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Especial
Curiosidades da região
Num
único dia, o Amazonas despeja no Oceano Atlântico mais água
do que toda a vazão do Rio Tâmisa, em Londres, durante um
ano inteiro. Só a Bacia do Rio Negro, um dos afluentes do Amazonas,
tem mais água doce do que toda a Europa.
O
volume de terra que o Rio Amazonas joga no mar é tão grande
que, graças a esses sedimentos, o litoral da Guiana Francesa e
do Amapá está crescendo. Esse crescimento, ainda não
medido, já aparece em imagens de satélites.
A
Ilha de Marajó é na verdade um arquipélago. O número
exato de ilhas ninguém conseguiu ainda contar, mas é de
pelo menos 2.000. Ocupam uma área de 50.000 quilômetros quadrados,
maior que a Suíça.
Ao
contrário do que se poderia imaginar, os rios mais feios da Amazônia,
os de água barrenta, são os mais generosos para a vida na
região. Carregam sedimentos que arrancaram da Cordilheira dos Andres
e de outras regiões por onde passam. Na enchente, depositam no
solo esses sedimentos, adubando quilômetros nas vizinhanças
do rio. Ali, as plantações nascem viçosas quando
as águas baixam. Esses rios também têm mais peixes.
Os
rios escuros, como o Negro, são muito mais bonitos, mas a água
é ácida e pobre em nutrientes. Apenas 5% dos peixes vendidos
em Manaus vêm do Rio Negro, que banha a cidade.
Tubarões
e outros peixes do mar entram com certa regularidade no Amazonas. Eles
não se reproduzem na água doce, mas conseguem se dar relativamente
bem. Tubarões já foram pescados até em Iquitos, no
Peru, uns 4000 quilômetros rio acima.
Das
483 espécies de mamíferos existentes no Brasil, 324 vivem
na Amazônia (67%). Das 141 de morcegos, 125 voam por lá.
Com
30 milhões de espécies, os insetos formam o maior grupo
de seres vivos na Terra, sem levar em conta bactérias e microrganismos.
Na Amazônia está um terço deles.
Quem
não gosta de répteis precisa saber: há 300 espécies
desses animais na Amazônia, de cobras a lagartos.
O
nome Amazonas foi dado pelo frei espanhol Gaspar de Carvajal, o primeiro
cronista europeu a viajar pelo rio, durante a expedição
de Francisco de Orellana, na primeira metade do século XVI. O frei
afirmou que sua embarcação foi atacada por mulheres que,
como na mitologia grega das amazonas, pretendiam escravizar os homens
para procriar antes de matá-los.
As
mais antigas evidências arqueológicas da existência
humana na Amazônia são de, pelo menos, 12.000 anos atrás.
Os
índios brasileiros, que eram 6 milhões na época do
descobrimento, hoje são 300.000. Enquanto a população
total do Brasil cresceu 27 vezes, a dos índios diminuiu vinte.
Quando os portugueses chegaram ao Brasil, havia em torno de 1.300 línguas
indígenas no país. Restaram 170.
Dois
em cada três índios brasileiros vivem nas reservas indígenas
da Amazônia. São 170.000 pessoas em um território
equivalente a quase três Alemanhas. Só os 8.200 ianomâmis
ocupam uma área de 94.000 quilômetros quadrados, maior que
a área de Portugal. Cada índio brasileiro hoje possui em
média 3,6 quilômetros quadrados, mais de duas vezes o Parque
do Ibirapuera, em São Paulo. No total, é dos índios
quase 12% do território nacional.
Há
sinais de 53 grupos indígenas ainda isolados, sem contato com a
civilização tecnológica, todos na região amazônica.
Sujeitos a contatos casuais, os índios continuam despreparados
para enfrentar as doenças dos brancos e vivem no nomadismo.
Krenakore,
o nome dos índios gigantes da Amazônia, significa "cabeça
cortada redondo", uma referência ao seu corte de cabelo em
forma de meio coco. É uma designação de cunho pejorativo,
dada pelos rivais kayapós. Os krenakores preferem chamar-se de
panarás, a palavra para o pronome "nós".
Durante
o ciclo da borracha (1879-1912), a Amazônia foi responsável
por quase 40% das exportações brasileiras. Manaus era a
capital mundial da venda de diamantes, e o seu teatro, com 681 lugares,
foi construído na Europa e trazido de navio para ser montado no
Brasil. Sob o calor de 40 graus, os ricaços usavam terno, gravata-borboleta
e colete, imitando os ingleses. As mulheres vestiam-se com modelos parisienses.
Graças
à borracha, nos primeiros anos deste século a Amazônia
teve uma renda per capita duas vezes superior à da região
produtora de café São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito
Santo. A riqueza acabou quando ingleses levaram as mudas de seringais
para a Malásia, até hoje líder mundial na produção
de borracha natural.
Até
1839, a borracha era um artigo que agradava mais aos curiosos do que aos
empresários. Ela derretia no calor e tornava-se quebradiça
no frio. Naquele ano, um americano chamado Charles Goodyear (daí
a marca do pneu) descobriu o processo de vulcanização da
borracha. Isso a tornou estável, tanto no frio quanto no calor.
O comércio explodiu. Entre 1850 e o começo deste século,
as exportações do produto na Amazônia aumentaram trinta
vezes.
Nos
anos 30, o pioneiro da indústria americana de carros, Henry Ford,
resolveu plantar seringueiras na Amazônia. A plantação
fracassou porque foi atacada por uma praga da folha.
A
primeira megaobra na Amazônia foi a estrada de ferro MadeiraMamoré,
em Rondônia. Era parte do preço pago pelo Brasil à
Bolívia pela compra do então território do Acre.
Serviria para escoar produtos bolivianos, mas foi um fracasso. Durante
a construção, entre 1907 e 1912, mais de 6.000 operários
morreram de malária um morto por dormente da ferrovia, como se
dizia na época. Hoje, dos 366 quilômetros construídos,
apenas 7 quilômetros de trilhos continuam em operação.
Ficou
famosa nos anos 60 a proposta de um futurólogo americano, Herman
Kahn, do Instituto Hudson. Kahn sugeriu que se construíssem sete
barragens para criar cinco lagos gigantescos na Bacia Amazônica.
Queria estimular o intercâmbio econômico entre os países
da América do Sul e o investimento estrangeiro em pesca, mineração
e petróleo na região. Aos ouvidos do governo militar brasileiro
soou como uma proposta de internacionalização da Amazônia,
e as reações contrárias foram muito fortes. Alguns
dos projetos faraônicos inventados pelos militares para a região
tiveram essa causa. "Integrar para não entregar" era
um dos slogans oficiais da época.
O
governo militar tentou, via incentivos fiscais, transformar o sul do Pará
num pólo exportador de carne nos anos 70. Atraiu para lá
300 grandes empresas e tudo acabou num grande fiasco. Nem o capim nascia
direito no solo pobre da região. Para fazer jus às facilidades
fiscais, as empresas eram obrigadas a desmatar o terreno. Até hoje
o desmatamento é prova de produtividade pelos critérios
do governo. Se uma propriedade tem muita árvore, ela é considerada
improdutiva.
Nas
décadas de 70 e 80, o Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária imaginou que seria possível colocar 5
milhões de colonos nordestinos na Amazônia. Conseguiu levar
5000 famílias para lá, dando terreno para plantar e salário
mínimo durante os primeiros seis meses. Os colonos descobriram
que a terra perdia a fertilidade em dois ou três anos. Descobriram
também que lá havia muita doença e muito isolamento.
A
maior parte do solo é ruim na Amazônia, mas há manchas
de terra roxa muito férteis e também áreas limitadas
de areião imprestável. O dado decisivo é este: a
maioria dos solos não se presta à agricultura.
Qual
o valor da Amazônia? Até pouco tempo atrás, os ecologistas
nem queriam ouvir uma pergunta dessas. Hoje, muitos estão tentando
descobrir quanto a humanidade precisaria gastar para manter o planeta
sem a Amazônia. Dois estudos chamam a atenção. O americano
Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia,
Inpa, estimou que seriam necessários 3 trilhões de dólares
por ano para controlar o efeito estufa, que se agravaria com o fim da
floresta. Uma outra conta, feita por pesquisadores da Universidade de
Maryland, nos Estados Unidos, concluiu que os benefícios criados
pela floresta corresponderiam a 1,1 trilhão de dólares por
ano. É mais do que o produto interno bruto do Brasil.
Entre
os escritores brasileiros, nenhum conseguiu refletir tão bem o
estranhamento de um visitante em relação à Amazônia
quanto Euclides da Cunha. Já conhecido por ter escrito Os Sertões,
Euclides navegou pelos rios Purus, Juruá e Acre em 1905. Escreveu
o seguinte: "O homem ali é ainda um intruso impertinente.
Chegou sem ser esperado nem querido, quando a natureza ainda estava arrumando
o seu mais vasto e luxuoso salão".
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