Frases


Duelo diplomático

"Esperamos que os 34 países assinem, mas, se um decidir que não, eu não vejo por que impedir que os demais sigam adiante."
Peter Allgeier, negociador americano da Alca, defendendo a criação do bloco com ou sem o Brasil (outubro de 2003).

"O que me parece contraditório é que um país procure excluir temas da mesa, e queira, ao mesmo tempo, impedir que outros países façam o mesmo."
Adhemar Bahadian, negociador brasileiro da Alca, sobre os EUA (outubro de 2003).

"O governo anterior estava mais confortável com o modelo da Alca."
Peter Allgeier, negociador americano da Alca, comparando as gestões Lula e FHC (outubro de 2003).

"Não será de subserviência e nem de confrontação, mas sim de negociação."
Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, sobre a posição do Brasil na negociação da Alca (outubro de 2003).

"Nós queremos fazer a primeira oferta à América Latina, porque são nossos parceiros mais próximos. Mas, se eles decidirem que querem ir em outra direção, se eles querem tomar o rumo sul, para a Antártica, nós olharemos para o leste e o oeste."
Robert Zoellick, secretário de Comércio americano, insinuando que o Brasil ficará isolado na Antártica se desprezar a Alca (outubro de 2002).

"Eu não posso responder ao sub do sub do sub do secretário americano. Vou discutir a Alca diretamente com o companheiro Bush."
Lula, então candidato do PT à Presidência, negando-se a comentar a fala de Zoellick - que não era "sub do sub do sub", mas sim dono de cargo equivalente ao de ministro (outubro de 2002).

"Vamos forçar e monitorar o que for possível. Usaremos todos os meios legais e necessários para conquistar o máximo de vantagens para os americanos."
Robert Zoellick, secretário de Comércio americano, em mensagem ao Congresso dos EUA, sobre a Alca (março de 2003).

"Nós, brasileiros, deveríamos olhar com muito cuidado essas questões, pois isso tem impacto na própria capacidade que o Brasil tem de eleger o seu modelo de desenvolvimento."
Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, pedindo cautela na negociação da Alca (outubro de 2003).

"Será muito difícil haver um acordo para a Alca após o fracasso em Cancún. Fizeram uma exagerada encenação política e adotaram táticas de guerrilha. Quando mostraram disposição para negociar, já não havia mais tempo. Estamos agora buscando parceiros dispostos a fazer um acordo."
Roger Noriega, subsecretário de Estado americano para o Hemisfério Ocidental, principal diplomata dos Estados Unidos para as Américas, sobre a posição do Brasil e de seus aliados na rodada da OMC no México (setembro de 2003).


FHC, Lula e Bush

"Não queremos simplesmente abrir aqui para importar, importar e importar, e não exportar nada. Se não houver essa discussão, marcar data para a Alca não tem sentido."
FHC, entrando oficialmente na discussão sobre a Alca, em pronunciamento numa reunião do Mercosul (dezembro de 2000).

"Mostrei que não temos nada a esconder. Tirei os óculos para que ele pudesse olhar diretamente nos meus olhos e ver a boa vontade."
FHC, depois de reunião com Bush na Casa Branca. Bush havia dito que desejava olhar nos olhos do presidente brasileiro ao tratar da Alca (março de 2001).

"Não queremos que se grite 'fora a Alca'. Queremos saber defender nossos interesses. Alca é mercado, não é soberania. Soberania não se discute, se exerce defendendo os interesses do Brasil."
FHC, defendendo a manutenção das negociações (fevereiro de 2002).

"O governo brasileiro não poderá assinar o acordo da Alca se persistirem as medidas protecionistas extra-alfandegárias, impostas há muitos anos pelos Estados Unidos."
Trecho do programa de governo do PT na campanha à Presidência (julho de 2002).

"O Brasil é uma parte incrivelmente importante de uma América pacífica e próspera."
George W. Bush, presidente dos EUA, após encontro com Lula (junho de 2003).

"Eu acredito que podemos surpreender o mundo."
Lula, após encontro com Bush (junho de 2003).

"O foco não é discutir sim ou não à Alca, mas qual a Alca que nos interessa."
Lula, no Congresso Nacional (outubro de 2003).


Os pragmáticos

"Não vamos pensar na Alca ideologicamente. Vamos colocar o debate do ponto de vista do interesse brasileiro. O mundo das relações comerciais e diplomáticas entende essa linguagem: cada um defende seu interesse. Se a Alca representar um avanço para o Brasil e para os países da América do Sul, vamos trabalhar para que ela avance."
Antonio Palocci, indicado para assumir o cargo de ministro da Fazenda por Lula (dezembro de 2002).

"O que precisa ficar muito claro é que não queremos política de confrontação pela confrontação para satisfazer discurso ideológico de quem quer que seja."
Lula, no Congresso Nacional (outubro de 2003).

"O Itamaraty reagiu duramente e com dignidade. Endurecemos porque os americanos endureceram primeiro. É vital entender que, nessa disputa, a bola está sendo tocada pelo adversário, e não por nós. Estamos apenas reagindo ao jogo deles."
Roberto Rodrigues, ministro da Agricultura (outubro de 2003).

"Vamos nos sentar e negociar. Se o acordo for benéfico, assinamos. Caso contrário, não."
Jorge Gerdau Johannpeter, presidente da Gerdau, a segunda maior empresa siderúrgica do Brasil e dona de plantas nos EUA e no Canadá (junho de 2003).

"A Alca é uma oportunidade rara de progresso para todo o continente. Um aliado natural dos agricultores brasileiros são as empresas americanas que exportam equipamentos e insumos para o Brasil. É preciso negociar."
Donna Hrinak, embaixadora americana no Brasil (dezembro de 2002).

"Com a Alca, o Brasil poderá aumentar sua influência na região. Com ou sem a Alca, as companhias brasileiras terão de buscar a competitividade."
Henry Kissinger, ex-assessor presidencial americano e um dos intelectuais mais influentes do século 20 (agosto de 2001).


Os radicais

"Participar da Alca agravará a redução da soberania brasileira para reformular sua política econômica e retirar o Brasil da beira do abismo em que a atual equipe econômica o colocou."
Samuel Pinheiro Guimarães, diretor do Instituto de Pesquisas de Relações Internacionais (Ipri) do Itamaraty, em artigo. Ele foi exonerado do cargo pelo então chanceler Celso Lafer por criticar a Alca. No governo Lula, assumiu o posto de secretário-geral, o segundo mais importante da diplomacia brasileira (abril de 2001).

"Nos moldes em que está, a Alca é, sim, a meu ver, uma tentativa de anexação dos países da América Latina à órbita da Casa Branca. Felizmente, a conjuntura muda, e a minha avaliação dela também. Hoje, sou a favor de uma renegociação em que se consiga retirar todo o ranço imperialista e colonialista que existe na proposta atual."
Frei Betto, amigo e assessor de Lula (dezembro de 2002).

"Vão querer que a gente só coma hambúrguer."
João Pedro Stedile, dirigente do Movimento dos Sem-Terra, atacando a Alca no Fórum Social Mundial de Porto Alegre (janeiro de 2003).

"A Alca é caso de sedução. Noiva deslumbrada, a América Latina se entrega ao charme de Tio Sam."
Frei Beto, amigo e assessor de Lula, em artigo (maio de 2001).

   
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