| | Economia
Crescimento pequeno,
porém contínuo A
forte economia alemã tem de se ajustar para vencer o desemprego Permeada
por contradições, a economia alemã vive a necessidade de
ajustes internos e de transição para uma economia global. Consegue
ser moderna e antiquada ao mesmo tempo. É imensamente poderosa - produz
US$ 2,73 trilhões por ano e é o maior exportador mundial - mas sofre
sérias fraquezas estruturais. É sujeita a leis nacionais, mas está
intimamente amarrada à União Européia, o que não a
faz verdadeiramente independente. Tem um banco central que controla a política
monetária européia e possui grande impacto na economia global, mas
insiste em tomar decisões baseadas em considerações exclusivamente
domésticas. E continua a carregar o fardo de setores tradicionais que sugam
recursos financeiros que poderiam ser melhor empregados em outras áreas
que possuem vantagem competitiva. Orgulhosamente
nomeado de soziale Marktwirtschaft, ou economia de mercado social - o sistema
econômico alemão tem dimensões tanto materiais como sociais.
A ênfase no termo "mercado" deve-se à economia livre de
intervenção estatal planejada após a experiência governamental
nazista. Já o termo "social", cuidadosamente escolhido pelos
alemães para diferir da palavra "socialista", deve-se à
preocupação estatal com o bem-estar social de seus cidadãos.
O peso financeiro dos extensos benefícios sociais concedidos aos cidadãos
alemães, contudo, não tem se traduzido em estagnação
econômica. A Alemanha já é a terceira maior economia do mundo
em termos de Produto Interno Bruto (PIB) - atrás apenas de Estados Unidos
e Japão - e um dos países líderes em rendimento per capita.
Apesar das modestas médias de crescimento ao redor de 1% ao ano, a economia
alemã é dinâmica no sentido de ser direcionada a uma expansão
lenta e contínua em vez de um crescimento acentuado e intermitente similar
ao observado em países em desenvolvimento. Com
setores industriais diversificados, a Alemanha esbanja força econômica
em vários segmentos de mercado e se destaca na prestação
de serviços, atividade que responde pela geração de 70,3%
do PIB. A grande força dominante na economia alemã é o sistema
bancário. O banco central, Bundesbank, é profundamente dedicado
a manter o valor financeiro da moeda européia, mesmo a custos de redução
no ritmo de crescimento econômico. A inflação é temida
acima de qualquer outra coisa e bancos privados também têm papel
importante, já que os setores industrial e de serviços do país
funcionam respaldados por financiamentos bancários. Em troca, esses mesmos
bancos ocupam os comitês de direção da maioria das corporações
alemãs, enfatizando as tradicionais diretrizes bancárias de crescimento
contínuo e sem risco, ainda que mais lento. São
de capital alemão empresas como Basf, Bayer, BMW, Porsche, Daimler Chrysler,
Boehringer Ingelheim, Deutsche Bank e Volkswagen. Predominantemente voltada para
a exportação, a forte indústria alemã, responsável
por 28,6% do PIB, é também repleta de pequenas e médias empresas,
o que torna o pais capaz de competir efetivamente mesmo em linhas de montagem
com elevado custo de produção e que apresentam produtos de custo
elevado. Além dos setores bancários e automotivos, o país
também é referência em engenharia, fármacos, política,
segurança ou produtos culturais como música e literatura. Desafios
- Com uma taxa de desocupação que já atinge 11,6% da
população economicamente ativa e apresenta tendência de aumento,
o novo grande desfio da economia alemã é superar o desemprego. Também
faz parte da agenda de preocupações do governo alemão o perigoso
envelhecimento populacional, que, combinado à baixíssima taxa de
natalidade e conseqüente falta de renovação da força
trabalhista, colocam em risco a sustentabilidade do histórico sistema de
seguridade social e de geração de renda tributária para o
Estado. Superada
a divisão política entre as Alemanhas capitalista e socialista,
o país busca agora diminuir as distâncias econômicas entre
as duas partes e apagar os vestígios da divisão. Além de
investir pesadamente em territórios antes pertencentes à Alemanha
Oriental, um plano de governo supra-partidário prevê que o governo
alemão também incentive e promova a reconstrução física
dos principais centros urbanos do leste e oeste, na tentativa de dissipar os antigos
traços arquitetônicos e culturais que evidenciavam as diferenças
entre as partes. É o planejamento econômico tentando aproveitar o
renascimento do nacionalismo no país para consolidar uma identidade unificada
do povo alemão. | |