Política
Reinserção na cúpula
política mundial

Recuperada de crises internas, a Alemanha
busca maior papel na política global

Derrotada nas I e II Guerras Mundiais, a Alemanha viu seu papel decisório no cenário político mundial estacionar por décadas durante o século XX. Vítima principal da Guerra Fria, o país teve seu território e sua política interna divididos por 28 anos de vigência do Muro de Berlim. Realizada em 1989, a derrubada do muro, maior símbolo da "Cortina de Ferro" entre capitalismo e socialismo, abriu caminho para 17 anos de investimento financeiro contínuo no cenário interno para a reconstrução de uma unidade social, política e econômica. Consciente dos dramas vividos e superado os principais problemas internos, a Alemanha dirige agora suas atenções ao reestabelecimento do país como uma das grandes instâncias da decisão política internacional.

Entre os objetivos externos destaca-se o interesse germânico em ser incluído como membro permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), seleto grupo que já conta com Estados Unidos, China, Rússia, França e Inglaterra. Agressivo e ágil em sua política externa, o país foi pioneiro em instalar permanentemente em Nova York uma comissão diplomática encarregada de acompanhar as discussões sobre a reforma da ONU, tema central dos debates realizados em 2005 por celebração dos 60 anos da instituição.

Neste atual cenário político global multi-polar formado por diversos expoentes que tentam equilibrar a disposição de poder no mundo, a Alemanha vê-se obrigada a inovar e assumir responsabilidades internacionais para competir com outras nações pelos mesmos objetivos. As recentes intermediações germânicas nas principais negociações entre o Conselho de Segurança e Irã - a respeito do impasse nuclear promovido pela vontade do país árabe de enriquecer urânio - configuram esse interesse político de angariar projeção externa para garantir o alcance de suas metas globais. No fronte militar, o governo alemão declara abertamente apoio aos Estados Unidos na chamada “guerra contra o terrorismo”, além de fazer parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Integrante de grupos como o G4, G8, Conselho Europeu e Fundo Monetário Internacional, que reúnem as maiores potências político-financeiras do mundo, a Alemanha também é peça central do maior fenômeno de integração transnacional existente: a União Européia (UE). Desejosa de aumentar sua influência entre os países membros da UE, onde enfrenta histórica dominância francesa, a Alemanha atualmente exporta conhecimento científico e assume a liderança em debates para a resolução de problemas que atormentam o continente europeu, principalmente sobre questões referentes à imigração, ao envelhecimento populacional e à viabilidade de políticas de restrição dos benefícios sociais concedidos aos cidadãos para preservação dos sistemas públicos de pensão.

Ambiente doméstico - Já no cenário interno, todas as decisões políticas são tomadas dentro da estrutura de uma república democrática, representativa, federativa e parlamentar, na qual o chanceler, apesar de não ser o chefe de Estado, é o chefe de Governo em um ambiente multi-partidário. O poder executivo é exercido pelo governo federal e o poder legislativo recai tanto sobre o governo quanto sobre duas câmaras parlamentares: a Assembléia Federal (Bundestag) e o Conselho Federal (Bundesrat).

Desde 1949, ano em que a atual Constituição - chamada de Lei Básica (Grundgesetz) – foi aprovada, o sistema partidário é majoritariamente dominado pelos políticos conservadores da União Democrática Cristã e do Partido Social Democrático da Alemanha. A Grundgesetz – forte resposta aos defeitos da falha constituição da República de Weimer de 1919, suscedida pela ditadura do Terceiro Reich em 1933 – enfatiza a proteção das liberdades individuais e os direitos humanos, além de dividir poderes da instituição política alemã entre as esferas federal e estadual.