A região começou a ser povoada 11.000 anos a.C. e era habitada por querandis, charruas, quíchuas e guaranis. Tinha partes pertencentes ao Império Inca (a noroeste), e os pampas dominados por ameríndios nômades. Em 1516, o navegador espanhol Juan Díaz Solís, que buscava uma passagem pelo sudoeste para as Índias Orientais, aportou no que hoje é conhecido como o estuário do Rio da Prata e proclamou o território como propriedade da Espanha. O nome Argentina tem origem na palavra prata em latim (argentum), metal abundante na região do rio.

Os principais momentos históricos da Argentina:

A colonização - Buenos Aires foi fundada em 1536 pelo espanhol Pedro de Mendoza. O primeiro assentamento permanente em território hoje argentino foi Santiago del Estero, fundado em 1553 por espanhóis vindos do Peru. Depois foram fundadas Córdoba e Santa Fé (1573) e novamente Buenos Aires (1580), por Juan de Garay. Em 1620, toda a região do Rio da Prata ficou sob o controle administrativo do vice-reinado do Peru. Em 1776, o território que hoje compreende Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai foi separado do Peru, dando origem ao vice-reinado do Rio da Prata.

A Revolução de Maio - As conquistas de Napoleão Bonaparte pela Europa refletiram diretamente no processo de independência da Argentina. Com o destronamento do rei espanhol Fernando VII, em 1808, o povo de Buenos Aires se recusou a reconhecer a autoridade de José Bonaparte, irmão de Napoleão. O Cabildo Aberto de 25 de Maio de 1810 destituiu o vice-rei Baltasar Hidalgo de Cisneros, que havia tomado o lugar de Bonaparte, e nomeou uma junta provisória governista, que rompeu com os representantes de Fernando VII

As lutas pela independência - O general José de San Martín liderou a campanha pela independência argentina e ainda participou de outras emancipações na América do Sul, como no Chile e no Peru. Com a volta de Fernando VII ao trono da Espanha, San Martín e o general Manuel Belgrano convocaram uma Assembléia Constituinte para declarar a independência em 9 de julho de 1816. Na tentativa de criar um governo unitário, Buenos Aires convocou uma reunião com as províncias em 1824 e Bernardino Rivadavia foi eleito presidente pelo Congresso em 1826. Mas o regime unitário fracassou e as províncias voltaram a se autogovernar, deixando as relações exteriores ao cargo de Buenos Aires. O então governador de Buenos Aires, Manuel Dorrego, foi derrotado pelo unitário Juan Lavalle, o que causou uma guerra civil. Em Buenos Aires, Juan Manuel de Rosas foi o encarregado de resistir aos golpistas do governo de Dorrego. Em 1829 é instaurada a ditadura de Rosas, que seria o novo governador de Buenos Aires, derrubado por Justo José de Urquiza em 1853, na batalha de Caseros. Urquiza proclamou uma constituição em San Nicolás, aceita por Buenos Aires nove anos depois. Em 1865, a Argentina se uniu ao Brasil e ao Uruguai no que ficou conhecido como a Guerra do Paraguai pela conquista dos territórios ocupados pelos índios na Campanha do Deserto. As tropas paraguaias, lideradas por Francisco Solano López, foram derrotadas cinco anos depois.

Eleições presidenciais - Em 1912. o presidente Sáenz Peña criou a lei do voto secreto e propiciou a chegada dos radicais ao poder pela primeira vez, em 1916, com a União Cívica Radical (UCR) de Hipólito Yrigoyen. Com a Primeira Guerra Mundial, o pós-guerra, o crescimento do autoritarismo na Europa e a quebra da bolsa nos Estados Unidos em 1929 ocorreu o primeiro entre os muitos golpes de estado. Em setembro de 1930, José Félix Uriburu depôs o então presidente Yrigoyen e iniciou uma série de golpes e governos militares que se estenderam até 1983. A década de 30 foi caracterizada por regime civil com domínio conservador e fraudes eleitorais, que só tiveram fim no ano de 1943, com a ascensão do coronel Juan Domingo Perón ao poder.

O peronismo - Aclamado por suas leis sociais e por sua atuação na Secretaria do Trabalho, Perón chegou a vice-presidente em 1945 e foi eleito presidente em 1946 pelo Partido Laborista (Trabalhista). Com uma política populista, fez grandes mudanças sociais e políticas, além de diversas nacionalizações, na corrente da baixa das importações dos países em guerra. Em 1º de maio de 1949, promulgou a reforma constitucional, baseada principalmente nos setores trabalhistas e foi reeleito em 1951. Sua mulher Evita impulsionou o voto feminino e se dedicou às áreas de assistência social, tornando-se o símbolo da propaganda do governo populista. Ela morreu em julho de 1952 e Perón foi derrubado em 1955 por um golpe e se exilou na Espanha..

Governos alternados - De 1955 a 1973, a Argentina foi governada por civis e militares. Durante os anos 60 e 70 todos os governos eleitos foram derrubados por golpes militares. O primeiro deles foi Arturo Frondizi (UCR), que assumiu a presidência em 1958 com o apoio de Perón, encerrando três anos de regime antiperonista. Em março de 1962, Frondizi foi destituído e o titular do Senado José María Guido tomou seu lugar. Em 1963 foi eleito o candidato da UCR, Arturo H. Illia, que teria de enfrentar a abolição do peronismo (tornado ilegal em 1957) e o estado degenerativo em que se encontravam as Forças Armadas. Em 1966, Arturo Illia sofreu um golpe de estado protagonizado pelo comandante-em-chefe do Exército, o general Juan Carlos Onganía, apoiado por políticos, empresários e jornalistas. O golpe conduziu ao poder uma série de presidentes apoiados pelo Exército. Em 1971, Alejandro Lanusse foi apoiado por vários setores e tentou restabelecer a democracia, apesar dos contínuos protestos de peronistas da classe trabalhadora.

O retorno de Perón - Perón voltou ao poder democraticamente em 1973 pelo Partido Justicialista, mas morreu no ano seguinte. Sua mulher e vice-presidente, Maria Estela Martínez Perón, Isabelita, assumiu o governo e favoreceu setores direitistas. Foi deposta pelo último golpe de estado na Argentina, em março de 1976. A junta militar, chefiada pelo General Jorge Rafael Videla, decidida a acabar com a "subversão", dissolveu o Congresso e deu início a um sangrento processo de terrorismo de Estado: onúmero estimado de desaparecidos na ditadura é de 30.000 pessoas.

A administração de Videla foi marcada por violações sistemáticas dos direitos humanos e acentuada repressão, com perseguições, torturas e execuções de presos políticos. Assim como outros países do Cone Sul, o governo argentino integrou a Operação Condor, uma aliança político-militar criada para reprimir a resistência aos regimes ditatoriais instalados no Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Bolívia. É no seu governo que surge, devido aos inúmeros desaparecidos políticos, as Mães da Praça de Maio, associação de mães que durante anos reivindicou o paradeiro de seus filhos.

Em abril de 1982, em busca de apoio popular, militares invadiram o território britânico das Malvinas (Falklands Islands, em inglês) no Atlântico sul. A guerra deixou 648 vítimas fatais na Argentina, que foi derrotada dois meses após a invasão. Com o término do conflito, os militares convocaram novas eleições.

A redemocratização - Depois de 50 anos de governos militares, o país voltou a ter uma democracia estável, com sucessão de presidentes radicais e peronistas eleitos de forma contínua. Raúl R. Alfonsín (UCR) perdeu a eleição e entregou a faixa presidencial ao peronista Carlos Saúl Menem, em 1989 - foi a primeira vez na Argentina que um presidente de um partido entregou o poder a um presidente de outro partido. Menem assumiu a presidência em meio a grave crise econômica, tentou combater a inflação, converteu a moeda e realizou privatizações - nada deu muito certo. Em 1991, a Argentina assinou, junto com Brasil, Paraguai e Uruguai, o Tratado de Assunção, dando origem ao Mercado Comum do Sul, o Mercosul.

Em 1994 foi feita uma reforma na Constituição, que permitiu a reeleição de Menem naquele mesmo ano. O seu segundo mandato foi marcado pelo aumento dos indicadores negativos, como o desemprego, a pobreza, o trabalho sem registro e a dívida externa.

Fatos Recentes - Fernando de la Rúa, da Aliança - coalizão de oposição que reúnia a UCR e a Frepaso (Frente País Solidário) - é eleito em 1999 no primeiro turno, em meio à recessão e crise no Mercosul. O governo assinou acordo de ajuda externa, no valor de 40 bilhões de dólares, coordenados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Em julho de 2001, boatos de desvalorização do peso provocaram corrida aos bancos, obrigando o governo a limitar, no dia 1 º de dezembro, o saque em mil dólares por pessoa - corralito. Uma greve geral contra a política econômica degenerou em tumultos.

Em dezembro de 2001, ocorreu o "panelaço" - protesto em frente a Casa Rosada que pedia a renúncia de Fernando de la Rúa, o que ele fez no dia 20 e fugiu de helicóptero. O governo passou então por sua pior crise desde o retorno da democracia, tendo quatro presidentes em onze dias.

A estabilização veio com Eduardo Duhalde, que assumiu em 1º de janeiro de 2002. O câmbio fixo de paridade de 1991 foi abolido e adotou-se o câmbio flutuante. Em novembro, Duhalde extinguiu o corralito, e em janeiro do ano seguinte, assinou novo acordo com o FMI, encerrando a moratória da dívida externa, que havia sido decretada em 2001 por Adolfo Rodríguez Saá, um dos sucessores de De la Rúa na crise.

Em 2003, Néstor Kirchner, governador da província de Santa Cruz e apoiado por Duhalde, assumiu o governo com apenas 22% dos votos. Entre seus primeiros atos, confirmou Roberto Lavagna como ministro da Economia e demitiu o comandante do Exército, além de destituir mais de 50 integrantes da cúpula das Forças Armadas, com objetivo de afastar oficiais suspeitos de envolvimento com a repressão no regime militar.

Em 2005, foi anunciado o fim da reestruturação da dívida do país, e o calote argentino. Para garantir que receberiam ao menos parte do que lhes era devido, 76% dos credores aceitaram trocar os títulos antigos da dívida por novos papéis com valores até 75% inferiores. Com o sucesso da renegociação, o débito argentino diminuiu consideravelmente, de mais de 100 bilhões de dólares para cerca de 35 bilhões de dólares.

Em janeiro de 2006, a Argentina pagou integralmente sua dívida com o FMI e desfrutou de seu quarto crescimento seguido. A taxa de expansão do PIB foi acima dos 8% entre os anos de 2003 e 2005, um dos melhores resultados do mundo. O índice de pobreza, que era de 50% da população em 2002, passou para 31% em 2006.


Fontes: Almanaque Abril 2007, sites da Embaixada da Argentina no Brasil, da Presidência e do Governo da Argentina