Números
As armas de fogo no
Brasil e seus efeitos
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| No alvo do referendo: funcionários
numa fábrica de armas e munições de Taurus |
As estatísticas sobre porte e uso
de arma de fogo no país são consideradas incompletas
e pouco confiáveis por especialistas das áreas de
criminalidade e segurança pública. Não há
sequer um balanço formal do número de armas existentes
no país - existem apenas estimativas extra-oficiais. Ainda
assim, dezenas de pesquisas isoladas, principalmente a respeito
do impacto das armas nas estatísticas de mortalidade, oferecem
informações importantes sobre o assunto. A seguir,
alguns dados desses estudos:
Porte e desarmamento
17 milhões
de armas de fogo estariam em circulação no Brasil,
conforme estimativa divulgada pela ONG Viva Rio. Dessas, só
49% são legais; 28% seriam armas ilegais de uso informal
e 23%, armas ilegais de uso criminal.
3,5%
dos domicílios brasileiros têm algum tipo de arma de
fogo, porcentual muito inferior inclusive que de países com
menores índices de criminalidade, como Canadá (30%),
França (24,5%) e Suíça (35%)
443.000
armas de fogo foram entregues pela população no primeiro
ano da campanha de desarmamento. A expectativa do governo era de
receber 80.000 armas. A campanha do país só perde
para a da Austrália (600.000 armas).
8,2%
foi a queda no número de mortes provocadas por armas de fogo
no primeiro ano de campanha de desarmamento no país, segundo
o Ministério da Saúde. Foi a primeira redução
no índice em 13 anos de pesquisas.
72%
das armas usadas em crimes entre 1999 e 2005 no Rio de Janeiro pertenciam
a cidadãos de bem e caíram nas mãos dos bandidos
em assaltos e outros crimes, segundo pesquisa da Secretaria Estadual
de Segurança Pública.
61%
dessas armas desviadas no Rio tinham sido compradas em lojas, sendo
que 33% eram registradas e 39% não tinham registro. O resto
dos armamentos usadas em crimes, 28%, eram provenientes do tráfico
de armas.
29%
das armas registradas usadas em crimes no Rio de Janeiro foram desviadas
das mãos do próprio Estado, ou seja, das polícias
e das Forças Armadas do país; 65% das armas desviadas
para o crime pertenciam a indivíduos.
Mortes
21,72
óbitos em cada grupo de 100.000 habitantes é a taxa
de mortalidade por arma de fogo no país, conforme estudo
da Unesco. Essa taxa triplicou num período de vinte anos
no país.
2ª
é a posição do país no ranking de mortes
por armas de fogo, perdendo só para a Venezuela (30,34 a
cada 100.000). O Japão foi o país com melhor índice
- apenas 0,06, segundo a Organização Mundial da Saúde
(OMS).
416%
foi o crescimento no número de jovens mortos por armas de
fogo no país entre 1979 e 2003, conforme estudo da Unesco.
A cada três jovens que morrem no país, um é
vítima de arma de fogo.
40.000
pessoas morrem anualmente com o uso de armas de fogo no país,
segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
Mesmo representando 2,8% da população mundial, o país
tem 11% dos homicídios.
63,9%
dos homicídios cometidos no Brasil são praticados
com arma de fogo, conforme números do Datasus. A segunda
principal causa, com 19,8% dos homicídios, é o uso
de arma branca.
20 a 29 anos
é a faixa etária com maior taxa de mortalidade por
arma de fogo entre os homens, com 103,1 óbitos por 100.000
habitantes. Dos 15 aos 19 anos, a taxa é de 71,2, e dos 30
aos 39 anos, o índice é de 57,7.
39,1%
dos adolescentes com idades entre 15 e 19 anos mortos no país
em 2002 foram vítimas de armas de fogo. No mesmo ano, acidentes
de carro mataram 14,8% desse contingente; 19,9% morreram de causas
naturais.
30,1
é a taxa de mortalidade por arma de fogo entre cada 100.000
negros no país. O índice é menor entre os pardos
(28,5 óbitos por 100.000 habitantes) e entre os brancos (16,6
óbitos por 100.000 habitantes).
O referendo
122.042.825
eleitores participariam do referendo sobre a proibição
da venda de armas e munição, em 368.040 seções
distribuídas por 5.564 cidades; 59.921 eleitores que moram
em 92 países do exterior não poderão participar.
80%
dos brasileiros se diziam favoráveis à proibição
da venda de armas, conforme pesquisa Datafolha realizada três
meses antes do referendo. Entre as mulheres, o índice é
maior (85%, contra 75% entre os homens).
84%
é o índice de aprovação à proibição
da venda de armas no Nordeste, o maior entre todas as regiões
na pesquisa Datafolha. A região Sul é a que tem menor
adesão à proibição, com 71%.
22%
das pessoas com nível superior dizem que a venda de armas
de fogo deve ser mantida. O índice cai segundo a escolaridade:
dos que têm ensino médio, 17% diriam não no
referendo; com ensino fundamental, seriam 16%. |