| |
|
Perguntas
e respostas
O que acontecerá
se a Alca for criada?
As
tarifas alfandegárias impostas aos produtos de outros países serão derrubadas,
dando origem a um grande mercado aberto no continente americano (infográfico).
Os brasileiros poderão vender seus produtos sem impostos adicionais em
qualquer um dos outros 33 países participantes. Da mesma forma, o país
receberá produtos estrangeiros mais baratos, já que não haverá alíquotas
de importação. A queda das tarifas, contudo, pode não ser imediata nem
total - o temor de quebra de empresas nos países menos desenvolvidos deverá
fazer com que o processo seja gradual.
Por que
a Alca causa tanta polêmica?
Porque sua adoção significaria, na opinião de alguns, um enfraquecimento
da economia local, já que os produtos estrangeiros poderiam esmagar setores
que não são competitivos. Além disso, há uma forte carga ideológica no
debate sobre o bloco - muitas facções políticas ainda acreditam que a
Alca é uma tentativa de "anexação" dos países subdesenvolvidos pelos Estados
Unidos (leia
mais).
O Brasil
está preparado para entrar na Alca?
Em termos. Por um lado, seu parque industrial e suas atividades agropecuária
e siderúrgica, entre outros setores, estão prontos para enfrentar - e
derrotar - a concorrência em outros países, inclusive nos Estados Unidos
(infográfico).
Em contrapartida, o país ainda oferece obstáculos perigosos aos seus produtores,
através do chamado custo Brasil - falta infra-estrutura e mão-de-obra
adequadas, o crédito é escasso e os juros são altíssimos (leia
mais).
Mas o
Brasil sai ganhando ou perdendo se aderir?
Depende. Se negociar um acordo com os termos que deseja, tem muito a lucrar.
O Brasil defende, além da queda das tarifas alfandegárias, o fim das barreiras
não alfandegárias (infográfico)
- que protegem os produtores de países como os Estados Unidos da concorrência
estrangeira. Se não conseguir romper essas barreiras, porém, o país realmente
corre riscos, já que abriria seu mercado para o produto importado mas
não conseguiria aumentar suas exportações como desejado (leia
mais).
O Brasil
tem condições de derrotar o protecionismo americano nas negociações?
Será
muito difícil. A reta final das negociações será realizada bem no ano
da campanha eleitoral nos Estados Unidos, e o presidente George W. Bush,
que tenta a reeleição, não deverá firmar acordos que prejudiquem os produtores
locais ou retirem os mecanismos de proteção ao mercado interno. Só com
argumentos técnicos impecáveis os brasileiros conseguirão negociar contrapartidas
interessantes no diálogo com os americanos (leia
mais).
Por que
os americanos insistem tanto em formar a Alca o mais rápido possível?
Porque sua cadeia produtiva está absolutamente pronta para enfrentar a
concorrência - o parque industrial é avançado, a mercadoria americana
é bem aceita, os exportadores tem enorme apoio do governo e, nos setores
menos competitivos, há mecanismos protecionistas. O país é líder disparado
no comércio no continente (tabela)
Em resumo, os americanos estão ansiosos para abrir as portas para um mercado
gigantesco, com cerca de 800 milhões de consumidores, aumentando suas
exportações e importando mercadorias que não produz a contento - como
algumas matérias-primas e alimentos - por preços bem menores.
Haverá
Alca sem o Brasil?
Os Estados Unidos insistem em dizer que sim. Vários diplomatas e autoridades
americanas exigiram que o Brasil cedesse nas negociações ameaçando o país
de isolamento no continente. Mas essa hipótese não interessa aos americanos,
que consideram o Brasil uma peça chave para o novo bloco - é uma das grandes
forças do continente (tabela).
Aliás, a exclusão não interessa também aos brasileiros, que ainda não
pensam em ficar de fora da Alca, apesar das brigas com os americanos.
E
se o Brasil ficar de fora?
O país corre o risco de sofrer um indesejável isolamento político, econômico
e diplomático. Na parte comercial, perderá a oportunidade de ampliar seu
mercado consumidor, terá dificuldades para obter índices de crescimento
econômico maiores, não ajudará o setor produtivo a melhorar para enfrentar
a concorrência lá fora. Na parte política, deixará azeda sua relação com
o país mais rico e poderoso do mundo e enfraquecerá sua posição de líder
regional. Portanto, é melhor negociar do que saltar fora do acordo (leia
mais).
A Alca
acabaria com o Mercosul e o Nafta?
Não. Os blocos regionais (infográfico)
continuarão em vigor mesmo durante a negociação e a implantação da Alca.
E mais: esses blocos permitem que os vizinhos negociem a adesão ao acordo
continental em posição mais vantajosa. Um exemplo é a criação do Consenso
de Buenos Aires, em que Brasil e Argentina declararam apoio ao Mercosul
(infográfico)
e prometeram negociar a Alca juntos, numa posição unificada.
A Alca
é só um bloco comercial ou terá também medidas de integração política
e social, como está ocorrendo na União Européia?
O acordo é somente de livre comércio, e não prevê o livre trânsito de
pessoas pelo continente ou a criação de um parlamento e uma moeda comuns,
como ocorreu na Europa (leia
mais). Apesar disso, sua adoção pode ter grande
influência na área social dos países integrantes - afinal, um país poderá
crescer ou afundar ao entrar no bloco. Outra possível conseqüência é a
adoção de políticas de apoio aos países menos desenvolvidos, que receberiam
financiamento para melhorar sua infra-estrutura - ou seja, na prática
o acordo comercial também terá desdobramentos políticos e sociais nos
países.
|
|
|