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diferentes culturas se espalham de norte a sul A
geografia e a mescla européia e indígena privilegiam a diversidade Uma
particularidade chama a atenção para o Chile, assim que se localiza
o país no mapa: seu território é estreito (apenas 175 km
de largura) e comprido (4.300 km de extensão). Essa faixa divide-se em
partes tão diversas como um deserto - o mais árido do mundo -, uma
cordilheira coberta de neve, vulcões e ilhas no meio do Pacífico.
A particularidade geográfica parece ter ajudado a modular as diferentes
manifestações sociais, fruto, é claro, da mescla de costumes
indígenas e europeus. No
norte, há forte presença de povos indígenas andinos, que
influenciados pelos espanhóis acabaram por misturar festas religiosas católicas
e populares aparentadas ao carnaval. A região central do país -
à parte a zona metropolitana de Santiago e arredores - é fortemente
marcada pelas tradições rurais, a chamada cultura "huasa".
Como ali se concentra a maior parcela da população nacional, considera-se
esta a cultura nacional, folclórica até, expressa pelas chamadas
Festas Pátrias, pelos rodeios e pela figura do cavaleiro de sombreiro e
chalé. A cultura indígena mapuche e as tradições das
"haciendas" (fazendas) dominam os territórios mais ao sul - onde
o frio é a marca. Ali há também forte influência alemã. A
peculiaridade geográfica ajudou o Chile. Ao menos quando o assunto é
uma das marcas modernas do país: os bons vinho. Com uma combinação
excepcional de solo e clima, o país é o único produtor livre
da filoxera, inseto que devora as raízes da videira e dizimou vinícolas
do mundo inteiro no século XIX. Para atingir o grau de excelência,
os produtores franceses tiveram de virar as vinícolas chilenas de cabeça
para baixo. Trouxeram da Europa equipamentos modernos para colheita, poda e armazenamento.
Devastada por uma praga na França no século XIX, a uva Carménère,
por exemplo, é atualmente uma espécie de monopólio mercadológico
do Chile, o único país a ostentar o nome em seus rótulos.
Uma das grandes razões para o sucesso dessa fruta tão frágil
ali é, justamente, a localização do país: praticamente
isolado de qualquer praga. O Chile exporta hoje pouco mais de 500 milhões
de dólares anuais em vinhos. Há dez anos não passava de 50
milhões. | |