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Nelson
Mandela
Líder antiapartheid
e primeiro presidente negro da África
do Sul
O
regime do apartheid sul-africano foi uma das grandes máculas
do século XX, ao segregar com ajuda da lei pessoas
devido à cor de sua pele. O ocaso dessa aberração,
contudo, escreveu uma das mais belas e corajosas passagens
daquele mesmo século. Seu personagem ganhou, assim,
estatura de gigante. Seu nome: Nelson Mandela.
Nascido
no dia 18 de julho de 1918, no pequeno vilarejo de Qunu, Mandela
iniciou sua militância política antes mesmo de
terminar a faculdade de direito, na Universidade da África
do Sul, em 1943: ele se uniu ao Congresso Nacional Africano,
organização que tinha como principal objetivo
combater a segregação racial no país.
Após divergências com a cúpula da entidade,
Mandela formou com Oliver Tambo, Walter Sisulo e Anton Lambede
a Liga da Juventude do CNA, que defendia uma postura mais
agressiva frente ao governo, embora sem uso da violência.
O embate ficaria ainda mais duro após 1968, quando
chega ao poder do Partido Nacional, que oficializa o apartheid.
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"Ninguém
nasce odiando outra pessoa devido à cor de sua pele,
à sua origem ou ainda à sua religião. Para odiar, é
preciso aprender. E, se podem aprender a odiar, as pessoas
também podem aprender a amar"
Nelson
Mandela
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Mas
a primeira guinada da postura de Mandela viria em 1960, após
o massacre de Sharpeville, quando a polícia sul-africana
atirou contra manifestantes negros, desarmados, matando 69
pessoas e ferindo 180. Mandela passa a defender a resistência
armada e coordena uma campanha de sabotagem contra alvos militares
e do governo. Acabaria preso, em 1961, sob a acusação
de traição e terrorismo. Três anos depois,
recebeu a sentença de prisão perpétua.
O
líder negro amargaria os 27 anos seguintes na prisão.
Mas seu nome se tornou de tal modo associado à oposição
ao apartheid que o clamor "Libertem Nelson Mandela"
virou lema das campanhas contra o regime de segregação
em todo o mundo. A pressão internacional foi tamanha
que, em fevereiro de 1990, Mandela foi libertado, por ordem
do presidente Frederik Willem de Klerk. Tinha 72 anos.
Mandela
liderou, então, o Congresso Nacional Africano em suas
negociações com o presidente de Klerk. As primeiras
medidas colocaram fim ao regime do apartheid e estabeleceram
um governo multirracial. Em 1993, os dois líderes receberam
juntos o Prêmio Nobel da Paz. No seguinte, Mandela fez
história ao se tornar o primeiro presidente negro da
África do Sul, para um mandato de cinco anos. Ganhou
novamente respeito internacional por sua luta em prol da reconciliação
interna. Após o fim do mandato, concentrou suas energias
em ações junto a organizações
sociais e direitos humanos, como o combate à aids:
"Esse mal não é mais só uma doença,
é uma questão de direito humano. Como eu fiquei
preso com uma sentença de prisão perpétua,
as pessoas infectadas pelo HIV vivem com uma condenação
para a vida toda. Temos os remédios e as formas de
livrar as pessoas desta condenação em mãos.
Precisamos agir juntos para fazer esta ajuda chegar as pessoas
necessitadas."
Mandela
anunciou sua aposentadoria da vida pública aos 85 anos,
alegando problemas de saúde, que não o impediram,
contudo, de completar 90 anos, em 2008. Questionado certa
vez sobre a possibilidade de colocar em prática o ensinamento
da frase que abre este texto (ensinar o amor em lugar do
ódio), ele reconheceu a dificuldade da tarefa,
mas ratificou seu espírito. Após 27 anos de
tortura e humilhação no cárcere, afirmou
não odiar quem o prendera: "Sim, andei zangado,
andei com medo, mas não me sentia livre. Quando comecei
a sentir todo aquele ódio, analisei que se passasse
a ter esse sentimento, logo depois que saísse daquela
porta, eles continuariam a me dominar. Eu queria ser livre,
por isso me libertei do ódio".
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