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Perguntas & Respostas

As dúvidas mais comuns sobre os
embates entre Ocidente e o Islã

1. Como reconhecer o chamado "choque de civilizações"?
2. Esse confronto pode ser dissolvido rapidamente?
3. Quais são as bases do fundamentalismo religioso?
4. Povos cristãos e muçulmanos - e nações de Ocidente
e Oriente Médio - sempre viveram em conflito?

5. Por que as religiões, tidas como elementos de comunhão com Deus,
acabam sendo fatores de divisão entre os povos da Terra?

6. Quais as perspectivas de modernização para o Islã?
7. O Ocidente pode exercer influência modernizadora sobre o mundo islâmico?
8. O islamismo é mais perigoso do que outras religiões?

1. Como reconhecer o chamado "choque de civilizações"?
Vários eventos recentes e presentes evidenciam as imensas diferenças de valores e práticas do chamado mundo ocidental e do universo regido pelo Islã fundamentalista. O choque revela que, em determinados momentos, pessoas e culturas não reconhecem mais as aspirações alheias e, em caso extremo, nem mesmo o direito de existência dos demais. No caso da intransigência islâmica, os choques são facilmente reconhecíveis em situações recentes, como o 11 de Setembro e os violentos protestos em países do Oriente Médio contra uma simples declaração do papa Bento XVI ou contra charges representando o profeta Maomé.

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2. Esse confronto pode ser dissolvido rapidamente?
Dificilmente. Especialistas sobre a questão de várias correntes acreditam que o mundo passa por um estágio em que os ânimos estão excessivamente exaltados para uma solução rápida. Um acordo entre as partes deve levar tempo, portanto, até que se criem condições para uma real coexistência pacífica. A insurgência enfrentada por tropas dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha que ocupam o Afeganistão e o Iraque são prova de que a convivência terá de ser pensada em outras bases.

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3. Quais são as bases do fundamentalismo religioso?
Em geral, o fundamentalismo torna-se um problema porque exige que seus seguidores vivam conforme suas leis rígidas. Essas normas devem ser seguidas à risca e aplicadas a todas as dimensões da vida. O problema é que o contato com fatos novos e com pessoas que carregam ideologias diferentes exigem transigência e flexibilidade. Dogmas não ajudam nessas situações.

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4. Povos cristãos e muçulmanos - e nações de Ocidente e Oriente Médio - sempre viveram em conflito?
Não. Durante séculos da história houve coexistência pacífica e tolerante, embora tensões surgissem de tempos em tempos. Exemplos disso são o período entre os séculos VIII e o XV, em que cristãos e muçulmanos dividiram o sul da Península Ibérica, e intervalos das Cruzadas medievais (1095- 1291). A existência de comunidades islâmicas em vários países do Ocidente também é exemplo da coexistência, não livre de atritos, porém.

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5. Por que as religiões, tidas como elementos de comunhão com Deus, acabam sendo fatores de divisão entre os povos da Terra?
As religiões pregam a comunhão dentro dos próprios limites. E promovem a separação em relação às demais religiões. É claro que as pessoas também se dividem em torno de crenças políticas e ideológicas. Mas, quando tratamos de crenças políticas, podemos ao menos discuti-las. Com a religião não é assim. Por definição, a religião é baseada na fé. Você apenas diz: "Eu acredito porque acredito". E logo surgem aqueles que acrescentam: "Se você acredita em algo diferente, então vou matá-lo".

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6. Quais as perspectivas de modernização para o Islã?
As outras duas grandes religiões do mundo, judaísmo e cristianismo, já se modernizaram. O cristianismo começou o processo com a Reforma, no século XVI, e o judaísmo no século XVIII, com o chamado iluminismo judaico. Mas o Islã continua sendo uma religião da era das trevas e precisa se acertar com o mundo moderno.

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7. O Ocidente pode exercer influência modernizadora
sobre o mundo islâmico?

Sim. A situação atual do mundo islâmico é o início desse processo de modernização. Começou, por exemplo, no Marrocos, onde já foram conferidos direitos iguais às mulheres de maneira voluntária: ninguém fez nenhuma pressão para que isso acontecesse. A longo prazo, o futuro do Islã é bom, mas ainda pode haver muito sangue antes de isso se realizar.

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8. O islamismo é mais perigoso do que outras religiões?
Não se deve olhar apenas para o presente. O Islã hoje é a religião mais belicosa, mas não foi assim nos séculos passados. Todas as três grandes religiões monoteístas - islamismo, judaísmo e cristianismo - autorizam as pessoas a ter posições muito fortes e apaixonadas. Isso é tão verdade para o muçulmano Bin Laden quanto para o protestante Bush.

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