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Renascimento do nacionalismo
alemão Os
efeitos colaterais do crescimento do orgulho pátrio causam preocupação Profundamente
marcada pela imigração, a sociedade alemã deve parte de sua
atual forma a esse processo. Deixar o país nos períodos de guerra
foi tão comum como é atualmente a imigração de estrangeiros
que buscam melhores condições de vida na Alemanha. Nas décadas
de 1910 e 1920, por exemplo, ainda com o amargo sabor da I Guerra Mundial e suas
conseqüências, o êxodo de alemães para a costa leste dos
Estados Unidos foi tamanho que cerca de 25% da população de Nova
York no período eram de origem germânica. A
imigração também foi a principal força capaz de dar
forma aos desenvolvimentos demográficos das duas Alemanhas no período
pós II Guerra Mundial. Após a construção do Muro de
Berlim em 1961, o fluxo de imigração, primeiro para a Alemanha Ocidental
e depois para a Alemanha unificada, levou para terras germânicas milhares
de operários do sul da Europa e de pessoas procurando asilo contra opressão
política sofrida em países do leste europeu. No início da
década de 1990, período conturbado pela unificação
alemã, o fluxo de imigrantes alemães do leste para a Alemanha Ocidental
atingiu pico de 389.000 pessoas, processo revertido já em 1993, quando
119.000 pessoas fizeram o trajeto oposto e deram início a uma redistribuição
demográfica pelo país. Embora
em escala menor, o histórico vai e vem de pessoas para dentro e para fora
da Alemanha continua nos dias de hoje. O resultado é uma sociedade complexa
com cerca de 9.000.000 de estrangeiros em seu contingente populacional. Os turcos
são o grupo étnico estrangeiro predominante, representando 2,4%
da população do país - muitos deles foram para a Alemanha
como trabalhadores convidados durante a "explosão" econômica
que durou de meados da década de 1950 ao final de 1973. Atualmente, entre
os 82.422.299 de habitantes, outros 6,1% são gregos, italianos, poloneses,
russos, sérvios, croatas e espanhóis. Entre
os benefícios sociais promovidos por intensa movimentação
de pessoas e difusão multi-cultural está a rápida transformação
do papel feminino na sociedade alemã. Abandonando os limites impostos pelos
tradicionais três "K" - Kinder (criança), Kirche (igreja)
e Küche (cozinha) -, as alemãs galgaram vitórias na busca por
direitos iguais ao longo do século XX. Saíram do simples direito
de voto, alcançado em 1919, para a Chancelaria do país com Angela
Dorothea Merkel. Eleita chanceler alemã em 2005, Merkel ilustra a solidez
das conquistas sociais femininas na Alemanha, país na vanguarda do boicote
ao patriarcalismo.
Desafios
- Curiosamente, apesar de a imigração também
ser uma alternativa plausível para solucionar o problema
crítico de baixa natalidade e conseqüente envelhecimento
e diminuição populacional do país, verifica-se
atualmente um aumento da resistência contrária à
entrada de novos imigrantes estrangeiros. Isso se explica em parte
pelos efeitos colaterais do renascimento do nacionalismo alemão.
Com décadas de distanciamento entre os dias atuais e a trágica
ascensão de Adolf Hitler ao poder, uma geração
inteira de alemães foi educada sem sofrer diretamente as
conseqüências morais depressivas de se achar responsável
pela política de terror que levou ao Holocausto. O problema
é que esse saudável renascimento do orgulho pátrio,
impulsionado pela necessidade de consolidação de uma
nova identidade alemã, vem também acompanhado de disfunções
como o xenofobismo e até mesmo de uma paradoxal "explosão"
neo-nazista.
Em
relação ao xenofobismo atualmente encontrado na sociedade germânica,
o principal suporte ideológico vem do argumento de que os imigrantes preenchem
cargos formais e informais em diversos setores de atividade, tornando mais difícil
para alemães nativos conseguir um emprego em uma sociedade que já
é assolada pela desocupação trabalhista. A atual taxa de
desemprego no país, que atinge 11,6% da população economicamente
ativa, é um dos grandes temas de discussão nacional, presente não
apenas no Parlamento, mas também no dia-a-dia das pessoas. Já a
expansão da extrema-direita, ilustrada principalmente pelos grupos neo-nazistas
que crescem e se organizam pelo país, é verificada pelos relatos
cada vez mais freqüentes de agressões e outros crimes cometidos contra
negros, homossexuais e judeus, sejam eles alemães ou estrangeiros. | |