Personagens

Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, George W. Bush, serão os líderes da reta final de negociações da Alca. Ao contrário de seus antecessores, Bill Clinton e Fernando Henrique Cardoso - que mantinham diálogos freqüentes e tinham excelente relação pessoal -, Bush e Lula não são tão próximos. Apesar disso, ambos prometeram, nos encontros que tiveram até agora, trabalhar em parceria para viabilizar um projeto justo de bloco comercial.

No Brasil, a equipe de negociadores da Alca é chefiada pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. No entanto, o homem que tem cargo equivalente em Washington, o secretário de Estado Colin Powell, não está tratando da formação do bloco. Nos Estados Unidos, a negociação da Alca é comandada pelo escritório comercial da Casa Branca, órgão chefiado por Robert Zoellick, que já fez várias viagens pela América Latina para defender a criação do bloco.

Brasil e EUA dividirão a presidência das negociações da Alca em seus últimos 30 meses, até 2005. O brasileiro que ocupa a função é a Adhemar Bahadian, diplomata do Itamaraty. Pelo lado americano, o co-presidente da Alca é Peter Allgeier, funcionário do governo dos EUA com ampla experiência em comércio exterior. Bahadian e Allgeier estão acostumados a trocar críticas sobre a posição de seus países na Alca. Durante uma de suas visitas ao Brasil, Allgeier levou uma torta na cara enquanto discursava sobre a formação do bloco comercial.

A posição brasileira, considerada decisiva para o futuro da Alca, está ligada especialmente às áreas administradas pelos ministros Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e Roberto Rodrigues (Agricultura). Curiosamente, eles não tiveram voz ativa no diálogo com os americanos até a rodada de negociações de novembro de 2003. Ambos já manifestaram de forma aberta e pública seu apoio à adesão brasileira ao bloco - só que os dois querem a derrubada das barreiras não tarifárias que tanto prejudicam suas exportações à maior economia do mundo, os EUA.

Se Furlan e Rodrigues não foram ouvidos, um homem conhecido por suas posições radicalmente contrárias à Alca está em posição privilegiada nas negociações. O embaixador Samuel Pinheiro Guimarães ocupa o posto de secretário-geral do Itamaraty - o segundo mais importante da diplomacia brasileira. Ele já escreveu artigos e fez discursos contrários à participação do país no bloco. Por outro lado, os embaixadores das duas nações - Rubens Barbosa, o representante brasileiro em Washington, e Donna Hrinak, a americana em Brasília - vêm atuando para aproximar os países negociadores e promover o diálogo.

Além dos americanos e brasileiros, líderes de alguns dos 34 países integrantes do futuro bloco têm papel decisivo nas discussões da Alca. Mesmo chefiando economias maiores do que a brasileira, o mexicano Vicente Fox e o canadense Jean Chretien têm pouco a arriscar - eles já estão unidos aos EUA através do Nafta, e são aliados muito próximos de Bush. Assim, as peças mais importantes são o chileno Ricardo Lagos e o argentino Néstor Kirchner. Ambos têm ligações importantes com os brasileiros, mas não podem desconsiderar a oportunidade de ganhar acesso ao mercado americano. Lula já firmou posição conjunta com Kirchner através do Consenso de Buenos Aires. Mas Lagos já fechou acordos de livre comércio diretamente com os EUA, enfraquecendo a posição do Brasil.

   
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