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Cronologia
Em 1990, o presidente dos Estados Unidos, George Bush, lança a idéia de estabelecer um bloco de livre comércio nas Américas - do Alasca à Patagônia, com exceção de Cuba - para integrar seus países e estimular o crescimento econômico. Na época, americanos, canadenses e mexicanos já acertavam o lançamento do Nafta, o mercado comum da América do Norte. Em 1994, com o Nafta já em vigência, o sucessor de Bush, Bill Clinton, reúne os líderes de 34 países americanos num encontro de cúpula em Miami e formaliza o projeto da Alca. Os americanos propõem que os países do continente derrubem todas as suas barreiras alfandegárias até 2005.
Os EUA começam a pressionar o Brasil por causa da Alca. A chefe do escritório de comércio dos EUA, Charlene Barshefsky, pede ao Congresso autonomia para negociar acordos comerciais e acelerar a Alca. No discurso, chama o Mercosul de "mercadinho". O subsecretário para Assuntos Econômicos do Departamento de Estado, Stuart Eizenstat, aproveita um encontro na Suíça para exigir do Brasil uma abertura comercial mais acelerada. O presidente FHC responde dizendo que só o Brasil decide seu destino.
O Brasil obtém uma vitória contra os EUA num encontro de 34 países americanos. Apesar do desejo de Washington de derrubar as tarifas dentro da Alca já em 1998, os outros países - liderados pelo Brasil - conseguem mais tempo para negociar. A discussão dos termos do acordo seria realizada até 2002. Em 2003, começaria a negociação sobre o formato definitivo do bloco. O funcionamento da Alca fica para a partir de 2005.
Em visita ao Brasil, o presidente Bill Clinton é recebido por FHC. O americano e o brasileiro fazem um acordo: Clinton faz pela primeira vez um pronunciamento em apoio à manutenção do Mercosul (que o Brasil queria reforçar), e FHC concorda em iniciar as negociações da Alca no ano seguinte, na Cúpula das Américas (já que o novo bloco era a prioridade dos EUA).
A Cúpula das Américas é realizada no Chile e termina com o lançamento formal das negociações em torno da Alca. Sem apoio no Congresso de seu país, porém, o presidente Bill Clinton não consegue apressar o diálogo, como pretendia. O prazo de implantação em 2005 é mantido.
A secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright, desembarca no Brasil para discutir a Alca. O chanceler do Brasil, Luiz Felipe Lampreia, comunica que o país só assinará o acordo do bloco em 2005, como previsto, se os EUA aceitarem rever pelo menos dez pontos da política alfandegária.
Onze presidentes sul-americanos desembarcam em Brasília para um encontro de dois dias a convite do brasileiro FHC. Os participantes da reunião discutem suas posições sobre a Alca para que, unidos, tenham melhores condições de enfrentar o poder dos EUA na negociação do bloco.
Em reunião de cúpula do Mercosul, o presidente FHC entra publicamente na discussão sobre a Alca condenar o protecionismo dos EUA e ao afirmar que o Brasil concorda em iniciar sua implantação, desde que os americanos removam os obstáculos que barram a entrada dos produtos nacionais.
Os presidentes FHC e Bush se reúnem na Casa Branca mas não entram em acordo sobre a Alca: o Brasil mantém o desejo de atrasar a criação do bloco e os EUA insistem num acordo rápido.
Sessão preparatória da Alca em Buenos Aires termina cheia de dúvidas. O documento sobre a criação do bloco tem 900 páginas e 800 pontos sobre os quais nenhum dos países envolvidos está de acordo. Apesar disso, surge um consenso. No fim do mês, mais uma rodada de negociações acontece na Cúpula das Américas, no Canadá. Os 34 países assinam um compromisso prevendo a criação da Alca até 2005 - enquanto 30.000 pessoas protestavam contra o acordo nas ruas de Quebec.
Depois de oito anos em tramitação no Congresso dos EUA, a Autorização de Promoção Comercial (TPA) - ou fast track - é aprovada. A lei permite a negociação de acordo comerciais sem a interferência do Congresso. O presidente Bush comemora e diz que o projeto aumenta as chances de sucesso nas negociações da Alca.
O secretário de Comércio dos EUA, Robert Zoellick, pressiona o Brasil dizendo que o país precisa escolher entre "a Alca e a Antártida". Lula diz que, como ainda não era presidente, não iria rebater a declaração - afirma apenas que tratará da Alca "diretamente com o companheiro Bush".
O presidente eleito do Brasil promete propor aos países das Américas a formação de um bloco de integração política antes da criação de uma nova aliança comercial entre eles. Lula sugeriu a adoção de um modelo similar ao da União Européia para integrar os países americanos.
O Chile adota um pacto de livre comércio com os EUA, o que enfraquece o Mercosul e a posição do Brasil na negociação da Alca. Economia em ascensão no continente, o Chile seria peça-chave para a criação de um Mercosul mais poderoso, que eliminaria a pressa em negociar a Alca.
O governo dos EUA apresenta sua proposta oficial sobre a Alca sugerindo uma grande abertura aos produtos da América Central e Caribe mas não ao Brasil e ao Mercosul. A Casa Branca aceita tirar todos os tipos de tarifa alfandegária aos produtos estrangeiros, mas se nega a negociar o fim das barreiras não alfandegárias, como subsídios, cotas e restrições - justamente o que interessa aos brasileiros.
Em mensagem ao Congresso dos EUA, o secretário de Comércio, Robert Zoellick, promete usar "todos os meios" para obter "vantagem total" na negociação do acordo. Ele afirma que adotará "todos os meios legais e necessários" para "conquistar o máximo de vantagens para os americanos": "Vamos forçar e monitorar o que for possível".
Os presidentes Lula e George W. Bush se reúnem na Casa Branca e discutem a negociação da Alca. Há apenas o compromisso de manter o diálogo, mas nenhuma decisão ou mudança efetiva.
O principal diplomata dos Estados Unidos para as Américas ataca a posição do Brasil e acusa o país de atrasar a formação da Alca. O subsecretário de Estado americano para o Hemisfério Ocidental, Roger Noriega, diz que os brasileiros fizeram uma "exagerada encenação política" num encontro da OMC em Cancún e que o país adota "táticas de guerrilha" na negociação.
Em seminário sobre a Alca no Congresso Nacional, o presidente Lula afirma que o governo quer negociar a criação do bloco, mas diz que não abre mão de um acordo "equilibrado". No mesmo evento, os negociadores do Brasil, Adhemar Bahadian, e dos EUA, Peter Allgeier, trocam críticas. O americano insinua que haverá Alca com ou sem os brasileiros. Também em outubro, Brasil e Argentina lançam o Consenso de Buenos Aires para mostrar que estão alinhados politicamente para negociar a Alca. |
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