava.
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